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Terça-feira, Fevereiro 9

Delicada audição

Retorno às aulas, e uma noite onde rostos já vistos, porém pouco distintos, preenchiam aquela sala, que para todos  era novidade por ser visivelmente menor que a anterior… Mas, que não passava de mais uma sala branca, com uma lousa, cujo quadro de avisos pendurado na parede espera ter utilidade. E, no canto próximo a porta, uma lixeira de médio porte, forrada com um saco plástico preto, aguarda também ser usada… Quem sabe alguns papéis de balas ou chocolates, já que ninguém trouxe cadernos…

Aqueles rostos fazem parte de outros conjuntos, com histórias singulares, interessantes ou não, e sentidos. E, dentre eles a “delicada audição”, que se readapta aos poucos ao bombardeio de informações que retumbam junto a acústica nada agradável, onde pode-se ver o som ir até o fundo da sala, bater na janela metálica e retornar para a porta com um espaço de vidro para olhar através, tudo é sentido como um soco no estômago. Ainda assim, não dói.

E os jornais velhos, trazidos pela professora que veste verde e empolgada depois das férias, doida por produzir jóias, talvez, cujo brilho no olhar até pode ser contagiante… Porém, não deve se iludir, será melhor esperar que a festa profana extravase os resquícios de sonhos não realizados no fim do ano passado. Certamente, haverá mais energia após o carnaval, agora no entanto, a produção de “pérolas” somente como as do Enem, é mais seguro.

Eis, um festival.

Nada pessoal, é só a minha delicada audição, que se encolhe desesperada após ouvir uma leitura “adivinhada”… E o tempo não finda aquele parágrafo interminável e torturante de se ouvir.

Já no laboratório mais uma pérola contraída para o “anais” deste espaço, não, não há como descrevê-la fielmente, mas um andar desajeitado, cujo “boa noite pessoal” meio forçado, segue por uma solicitação de “divulgação”. .. Tem coisas que não se aprende na escola ou faculdade e antipatia é uma delas.

Então, no retorno depois dos quinze minutos de intervalo, após alguns lances de escada, a professora perdida pelo corredor é “conduzida” àquela sala branca, que agora tem seu número notado, 507, que agora apresenta respingos literais de cores pelos cantos, são só quatro alunos, um amarelo na primeira fila, outro vermelho do outro lado da sala, colado tem um verde, e ao fundo um vermelho meio sério, quase pendendo para o vinho.

Algumas frases soltas ao vento frio do ar condicionado, resultam em frágeis estímulos intelectuais, que sugerem as diferenças… e uma sensação boa de “ouvir”.

Como descongelar o corpo e sentir aos poucos o sangue correr nas veias.

A professora agora é gente, tem história e a cada degrau de sua escalada faz um filme da própria vida para os meros expectadores… Um de cada vez, e quando nos damos conta há mais cores na sala, e mais gente. E tudo foi percebido por meio da audição delicada, ora agredida, ora afagada.

Domingo, Fevereiro 7

Infrutífera

Nunca começo um post, texto ou redação pelo título, contudo é exatamente assim que me sinto nesses últimos dias.

Estava tão ansiosa por festas, saídas ou sei lá o que, que criei expectativas muito fortes, que resultaram em desastres completos. Meu fim de semana foi chato, frustrante e deixei desencadear em mim o que há tempos não acontecia, uma explosão de raiva.

 4699emo-messbrasil (salvo os momentos únicos que pude usufruir, mas é que os ruins foram marcantes… tamanha a quantidade de controle físico e mental que tive que exercitar, e um a zero para raiva).

Se analisado pelo lado otimista da “coisa” isso é bom, estou de volta à todo vapor. Entretanto, minha preocupação e consequente decepção maior ainda, é que acreditei que essa minha raiva incontrolável já estava dominada e tratava-se de mais uma página virada em minha personalidade. Estava redondamente enganada. 

Pior ainda é ter ciência disso agora com o reinício das aulas.

Amanhã será o primeiro dia do curso de roteirista e retomada das aulas na faculdade também. O primeiro dia é sempre o pior de todos (sempre foi assim comigo), mesmo assim nunca evito de comparecer. Deixar de fazê-lo é como dar minha razão à alguém, gratuitamente. Isso me desarma e dificilmente ando desarmada .

Então lá estarei eu, pontualmente.

Mas, voltando a origem do título deste post, é exatamente o que me tirou o sono ou incitou meus pesadelos mais complexos nesse período turbulento de férias, crises de falta de criatividade. Não é à toa que alguns posts não contribuíram em nada para você ou pra mim. Não me arrependo de tê-los escrito, porém, sou consciente que realmente foram bem pobres. Mas, o que me motivou de certa forma é dizer que também tive muitas dessas ausências criativas.

E, culpo de fato ter me deixado escravizar pela tecnologia. Tudo bem, sei que não é desculpa. Também não é para minha letra manuscrita ter ficado tão feia por falta de uso. Entretanto, deixei de anotar muitas coisas que observei e que poderiam render ótimas discussões e posts criativos, no entanto, não o fiz por não estar com o notebook, como faço no período letivo. Faço minha mea culpa.

Não deixe de anotar nada, ou você pode perder as suas melhores idéias. Depois não adianta fazer cara feia.Todavia as anotações são imprescindíveis para apreender todas as idéias que surgem de apenas uma deixa, por exemplo, é lógico que se perdem porque nem todas são inseridas no contexto no momento da criação, mas é de uma importância quase imensurável mantê-las vivas, mesmo que seja num guardanapo de papel de uma mesa de bar, que ficou esquecido na gaveta do lado direito da cômoda...

Acho que podemos combater o bloqueio criativo nos antecipando ao seu surgimento, não é?

Apesar de infrutífera hoje, deu até para dar uma dica do que não se pode fazer daqui pra frente.

Quarta-feira, Fevereiro 3

Penúria minha

  Não lembro bem quando, mas foi recente. Um servidor conversava com sua colega na sala ao lado da Assessoria onde estagio. Não sei do que falavam, estava atenta as fotos que deveria diagramar para o jornalzinho interno. Porém, antes de sair ele disse: “A gente vai ficando mais velho e amolece”. As colegas concordaram e logicamente levaram para o lado mais malicioso que conhecem. No entanto, refleti... Viajei dali, num mergulho vertiginoso no mundinho só meu...

Lembrei que alguém a quem tenho uma apresso enorme, ter reclamado comigo por estar um tanto desligado de algumas notícias e ter lido assuntos relevantes, num jornaleco desses...

Que decadência! – Ele exclamou.

P1070706Então, divaguei nos meus textos que ultimamente não têm profundidade alguma...Mas, foi uma exigência de você leitor. Que também não quis mais que eu falasse de mim.

Tudo bem, não se pode agradar sempre. E me sinto pobre ultimamente, mais que em outras circunstâncias.

Isso tem a ver com “amolecer” que o colega citou. Antes era mais fácil ser ácida, agora penso duas vezes mais antes de apontar meu indicador.

“Será que perdi minha identidade?”

“Envelhecer fez com que eu perdesse minha melhor virtude?”

“Talvez meu empobrecimento intelectual tenha a ver com outras vertentes da minha vida?”

Quando era mais nova, bem mais nova, vivia numa bolha cor de rosa (detesto rosa) mas isso foi o que minha melhor amiga me disse na época, quando brigávamos por uma volta a mais nos meus patins... Muita coisa aconteceu comigo depois daquilo. Contudo nunca esqueci. Porque nunca quis viver numa bolha, quanto mais rosa.

Mas me sinto mais pobre do que nunca, intelectualmente falando. Logo esse ano que isso não poderia acontecer comigo... Lamúrias à parte, por onde quer que eu vá, o que quer que eu leio parece que já vi antes, não tem nada de original, nada autêntico. E os meus textos têm sido muito pior que ruins. “As melhores frases não fui eu quem disse”. Ok, não serei mais patética que isso, me sinto assim desde o quarto semestre, todavia se agravou nas férias. E olha que li mais livros do que costumo ler durante o período letivo.

P1070831 Os autores foram repetitivos, mesmo os mais conceituados.

Me aliei a uma liga de outros autores independentes...e o que eles dizem não é mais que um resumo deles mesmos.

Talvez eu busque respostas prontas que não existem, porque a visão que eu tenho do mundo já está turva demais. Não é que eu esteja descontente. Mas minhas teorias foram desconstruídas, meus pontos fracos expostos e não posso mais apontar para o norte e dizer que tá tudo ali, também não posso fugir para o sul. E meu pólos desorientados ficaram surdos, e hoje também eu escuto o silêncio. E isso tudo teve a ver com amolecer.

Terça-feira, Fevereiro 2

Canalize suas energias para produzir

(De volta  à funcionalidade para compensar a falta de conteúdo de ontem, ok?)

Revista Continuum do Itaú Cultural deadline.jpg Sei que você tem uma vontade enorme de falar aos quatro ventos. Que tal canalizar esta energia toda, para algo mais produtivo e começar o ano com a mente ocupada com algo realmente interessante, com maior visibilidade e que te renda bons frutos?

Seja repórter “Deadline” da Revista Continuum de circulação nacional.

Tudo que você precisa fazer é desenvolver um projeto de reportagem de até  1.400 caracteres ou seja, uma lauda e encaminhar para a seção Deadline (de reportagens) ou ficar bem à vontade para mostrar seus talentos  na seção Área Livre, para trabalhos artísticos como fotos, poemas, ilustrações, música, pequenos contos e outras formas de arte, textos mais reflexivos também têm espaço, como os pequenos artigos.

Os projetos selecionados serão publicados na edição impressa nº 25, meses março-abril de 2010 e/ou na versão On-line.

Todos os trabalhos deverão abordar o tema: A ARTE E A VIDA, assim ficou fácil, né?!

Ah! Já ia esquecendo de dizer, o projeto selecionado também receberá a quantia de R$300,00.

Clique aqui para acessar a página do Itaú Cultural

Público alvo da seção Deadline:

Somente para estudantes universitários de todo o território nacional. Não importa o curso que esteja matriculado, desde que seja na graduação.

Prazo para envio do projeto de reportagem:

Encerram dia 08 de fevereiro de 2010, na próxima segunda-feira então, não perca tempo!

Forma de envio do projeto: Pelo e-mail participecintinuum@itaucultural.org.br.

Inscrição é gratuita.

Mais informações sobre prazos, regulamento, convocatória e ficha de inscrição, clique aqui.

Segunda-feira, Fevereiro 1

Não diga que não falei da segunda

bored O que dizer de uma segunda-feira… Bem, acordei morrendo de preguiça, resultado de ter ido dormir tarde. E, também tinha que ir ao banco, um bom motivo para não querer sair da cama. Contudo, prefiro culpar a segunda-feira (síndrome do Garfield).

Convenci meu pai, não sei como… de  que iria amanhã. Sei lá tenho uma teoria (que lidera todas as minhas outras teorias, até as que ainda não desenvolvi) que quando fazemos algo insuportavelmente chato na segunda-feira, o fazemos toda a semana. Então, se você detesta ir às compras, não vá na segunda. Se não quer ir ao médico, definitivamente segunda-feira não é o dia certo, se não te faz bem a idéia de dieta, nada de segunda. Enfim…

De tarde foi melhor. Meu dia hoje foi produtivo, apesar de estar extremamente delicada, é isso acontece comigo às vezes. E acredite, hoje eu não me estressei nenhuma vez.

Post merecido!

xxx

PS – Sei que você achou isso um saco! Pior ainda aquela sensação de ter perdido seu precioso tempo lendo o que não te acrescentou nada não te sai da cabeça… Tudo tem uma explicação lógica, “console-se em saber que nada de muito emocionante aconteceu comigo também”, rsrsrs, desculpe não consigo ser menos má.g_ani

xxx

Agora falando sério, tive um sonho estranho. O pior é que acordei sem entendê-lo, a noite parte dos diálogos aconteceram, fiquei sem reação, porque lembrei do sonho, calma, não foi um simples dèja vú, sei a diferença… Fazia tempo que isso não acontecia. Pra falar a verdade achei que tivesse perdido “a magia” depois que me tornei cética demais. Agora não sei como lidar. Legal, né? Um sinal de que as mudanças ainda estão acontecendo.

Domingo, Janeiro 31

Dominicus

Trabalhar no domingo? Nãããããão.
Não lembro a que horas fui dormir, mas me antecipei ao relógio. Nove horas eu tinha ajustado… Mas deu uma preguiiiiiiiiça! Só mais alguns minutos e estava tão gostoso na cama.
Ainda pensando se valeria a pena ou não sair do ninho…
Mas, palavra é palavra e não preciso que ninguém me diga o que é compromisso… Algo como “sangue e honra”, a palavra é assim para mim, só não saio mesmo se não tiver saúde e, ainda tenho que aguentar uns tipos babacas que ficam zangados comigo quando adoeço, ah! quer saber vão se danar.
Voltando ao lance da palavra, fiz compromisso então fui…trabalhar como fiscal num concurso, em pleno domingo, numa escola (onde estive antes trabalhando também na Ação Global) não sei o bairro, mas tem uma pracinha bacana... E lá estava eu, uniformizada querendo que o chão me engolisse, como sempre, porque todo terreno inexplorado me provoca medo, mas medo também serve como combustível.
Fui indicada por um amigo que fez parecer fácil, a chefe de sala não chegou na hora e fiquei bastante apavorada, não teve orientações sobre como fazer… Engraçado falar isso, porque no sábado eu fui na reunião, naquela ocasião imaginei que fosse pra ver qual era, não sabia se seria mais uma furada dessas que aparecem no meu caminho. Ficou um clima estranho, mas não quero falar sobre isso. Pra encurtar a história, apareceu um monte de gente para me ajudar e descobri que tem muita gente bacana por aí, que sabem trabalhar em equipe.
Aliás “equipe” fazia um tempo que não via isso, é sempre “cada um por si”. Mas foi legal, me vi perdida no tempo que para mim passava rápido até, diferente dos candidatos concentrados e cientes que não sabiam muita coisa. Sei que é maldade minha, mas não posso evitar, eu leio os corpos o tempo todo. E tinha quem coçasse a cabeça e alisasse o papel como se pedisse “por favor! se resolva em meu lugar” ou quem sabe até “me dê uma luz”.
Não me divirto com a aflição alheia, só destaquei o que vi.
E naquela sala de aula, toda riscada com caneta bic, nas paredes, carteiras também, nomes de alunos e outras bobagens, vi na parede ao fundo em letras garrafais: “Helen 100% nerd”. Achei engraçado, coincidentemente tinha uma “Helen naquela sala… Bom, quanto ao adjetivo que deram a ela, deixa para lá.
E viajei no meu olhar pela porta de novo, enquanto cuidava o horário como fazia parte da minha função… O dia ficar cinza, e um vento agradável que tocava meu rosto, estava tão quente lá… De repente, uma chuva fina começou e logo em seguida apareceu o sol, Tudo em 3 horas e meia. Legal, né?! Um único dia, que foi vários.
Quanto aos candidatos, enquanto eu conferia seus dados, documentos e lugares marcados, os observava. Descobri que adultos são teimosos e chatos, não que eu não soubesse disso antes, mesmo em casa fui alertada para ser paciente, (não sei porque mas tenho fama de brigona).
Voltando aos chatos: Por que complicar?
Então uma coroa, com roupinha de “mocinha” chegou com uma bolsa pequena bege, com alça atravessada no peito, na outra mão uma garrafa com “uma água meio marrom” rsrsrs. E alguns doces e barras de cereais. Ela disse que queria comer… Aff! Até que foi engraçado.E comeu o tempo todo da prova e nos raros momentos em que comentei algo com a minha colega de trabalho, falei que ela seria a última a sair da sala, que talvez desse problema. Estava certa quanto a ser a última.
Como procedimento padrão, o candidato deveria depositar numa sacola plástica com lacre todos os seus objetos metálicos, celular e documentos que não fosse usar, já que para a prova era obrigatório somente o RG e a caneta esferográfica de tinta preta.
Tinha um cara, (dos 15 candidatos da sala, somente 3 eram homens, achei necessário comentar isso). Como eu havia dito,o cara tinha duas canetas e as instruções eram claras, somente caneta preta para o preenchimento do cartão resposta. No fim, quando o cara entregou a prova, tinha feito tudo de caneta azul. Alguém pode me explicar por que cargas d’água aquele estrupício fez isso?
Ah! Tá, vai dizer que foi falta de comunicação e ninguém o alertou?!
Nada disso, a Chefe de sala avisou antes da prova iniciar. E no caderno do candidato também tinha um aviso.
Tem um nome para isso: “PORTA!!!”.
Ah! Esqueci de dizer que a porta da sala não tinha maçaneta, e quando um dos meninos foi nos ajudar, ficamos trancados.
Pho da SE.
Não perdi o bom humor, só não achei engraçado. ¬¬
Tiveram que pular a janela e tals… Mas o pior não é isso. Quando fiquei sozinha na sala, antes dos candidatos entrarem, tive que esconder a faca que serviu de maçaneta, rsrsrs afinal de contas o que eles pensariam de uma fiscal com uma faca sobre a mesa?
Ahahahaha, Desculpe não resisti.
Mas, a experiência foi legal, apesar das decepções. Sempre espero demais das pessoas, a culpa é minha, sou eu quem não aprende que nem todo mundo tem discernimento para algumas coisas. Agora tanto faz.
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Já em casa, fiz um monte de coisas legal, agradáveis. ..
Uma delas foi lavar minha alma velha…na chuva.


(PS- Um dos responsáveis pela escala do pessoal, foi meu colega em 1998 e me reconheceu, fiquei com vergonha porque não o tinha feito também, apesar de achar sua fisionomia familiar. Ele lembrou até da cor dos meus cabelos na época. Engraçado, sempre achei que eu fosso invisível).

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