"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

terça-feira, outubro 20

Exorcizando os demônios

As vezes em que disse o “Eu te amo”, era para fazê-lo ficar. Agora o meu “Eu te amo”, é para que você me deixe ir. Liberte-me, por favor, da dor insuportável, da espera interminável, da contagem dos dias, das horas para você chegar. Deixe-me em paz.

Não quero mais meus olhos marejados que impedem-me de ver os motivos das coisas estúpidas que você faz, fazia, diz, dizia, ou não fazia, não dizia ou não diz mais. Seus pecados por ação ou omissão. Não quero mais, por favor deixe-me ir.

Gladus Myrus
Hellen Cortezolli & Gladimir Purper
Não há mais nada de bom em mim que você possa destruir, foram duas vidas e duas mortes, você matou a mim, a fonte secou. Mesmo que ainda o odeie por abrir as portas da minha vida e deixa-lo entrar, por não promover o desgosto em mesma escala, como retribuição, por ter desperdiçado oportunidades de fazê-lo, escolhi não revidar. Não por ser melhor, mas por covardia e principalmente por saber o quanto dói.

Eu o amo e o odeio, mas me amo e me odeio mais, talvez muito mais por amá-lo e odiá-lo. Agora liberte-me... Faça com que o adeus dito, maldito, bendito, leve contigo as lembranças, toda e qualquer.

Deixe-me ir e deixo-o calar, porque meu luto, já vivi, assumi, redimi. Não há mais nada a zelar.


 Nunca deixe quem partiu, regressar. Nem em dois, nem em dez anos... Nunca na mesma encarnação.

Hellen Cortezolli