"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

segunda-feira, abril 30

O fim da letargia

Uma daquelas conversas que rolam na madrugada, quando o silêncio nos faz companhia e ajuda a assimilar as piores teorias que possam nos perturbar.  Aquela frase singela do melhor amigo é uma ótima oportunidade para que seus horizontes ganhem outra interpretação, os polos do universo se abrem e você finalmente se encontra, se estiver a sua procura, claro.

“Ei, essa pausa tá longa demais” – foi dessa maneira que o meu amigo/confidente e também jornalista/blogueiro Elton Tavares definiu minha ausência do mundo das letras, pensamentos ácidos e cibercultura nos últimos quatro meses.

Esse meu sono profundo e apatia suspensa sobre os fatos que mais mexeram na minha rotina, não foram extremados para deixar meus leitores com gosto de quero mais.  Longe de mim tamanha pretensão.  Aliás, rotina é uma palavra em desuso no meu vocabulário atual. O motivo foi nada além da confusão generalizada em minhas ideias mais burlescas.

Não deixei de escrever, pelo contrário, só me contentei em mostrar para duas pessoas, as mais pacientes: Elton Tavares e Ewerton França. Amigos que me aturaram nesse tempo todo... e em outros tempos também.

Um dia cheguei a cogitar que se os fracassos fossem subsequentes eu largaria tudo para começar de outro ponto, sob uma nova ótica.  Foi o que fiz e isso não é novidade por aqui.

A mudança foi tão brusca a ponto daquela minha antiga definição de mim “de pertencer a lugar algum e ser de todos os lugares” estar tão atual... E não saiu como imaginei, nada seguiu meu plano infalível. 
Acreditei em muita coisa e duvidei de tudo, com mais força do que anteriormente, inclusive dos meus potenciais. Como canalizá-los? A que me dedicar?

É como ser escrava de uma situação e quando liberta não saber o que fazer com as novidades. Resolvi ser outras pessoas, ou tantas quantas fosse possível.
Comédia, pura e sem graça!

Mas, aprendi que:
*  Não se pode ter um novo amor sem resolver paixões mal resolvidas, elas agem como monstros do armário prontos para te devorar no próximo sonho. E talvez você venha a ser igual ao seu pior inimigo.

* Adaptação nunca é simples, mas na simplicidade você pode começar a admirar sem tentar influenciar em nada a forma com que algumas pessoas veem o mundo. Talvez o mundo delas seja muito mais bonito que o seu. Então, deixe como está.

* Faça tudo que tem medo de fazer, isso inclui perder o charme característico de sua personalidade em um porre épico. Porque ninguém tem nada com isso mesmo e você não pode morrer sem antes saber como é uma amnesia alcoólica.

* Encha a bola de um cara que acabou de conhecer, fique com ele se tiver vontade, faça-o acreditar que você seria capaz de se apaixonar só por causa do timbre da voz, mesmo que não seja verdade. É lindo o brilho nos olhos dele e o poder ainda é seu.

* Ouça músicas que você detesta, as pessoas se divertem mais. O rock and roll nunca vai abandonar sua alma confusa, ele sempre será seu porto seguro, quem você realmente é. Não importa qual a sua condução (carro, moto ou cavalo), você sempre será do rock, bebê!

* Dance, dance, dance muito, divirta-se como nunca, talvez não haja uma segunda vez.

* Faça um piquenique daqueles que você só viu em ensaios fotográficos de revistas... Escolha um dia em que o clima ainda estiver bom, depois que chega o inverno não é tão divertido assim.

* Registre tudo, mesmo que seja impossível de mostrar para alguém.

* E, finalmente, mesmo que não haja ninguém para ocupar o seu coração, ou aqueles pensamentos acompanhados de boa música até às 6h da manhã, o importante é sentir que ainda é capaz de amar. Mesmo que o seu jeito seja assim, meio torto, porra louca, complicado, explosivo... Porque segundo o seu melhor amigo/psicólogo: “você cria uma situação difícil, deleta a solução da sua criação e fica deprê”...Esta sou eu, mas poderia ser você também. Rs rs