"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

terça-feira, dezembro 15

Par - tida

P1050999  Ela se atreveu olhar pela janela…

  Viu coisas que nunca tinha visto e sentiu…

  Emoções e sensações nunca antes vividas,

  Que fizeram com que a felicidade lhe tomasse o corpo,

  Envolvesse alma e lhe fizesse promessas…

Ela creu em todas!

Hoje não há nem o esboço da mulher que um dia ela foi…

E ela, apenas se foi!

segunda-feira, dezembro 14

Quando os passos não tocam o chão II

E era um dia, e não era um qualquer…

Mas com certeza haviam pássaros,

E não era preciso que fosse a cotovia…

E o peito não dói mais,

Mas, guarda algo que não cabe mais lá…

Seria mais e foram alguns…

Momentos…

É possível sim, tocar as nuvens!

domingo, dezembro 13

Reflita se puder…

Se surpreendeu pensando em Shakespeare,
Nos versos que quando menina sonhava ouvir,

Idealizou um vestido...
E um homem bonito,
Pra quem pudesse se despir,

E lembrou que era fria,
Lembrou do que temia...

E, que havia morrido muitas vezes...
Esqueceu porque morria,

Esqueceu de todos eles!

sábado, dezembro 12

Quando os passos não tocam o chão

O sol deve estar com vergonha...de todo o mal que ele faz, pena só ele ter consciência às vezes.   Saí para caminhar... Ainda sinto meu peito doer, estou tão cansada.

  O vento está bom, toca meu rosto de leve. Adoro dias cinza, me faz lembrar de casa.

  Quis ficar um pouco sozinha, pensando... 

  Acho que o sol ficou com vergonha. Ainda bem, não gosto dele... Incomoda.

  Não sinto como se estivesse caminhando, mal toco o chão... Será que morri e não sei. Se a morte for assim, então tudo bem.

  Muita gente, nenhum rosto.   Talvez eu procure algum, mas não quero ser vista, não quero ter nenhum.

  Cansada, sem ar... Talvez eu volte para casa. Quem sabe eu sente aqui na calçada e espere a dor passar? E se ela não passar?

sexta-feira, dezembro 11

Um soneto para Vanda

   Vanda vivia sozinha num apartamento no sexto andar. Tinha vinte e poucos anos. Havia se mudado não fazia nem um mês.
   Gostava de todas as cores, desde que todas elas fossem “pretas”.
   Era pálida, com um semblante de morta.
   Os vizinhos desconheciam Vanda, mas gostavam de admirá-la. Ela chegava do trabalho, ascendia as luzes, limpava todos os cantos, uma sala pequena com dois ambientes, bem em frente à janela.
   Na primeira porta a direita o quarto, com cama de casal e um guarda-roupa, uma TV e um aparelho de som. Na porta a esquerda a cozinha que dava acesso a uma varanda pequena.
   Daquela altura dava para ver parte da cidade, e a noite só eram as luzes...
   Lá embaixo tinha uma casa grande, com piscina. E a observavam de lá. Vanda se debruçava no parapeito, já que não tinha sacada. Olhava por horas para o nada, sonhava, sonhava. Quando se dava conta, olhava para baixo e quando avistava olhares curiosos, sumia.
   Não estava tão quente, mas à noite ventava um pouco, as cortinas voavam, parecia sombrio...
  Ouvia som muito alto, uma música triste, que ninguém sabia, ora mudava, pra outra mais conhecida, um cd com voz feminina, que de tanto ouvir, o casal gay do sétimo andar, comprou igual. Quando a música não vinha da casa de Vanda, era da deles.
  Vanda falava pouco, era muito séria. Delineava os olhos, como estratégia para manter os olhos dos outros nos seus. Ninguém percebia assim suas mãos trêmulas.
  Não tinha namorado, havia cicatrizes em sua alma bem recentes, de dois anos antes. Que a deixaram mais amarga. E ela se armou. De subterfúgios, para não sentir mais dor.
  Mas, mesmo assim, Vanda tinha chama para os homens, não precisava fazer nada, às vezes acontecia... Eles desejavam Vanda, sem ela saber. Um dia lhe diziam... Até aquele senhor sem graça, que trabalhava com ela, lhe dava bom dia e mais nada, tinha uma esposa muito brava, a quem ela tratava bem, só com Vanda ela falava.
  Depois de um ano, ele se aproximou do balcão e do nada disse:
- Ontem sonhei com você.
Sem levantar a cabeça, concentrada em suas anotações, Vanda perguntou:
- Ah, é? E o que o senhor sonhou?
- Que você estava de lingerie vermelha.
Vanda levou um susto, o fitou rapidamente e ele completou:
- Foi quando acordei com minha mulher me esmurrando para eu levantar.
  Vanda não falou nada, só ficou olhando aquele senhor se afastar.
  Sentiu vergonha e buscou na memória o que havia feito de errado pra despertar um sentimento assim, naquele senhor tão calado.
E foi para casa, não pensou mais nisso. Deixou para lá...
  Ela sentia uma solidão só dela, às vezes chorava, os vizinhos pensavam que Vanda não iria durar muito... Achavam que dores da alma fazem padecer rapidamente. Vanda não se abria com ninguém, não tinha amigas, não sentia falta.
  Vanda não era calminha, não entrava numa briga, mas não fugia de nenhuma delas. Encarava quem quer que fosse e não perdia sua razão. Vanda não tinha mais medo, exceto de emoção.
  Na cozinha toda branca, pequena e arrumadinha, Vanda fazia comida de microondas, deixava tudo pronto para o dia seguinte, chegava na hora do almoço, requentava, dormia seminua para não ter trabalho de tirar nada, eram só quinze minutos. Acordava com o despertador do celular, se banhava em água quente, se vestia e voltava para o trabalho, há uns dez minutos dali.
  Depois tudo de novo... no outro dia e, no outro...
  Vanda se apaixonava, mas não era por ninguém que a amasse, era pelo impossível, por alguém que a enxergasse, ela só não sabia das outras pessoas, não interessava. Narcisista, incoerente, dentre tantas outras coisas, essa era Vanda.
  Ouvia música estranha, não escrevia há anos. Conversava com os pais ao telefone todos os dias, pelo menos uma vez, e se queixava da vida... E, de saudades.
  Vanda emagrecia, já era magra, agora cadavérica.
  Mais um havia se declarado a ela, e lhe roubado um beijo, então Vanda fugiu, entregou o apartamento e mudou de cidade.
Mudou de estilo, ficou mais agressiva, estudou a arte de afastar pessoas, falava sem parar, falava o que pensava. Passou a usar colorido, e usar um cabelo diferente, deixou bem comprido...
Dispensou mais rapazes, até que um persistiu, persistiu. Vanda cedeu... Ficou com ele, o que não impediu de despertar outros mais... Não fazia por mal.
Lembrou que um dia amou Shakespeare, e desejou quimera.
E ela pensou em recitar Vinícius de Moraes...
Pensou em outro rapaz;
Pensou tão profundamente que descobriu,
O quanto doía,
E doía demais...
Vanda hoje quer fugir novamente, só não sabe para onde.


Um soneto para Vanda
E se calava só, e só calava.
Olhava para o mundo e fugia.
O medo a fez perversa, a encurralava;
Tinha sentimento profundo, mas omitia.



A voz embargava, nó que a deixava sem ar
Se alimentava de dor, sem mastigar, engolia;
Com a verdade, a maldade reclamava seu lugar,
De olhos marejados e alma pobre pedia...



É suspeita por amar demais,
Tem n’alma uma chama pesada
Ataca antes e defende mais


Antes de dormir sofre calada.
Ignora tudo, mesmo culpada
Mantém um desejo de voltar atrás...


Num tempo que sonhava ser amada.

E se calava só, e só, calava.
Sentia culpa, lhe faltava paz...


Vanda! Detrás dos teus olhos tens uma alma levada.

(Um conto e outros pontos por H. Cortezolli)

quinta-feira, dezembro 10

Não olhe no pote

   Durante a tarde… logo cedo tenho vontade de escrever e não posso, não quero anotar, queria postar na hora que as coisas acontecem (ou quase), que me vêm à mente. Depois, quando chego em casa, não lembro mais. Onde foi parar o T?

    No trabalho é só contagem de horas, minutos e segundos. Mas os trinta últimos minutos da tarde antes das seis, são os que demoram mais a passar. Já terminei esses aí, admito leio romances bestinhas, pelo menos leioP1060211…os romances…bestinhas. Ai,ai, e gosto muito.

    Meu pote de idéias está vazio.

     Já troquei o dia pela noite, passo as madrugadas em claro… Febre de novo, será psicológico, o que eu tô fazendo comigo?

    Meu corpo todo dói. Sinto muito mas, não consegui fazer nada do que havia planejado. Não retoquei a exposição, nem saí pra filmar nada… Logo hoje que era dia de pontos finais!

   Vou ficar jogada aqui, tá?P1060234

quarta-feira, dezembro 9

Posse

Por aí...quem sabe eu veja o que falta em mim e me aproprie?

  Eu sei que agora tenho mais tempo, deveria postar mais. Confesso até que não há justificativas para minha falta de criatividade. Muitas idéias têm borbulhado na minha mente…

Mas, quero um tempo só para mim. Pra olhar tudo por aí, ver as expressões nos rostos das pessoas que eu nunca notei, lugares que ignoro totalmente…

  Tenho mergulhado em histórias que não são minhas, mas que eu gostaria que fossem, pelo menos em algum momento da minha vida pensei dessa forma. Tá tudo meio imóvel e inerente ao mesmo tempo, a esse movimento oscilante entre o que sinto, penso e falo.

  Quero me apropriar do meu tempo e, meu porto seguro é meu quarto, minha cama, meus livros e você.