"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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sexta-feira, julho 25

O homem estigmatizado

O homem perfeito é aquele de apenas uma noite, cujo amor fingiu receber e dar. Porque somente por uma vez não lhe será negado nada. Aquele a quem não se beija o rosto, o pescoço, os olhos depois do ápice...

O homem perfeito banha-se admirado pela mulher a quem provocou algumas sinapses momentos antes. Se preocupa ainda em manter a atenção dela, e em saciar sua cede...

O homem perfeito não fala de seu passado, traz no olhar uma profundidade única, cheia de seus mistérios, que não devem, nem precisam ser desvendados. Ele é o que ninguém vê. É mais do que veste, faz ou possui, é apenas sentimento. E o que reverbera, lhe pertence. 

O homem perfeito não telefona no dia seguinte, para não arruinar as lembranças de um bom momento, com as trivialidades de uma relação à dois. Pois, a maioria das pessoas são como a arte do célebre pintor francês impressionista, Claude Monet, de longe exprimem toda sua magnitude, contudo, bem de perto, são apenas borrões. 

sábado, outubro 27

No pretérito imperfeito do indicativo


Eu gostava de quando você completava minhas frases, não era adivinhação, era apenas seus pensamentos em sintonia comigo.

Gostava quando chovia e você dizia que era o melhor momento de ficarmos juntos, como as gotas que tocam o solo.

Eu gostava de quando me telefonava minutos depois de nos despedirmos, para dizer que meu gosto ainda estava em teus lábios.

Gostava de quando você cobrava o que eu não havia prometido.
Eu gostava da sua sensibilidade e do jeito como assistia ao mundo.

Gostava de adormecer em teus braços e despertar ao som de "Bandolins".
Eu gostava de te ver trabalhando, da tua entrega e ver o brilho em teus olhos, que um dia desapareceu.

Gostava de te ver no banho e da tua insistência para quase tudo.
Eu gostava do sexo à noite e de fazer amor pela manhã.

Gostava das nossas discussões acaloradas e de como consertávamos as coisas.
Eu gostava do respeito e admiração de antes e não da aversão de agora.

Gostava muito mais de como era.
Eu gostava de amar você.

quarta-feira, julho 4

Minhas desistências

Venho várias vezes aqui. 
Leio, escrevo, apago.
Leio de novo...


Em outros momentos só sinto saudades.
Então, choro e me despeço das muitas que fui, enquanto construía pensamentos, sentimentos e ideias.

Tudo muito intenso.
Muitas dessas vezes desisti.
Cheguei e parti.
E, hoje, parto novamente.

segunda-feira, maio 21

De vítima a algoz


Se tornar alguém que você mais odeia não é algo que você idealiza, simplesmente acontece.
Alguns sentimentos que não são propriamente assimilados fazem com que seu comportamento seja exatamente como aquele que o ofendeu, magoou e fez um rombo enorme na sua compreensão de certo e errado. “O homem é produto do meio” - Parece mais uma explicação plausível num contexto muito abrangente. Fácil de admitir se tentar simplificar tudo.

Divago muitas vezes em meus textos, mas o alicerce é sempre de coisas que percebi e analisei, raramente falo de sentimentos totalmente meus. Este é quase uma confissão.
Quase, porque creio que a partir do momento que tenha que ocultar tantos fatores importantes se torne uma história onde possa observar outros pontos de vistas que divirjam do meu...

Enfim, atualmente acredito que as histórias dos relacionamentos têm o tal começo, meio e fim. As finalizações não necessariamente precisam ser rompimentos desastrosos, cheios de mágoas, com todos os sinônimos ofensivos que conseguir lembrar e o que não for possível recordar que existam, sejam criados na hora. Mas, não pensei sempre assim...

Houve um tempo em que pensei ter acumulado fracassos ou passatempos para algo maior, que julgava não haver soluções. O tempo passou e me provou o contrário, sempre existe a tal solução, apenas não é como gostaríamos.

Tive uma história, escrita a quatro mãos, não a desenvolvi sozinha, era noite e chovia. E, foi assim muitas noites depois. Ponte e vírgula nos separavam e depois houve um abandono, ninguém mais quis escrever daquele jeito e as páginas ficaram amareladas pelo abandono...

Não sei ao certo quando foram retomadas, mas isso aconteceu e novamente páginas jogadas ao vento, para não lembrar que um dia a história teve começo e este seria o fim, sem fim.  Apenas lágrimas de ódio, por ter faltado mais respeito e sobrado muito amor... Quem sabe?

Um dia pensei ter amado alguém, era um homem cheio de qualidades e desajustes, o que as pessoas chamam de defeitos, eu não era cega por ele, via os tais desajustes e eles me eram bem incômodos, o suficiente para abrir mão do que julgava ser amor.

Entretanto, não poderia muda-lo como fiz com os outros com os quais tive alguma história, se não deixaria de ama-lo. Melhor que permanecesse platônico, mas a coisa saiu do controle. E deter o controle era zona de conforto da qual já havia experimentado e não me era mais atraente. Me joguei do tal precipício... Na época imaginei que havia sido em vão. Mais um erro para minha coleção.
Tudo então mudou, principalmente a maneira com que via o mundo, os meus mundos e as personalidades esquizofrênicas que poderia assumir, agora haviam se resumido.

Decidi que não haveria de assumir relacionamentos e principalmente,  meus sentimentos por mais ninguém, jamais diria novamente:

_ Eu quero você para mim! – Ou coisa semelhante.
A onda agora seria curtição. E, foi o que me propus a fazer. Na primeira saída, a má vontade, umas biritas e do nada um anseio enorme de beijar na boca... Louca, louca, louca. Olha quem pareceu estar viva novamente?!

No dia seguinte...
- Que saco esse lance de dia seguinte! Não precisa ligar, ou pior ir até mim, não serei a mesma da noite anterior, não quero lembrar, foi coisa de momento e já passou.
Mas, não as pessoas tendem a se envolver e já me vacinaram sem que eu pedisse.  O resultado foi magoar quem não me devia nada.

Se disserem meu nome para ele hoje, talvez faça uma expressão facial muito parecida com a que fiz até uns meses atrás quando ouvia outro nome, o nome dele, daquele que supunha ter amado.

Hoje não me importo mais. Curei minhas feridas. Me perdoei e acho que ainda não amei, porque amor não dói. O que dói é estar vivo e a gente se acostuma.

Agora sim, minha história teve fim. Um final feliz porque sei o que fiz, o que me foi feito e de tudo que tirei proveito.
Me venci!

domingo, maio 6

A trama complexa da traição


Ninguém deseja ser traído em razão do sentimento universal de posse.  Imaginar o ser supostamente amado com outro alguém é como sentir que deixou de ser importante. E, no fundo todos querem ter a tão sonhada importância para alguém, como para si mesmo.

A hipótese de amor se adequa porque não se sabe ao certo a definição para tal sentimento. Amor se tornou sinônimo de anulação, submissão e renúncia ou coisas sofríveis e de uso prolongado.

Hipoteticamente o amor poderia se parecer com o DNA, apesar das teorias que se espalham e ganham rios de dinheiro para os que acreditam poder defini-lo e/ou identifica-lo, cada um imagina para si como melhor lhe convém, assim como a dor não pode ser medida, pois cada um tem seus próprios limites para suportá-la.

Esse raciocínio não é uma apologia à promiscuidade.
Por hora são estabelecidas regras de conduta, dentro da moralidade e do que a sociedade delineou por ser o certo.  Uma prática obviamente falida, assim como o casamento o é.
Ninguém pode se sentir sujo se não souber que foi enganado. Deste modo, a tal sujeira é psicológica.  Contudo, pensar em outra pessoa enquanto tem ao seu lado alguém com que divide sua rotina, não deixa de ser traição. Este talvez seja o mais doloroso sintoma e facilmente identificável, comumente ignorado. Como fechar os olhos e fingir desaparecer.

Os pensamentos não podem ser controlados, menos ainda, monitorados, estes às vezes perduram. A traição pela traição é solúvel, as complicações são inflamadas quando da ação se questiona com quem.  É quem promove a instabilidade utópica na relação que de fato incomoda não a ação propriamente dita.

Surgem os porquês e a necessidade de obter respostas. Inutilmente, já que não se sabe ao certo formular as verdadeiras perguntas.

Mas, a baboseira toda de traição e o conceito de sujeira física e psicológica são completamente desconstruídos a partir da visão por parte da única chance de experiência, afinal ninguém poderia saber como seria a materialização da pessoa perfeita no universo paralelo, em apenas 1h30min se não a experimentasse.

Esse seria o prazo máximo de duração. Depois as pessoas complicam tudo, porque a adrenalina e sentimento de liberdade são viciantes, naturalmente querer mais seria o próximo passo, o que não acontece. Havia uma hora, um lugar, uma pessoa, uma atmosfera propícia. Nada se repete. Nunca é igual, melhor, pior, nunca igual.

Apesar de todas as regras, o controle, as imposições, não evitam a tão temida traição.
Mas, evitar ou se privar de conhecer tais sentimentos desorganizadores também não seria uma forma de trair a si mesmo? Se condenar a morte ainda em vida?
Deveríamos viver de momentos, intensidades ao invés de nos deixarmos escravizar pelo tempo nessa trama complexa.

sexta-feira, junho 17

Modelo de diálogo

Ele diz:
Hey.
EU TE AMO!

Ela diz:
Amo você também, mesmo.
Vou até me casar contigo.

Ele diz
Posso te confessar uma coisa?

Ela diz
Pode.

Ele diz
Bem, eu já te disse que evoluímos e estamos sempre a evoluir. Disse que fico feliz por você fazer parte da minha história. Isso você já sabe. Não sei onde quero chegar exatamente, mas sei que o meu ponto de chegada será um ponto de partida. Acho que toda essa enrolação é pra dizer que te gosto! Não encontro palavras.

Ela diz
Oh, que lindo!
Também gosto muito, muito de ti, desde o início, né?!

Ele diz
Porra!! Tu é foda! As vezes eu fico tentando entender sabe, mas não dá!

Ela diz
O que tu ficas tentando entender?

Ele diz
Tantas coisas.

Ela diz
Eu também... e tenho me debatido tanto, pareço bicho arisco preso... Tô tentando mudar algumas coisas na minha vida... Não tô muito feliz. Mas, não sei se as mudanças irão mudar isso.

Ele diz
Penso da mesma forma. Tento mudar algumas coisas para estar feliz, mas não sei se as mudanças serão suficientes.

Ela diz
Pois é... Estamos crescendo eu acho... ou envelhecendo, secando por dentro, algo assim...

Ele diz
Acho que precisamos de novos ares. Novos rumos. Um novo horizonte. Novos por quês? Aff, que merda...

domingo, maio 8

As várias formas do “eu te amo”

Lú Cortezolli - Minha mãe!
  Engraçado como as palavras ganham formas com base nos sentimentos que as motivam, como por exemplo, você dizer que está feliz, quando teu olhar não brilha e os cantos da tua boca, não estão para cima... 

  Para quem tem capacidade mínima de se importar é visível que se trata de uma inverdade ou relativa confusão. O mesmo ocorre com outras palavras acompanhadas de outros conjuntos...

  O “eu te amo” também tem dessas coisas, eu te amo para amig@s, para os amores que trazem consigo a atração física, psicológica e sexual, o eu te amo de admiração, mas nada se compara ao eu te amo aos pais, às mães. A forma mais sublime de amar e ser amado. 
  
  Não me aterei aos episódios lamentáveis que ocorreram nos últimos tempos, sobre mães e filhos. 

Repenso o tempo todo, os sentimentos que tomam conta da minha vida, o “todo” desse tempo é mais constante, talvez por haver mais espaços agora.
Mas, para falar do que me motivou a escrever essas palavras, linhas, frases e sentimentos, foi o dia das mães, que apesar de não ser mãe e não desejar ser considero que são todos os dias.

Agradeci acho que o dia inteiro por ela estar comigo, depois dos sustos é natural que repensemos como seria difícil prosseguir sem ela, é claro que um dia isso irá acontecer, e obviamente as reações serão complicadas de lidar. Nunca se está preparado, não se quer que esse dia chegue, mas enfim... inevitável.

Enquanto isso celebramos a vida e as bênçãos que elas nos concede, de estar vivo de ter quem amamos por perto de sermos amados. E, falar do amor de mãe, da minha é algo que engasga.

Acho que por isso não publiquei ontem, ela estava perto e por mais que seja de felicidade, não gosto de vê-la chorar. Amo a risada dela, as bobagenzinhas que ela faz (acredite a língua do P, ainda rola lá em casa). Os olhos brilhantes. O gênio forte, o jeito vaidosa, elegante, dedicada, de se doar demais... e nem sempre faço por merecer. Dna Lucinha ou a Lú,  não fala “eu te amo” por nada, ela ouve e diz “idem” e sei o quanto esse idem vale.

Minha mãe é força, garra, determinação, persistência, dinamismo e meu ponto fraco!
Te amo, sempre.

quinta-feira, março 31

O amor …

O twitter além de uma ferramenta muito eficiente para a comunicação, também gera estímulos além de muitas bobagens divididas online, o foco desse início de postagem são justamente os estímulos.

Cheguei a mencionar bem no canto desse espaço onde fica um chat especial e rápido para quem não curte esperar pela caixa de comentários, que Thiago Soeiro, lançou um desafio. Não costumo correr de obstáculos, mas confesso que havia desistido de dividir minhas percepções sobre o assunto considerando minha falta de ou excesso de… bom, cada um interprete como melhor lhe convir.

Por outro lado, achei coerente postar aqui também, já falei de sexo… É uma questão de justiça me posicionar quanto ao amor também.

Na segunda-feira à noite o encontrei pessoalmente e ele me lembrou dessa “dívida”, morri de vergonha e me enchi de coragem para discorrer “meia dúzia” de asserções de um mundo só meu. Este texto foi escrito especialmente para o blog Amor Cafona, mas fique à vontade para critica-lo… Acho que minha permissão é desnecessária, né?

O amor por Hellen Cortezolli

Há tempos penso em como vejo o amor e seus significados

Imaginei que amor verdadeiro fosse somente aquele de pais para filhos, mas minha interpretação a respeito é ainda menos fantasiosa que o próprio amor lírico com o qual somos iludidos ainda crianças.

Se pensarmos nos motivos que levam alguém ficar com outro alguém, e dessa união resultar em fragmentos das duas personalidades consolidadas em outra, que supostamente levará consigo para o resto de sua vida genes, capazes de provocar lembranças de quem os gerou inicialmente, é um agente totalmente egoísta.

Surge dessa perspectiva mais uma teoria do caos ou pior ainda, essa maneira distorcida de ver o mundo. Cujas informações são transportadas por minha retina descrente estimulada pelo hábito de duvidar de tudo, até meu cérebro cético, e logo em seguida se encarregar de distribuir pela corrente sanguínea e poros, expondo a contragosto minha fórmula exata do abstrato e remete novamente a nada mais que o “eu”.

Partindo desse pressuposto, o amor pode vir a ser os próprios valores multiplicados por algumas vezes mais e refletidos no suposto ser amado. Contudo, onde ficariam as justificativas palpáveis da atração entre os opostos? Talvez pudessem ser encaixados no que falta para o “eu” inicial, assim agiria como compensação na ausência de valores, que o hipotético ser amado teria em excesso. Deste modo, os tímidos amariam os extrovertidos, os bonitos amariam os feios e nessa ordem para pior (ou melhor, dependendo do contexto inversamente proporcional).

Ainda assim, o que seria amor numa concepção particular? A realização dos pais nos filhos, o orgulho dos filhos pelos pais e vice versa, a dedicação total ao trabalho, ou a satisfação pessoal? O homem mais bonito, inteligente, atraente e charmoso? A mulher mais feminina, educada, elegante e sensual?

Que se dane, poderei eu uma simples mortal do auge da minha ignorância simplesmente e “egoisticamente” assumir que o amor romântico não existe, salvo o amor próprio, este sim talvez seja capaz de relevar nossos passos em direção a autosabotagem, quando acreditamos amar alguém e que não somos merecedores desse alguém.

Quando o homem perfeito tem todas as imperfeições possíveis e imagináveis, sendo dessa forma imperdoável qualquer falha que nos faça sentir menos que lixo. Quando qualquer outra mulher, feia, gorda, magra, linda, alta, baixa ou sei lá o que for, seja capaz de leva-lo embora num estalar de dedos ou com a frase mais estúpida já formulada, então não nos amamos verdadeiramente, se tememos a concorrência.

Amor quem sabe seja morrer de tanto chorar porque algo saiu errado, porque a frase tão esperada não foi dita, porque o olhar mais desejado não foi para você, quando os pensamentos mais incríveis não tiveram na lembrança traços do seu rosto. Pode ser que esse seja o amor romântico que muitas esperam encontrar, às avessas obviamente.

Então, amor verdadeiro é aquele que me impulsiona a admitir que não sou capaz de amar mais ninguém além de mim. Porque me amo demais para esperar de alguém que não me prometeu nada, corresponda as minhas expectativas, que jamais irão nivelar por baixo, ser razoáveis ou beirar a normalidade, pois deste modo, esta não seria eu.

Pondero sobre o amor, ele hipoteticamente te faz acordar pensando no ser amado, dormir desejando que algo partisse dele naturalmente e fosse direcionado apenas a você. Que os planos de futuro tivessem você, mesmo que na lembrança como a maior frustração da vida dele... Seja ele acometido de dores intoleráveis de saudades e que estas por sua vez, o matem pouco a pouco.

Amor é algo impossível, que faz o tempo parar ou acelerar, e quando você acordar não haverá ninguém lá. Porque na verdade o suposto ser amado só deu formas para um desejo unilateral, de ter suas ilusões materializadas em alguém que nunca te prometeu nada. Isso é o amor romântico, desromantizado em poucos atos.

Amor verdadeiro é aquele que você se permite sentir, sofrer, se doar, sorrir, sonhar, mas não diga que não quer nada em troca, de fato quer ver tudo se multiplicar.

Não se permita mentir a si mesmo, amor... porque no final tudo é sobre você.

domingo, fevereiro 6

Diagnóstico

Análise do mal necessário


Uma relação totalmente platônica, sustentada pelo não-dito.
Todas as ações incompletas...
Insegurança de ambas as partes, por ser um sentimento paradoxal.
Ora o amor, ora o ódio.
E, por mais que ele exitasse em entrar, ela deixaria sempre a porta aberta.
Como tudo o que  há entre os dois... pela metade, até o que os separa está pela metade.
Não é um ponto final, não são reticências... 
É um mero ponto e vírgula!

Por Lara Utzig

segunda-feira, janeiro 24

Princesas do século XXI… não querem ser salvas

  Há dias adio... Oh, ódio...   de minha mais pura petulância em acreditar que sou vítima do tempo e ainda assim o procuro de maneira insensata... tentando alcançá-lo. 

  Enfim... assisti na semana passada a mais um conto de fadas da Disney, com aquela cantoria que lhe é peculiar, contudo, me fez refletir profundamente, quando foi que perdi minhas ilusões e dei lugar a minha armadura... Acho que foi aos 14 anos... e lá se vai tanto tempo...

 Bom, mas o mergulho na minha fraca e rasa compreensão de doces ilusões (ou não tão doces assim), do que de fato seja o amor e suas ramificações... Fez com que me afogasse um pouco nas quimeras dessa vez recontadas de uma forma um pouco menos sedutora e não menos fascinante, baseada no clássico dos irmãos Grimm, Rapunzel ou agora, Enrolados… 
 
Contudo, não lembro bem das outras “roupagens”, mas as que a infância nos mete goela a baixo é que todas as princesas devem ser perfeitas, delicadas, inteligentes de uma forma que não ofusque o brilho de seus respectivos príncipes, obedientes à seus pais, de postura invejável e sempre prestes a serem salvas.
Enrolados 
Rapunzel é diferente... ela bate, se defende. Ao contrário dos contos de fadas convencionais, ele não é filho de um cara babaca, ultra, mega, rico, que se gaba de suas posses. Se apaixona por um carinha com cara de safado (como todo a mulher gosta) de barbicha e cabelo bagunçado.
Seu príncipe é ladrão, cara de pau, e inicialmente seu charme nem funciona com ela... e Rapunzel simplesmente o quer para o fim determinado... Desvendar o mistério das lanternas que surgem no céu na noite de seu aniversário.
 
Assim como deveria ser... (usá-lo ao bel prazer... rsrs). O engraçado na historinha é que ela é ingênua, pura, não conhece nada do mundo e ainda assim, está certa de que ele a corresponde, mesmo que as armadilhas que lhe foram preparadas no caminho pareçam provar exatamente o contrário.
 
A vida tão tecnológica nos fez robóticas, porque duvidamos de tudo, acreditamos que o amor romântico e monogâmico deixou de existir, ou pelo menos deixará em breve, para quem quiser uma leitura menos imaginativa e baseada em números que recheiam gráficos, pode-se dizer que as instituições estão falindo… ou por uma visão mais otimista, aquilo que obrigavam as pessoas a serem “infelizes” para sempre, desapareceu. E o para sempre é mais breve! 
 
As mulheres ou quiçá princesas de outrora, não querem ser salvas, alimentam suas ilusões de maneira mais racional, pelo menos algumas… Escolhem o macho que poderá lhe dar crias saudáveis, pelo cheiro, pela conta bancária, pelo tempo que disponibilizam para dar-lhes atenção…como descrito no Discovery Channel…Ou por uma noite basta, a fim de saciar seus anseios igualmente animais. 

 Voltando ao que motivou esse post, tão patético como tudo que se refere ao amor, seja ele, chato, errado, passional, unilateral ou simplesmente impossível, acredito até que os amores platônicos ainda são os melhores, porque não podem ser destruídos... O mais bonito não é ser amado (a), por mais que essa seja a justificativa para nossa covardia diante do que realmente achamos que precisamos, mas é pensar que o sentimento vale a pena se fazer sentir e não fazer sentido, mesmo que não seja valorizado como mereça. Algo para lembrar quando envelheçamos, para imaginar que o tempo que foi perdido, não foi só perdido…


Informações sobre o filme Enrolados
Com direção de Nathan Greno, a animação da Walt Disney Pictures tem 100 minutos de duração. ENROLADOS é uma comédia de animação musical com muita ação sobre uma menina
com mágicos cabelos dourados de mais de 21 metros de comprimento. Rapunzel, a princesa que foi raptada do castelo de seus pais quando bebê é mantida presa em uma torre e sonha com aventuras. Agora uma adolescente determinada e criativa, ela realiza uma fuga de arrepiar os cabelos com ajuda de um ousado bandido. Com o segredo de sua linhagem pesando na balança e seu captor em seu encalço, Rapunzel e seu amigo encontram aventura, emoção, humor e cabelos... muitos cabelos. Com música de Alan Menken, esta comédia reimaginada do clássico dos irmãos Grimm.


Informações sobre amor…
DSC01077Ah, vá sentir… pô! Não entendeu nada do que escrevi?!
Não tem receita não. As pessoas não estão dispostas a crer, não acreditam no que ouvem ou não merecem perceber… nem se permitem sentir. Gente burra!

quinta-feira, janeiro 13

Pancadas de chuva

Chuva forte que lava a alma e traz recordações

Meu corpo molhado, quente, sente frio

A pele arde febril e reage ao sentimento

Caio doente de saudades...

 

Porque a dor que trago no peito

Não é desespero, nem caridade

Nem amor ou desamor

É mais e melhor!

sexta-feira, dezembro 3

Aos pedaços…

Não posso mais me doar, não com tanto afinco.

Os trabalhos me consomem e já cansei de meus cacos espalhados por aí.

Sobram menos de mim, das várias que me compõe.

O caos é meu porto seguro e minha zona de conforto é o desconforto absoluto.

A nudez revelada, a minha falta de tato...

O meu desejo enorme agora grita, já não disfarço.

Pulsante, incorrigível, declarado e de novo sou refém da minha alma velha.

quarta-feira, agosto 18

Sob a chuva

Tenho um lance interessante com a chuva…

Já faz um tempo, quase um ano, ou talvez sempre esteve por aí, sem que eu procurasse, sem que me encontrasse, só por aí…

Algo como lavar ou elevar a alma. Quase romântico. Ontem tomei um banho contra minha vontade, mas talvez no fundo eu quisesse ficar ali, sob aquelas gostas fortes de água, a mergulhar minha alma velha e exigente.

sexta-feira, julho 30

Na sexta, opções

Depois de um dia de trabalho, é bom pensar nas possibilidades proporcionadas pelo simples fato de ser sexta-feira. Vejamos:

  1. Não importa o tamanho dos problemas, todos serão solucionados em tempo de ficar de cara boa;
  2. Nada de planejar;
  3. Deixe rolar;
  4. Use a roupa que sentir que está confortável e pronta para mudar de idéia se surgir uma oportunidade;
  5. Distribua sorrisos, afinal é sexta-feira, e só isso já vale encarar que está tudo lindo;
  6. Coma uma pizza bem gostosa e esteja em boa companhia (o boa é relativo, se sentir bem estando em má fica a seu critério);