"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

segunda-feira, abril 2

Pegada

Quando falamos em pegada, a mente costuma associar de imediato a vestígios de pés, ou aquela marca de calçados masculinos, que leva o mesmo nome propositalmente.

Contudo, a pegada a qual me refiro, ganhou com o tempo outra conotação.
As conversas mais íntimas entre mulheres dos diversos níveis sociais e culturais, geralmente se deixam aprofundar quando o papo é esse. Nessas horas até as mais comportadas comentam suas preferências e o conceito é unânime...

O fato é que um homem com pegada deixa sua marca, e não se trata de um cara grosso ou violento, do estilo das cavernas que pega pelos cabelos... O que tem pegada é sutil, mas firme, ele não pergunta, lê as entrelinhas e se manifesta, sem ser rude.


Não é arrogante com a mulher, não importa como geralmente se comporta socialmente, entre quatro paredes, não pretende conquistar território contando o valor que pagou pelos imóveis, carros, roupas ou objetos que adquiriu ao longo da carreira. Esse papo broxante é para os fracos.

O que tem pegada beija sem morder, mas se predispõe a ser mordido. É presa com jeito de caçador. Perfumado, mas que mantém o cheiro másculo. Ele não só sua, como faz suar.
Envolve o pescoço feminino com as mãos grandes como quem as une para segurar água, toca a nuca, com as mãos e os lábios como quem pretende mais que o próprio gozo. Puxa para perto e solta... Espera que a mulher queira mais do que ele tem a oferecer.

Homem com pegada chega junto, não manda recado, nem pede pra ninguém fazer os lados. Fala pouco, o bastante, diria até o suficiente.

E jamais pergunta se pode. Mulheres inteligentes não gostam de perguntas, tudo tem o seu momento.
Homem que tem pegada sabe o que quer, quando quer.
Esse tipo é viciante. Apenas uma dose e já é possível sentir o gosto da abstinência.

Talvez todos os homens sejam capazes de ter pegada, o problema é que não é com todas as mulheres.  Pior ainda, eles não sabem disso.