"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

sábado, julho 21

O estorvo do relicário

No fundo eu sabia o que me abespinhava, mas sempre fugia do assunto. Como se evitar fosse mudar o incômodo... O tempo passou, os dias e noites se alternavam e continuava eu em evasão constante. 
Resolvi que estava na hora de admitir meus fantasmas, monstros, inimigos íntimos e tudo mais que impedia de seguir em frente. Alguns venci, outros me venceram.


O processo tomou novas proporções e não tinha mais força para escrever sobre nada. Entendi que havia mudado algo em mim, coisa grande mesmo. Lá estava eu, vazia. Sem ter o que criticar, sem nadar, nem morrer na praia, não havia brisa, vento, tornado, absolutamente calmaria. Demais a meu ver. E, minha acidez? Adocicou?

Interpretei os sinais da melhor maneira que pude, mas se o pior cego é aquele que não quer ver, o que resta ao estúpido? 

Meu silêncio fingia respeitar as diferenças, sobretudo de pensamento, comportamento, contudo, cheguei a me imaginar inserida de volta à caverna depois de ter ido lá fora, e foi tão óbvia minha morte. Patética, acrescentaria.

Sim, morri assassinada pela ignorância, conformismo e neutralidade irreais. Suicídio social. 

Viver com tanta tecnologia e velocidade de informação e as pessoas em alguns lugares simplesmente pararam no tempo. Uma semana é o prazo máximo para observar de longe com certo romantismo que alguns mundos devem permanecer como estão. 

Em seguida acreditei que era apenas minha penitência, deveria vive-la e refletir calada. Repensei meus pecados, atos falhos e de novo se tivesse chance os cometeria todos como antes fiz. 

O meu caminho não sei, não sei se sigo em frente ou volto sem pensar no que irão pensar, porque não me alimento de pensamentos, senão os meus. Então pronto! Que dúvida?
Todavia, e quanto a mim? Como ficaria comigo? Reveria amores, amaria novamente, odiaria as dores, talvez pedisse revanche? Sem chance. 

Para que não fique sem sentido o princípio disso tudo, meu pior perigo foi sempre ter que voltar até aqui e perceber quantas fui e hoje não sou mais, essa casa, endereço, começo, meio e fim, me torturam. Trazem lembranças à tona, coisas e pessoas que prefiro esquecer, sufocar num lugar chamado canto escuro. 

Incrível como meu blog, que me ajudava a jogar meus pensamentos, protestos, aspirações, sentimentos  a esmo e de repente acertar algum lugar, ou alguém, hoje existe apenas como uma colcha de retalhos e me faz sentir novamente perfumes, rever lugares distantes, onde estive ou quis estar. 
Me resta apenas buscar forças no vazio da minha alma, na tentativa de reavivar meu espírito tão fraco e franzino, um último esforço, um último respirar. 

Quem sabe eu ache forças para finalmente, recomeçar?! Me debato.