"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quinta-feira, maio 24

Ausência presente e onipresente

Enquanto minha capacidade cognitiva move peças que se encaixem perfeitamente, até que eu encontre a lógica...

Paro, paraliso, entorpeço, muitas vezes. Bebo, como. Vou para o banho. Meu pensamento continua lá, no teclado e mesmo a curta distância, visualizo a página em branco.

Imagino que as gotas de água quente, que caem com violência sobre o meu corpo me remetam a um lugar qualquer.

Recordo que não consigo escrever, nada tem a ver com o tema. O que me falta é paixão, sem referência a maneira abobalhada com que encaro a vida quando enamorada.

Falta-me paixão pelo novo, pelo que não entendo. Fascinação, coisa pouca. O incentivo a desvendar o desconhecido, desobscurecer. Aquele sentimento de ser tão mínima frente ao imensurável.

A água que lava meu corpo, leva pelo ralo as impurezas, os resíduos, o creme do rosto e as memórias das quais não quero lembrar.

Não é o lugar, as novas relações, ou a falta delas... Sou apenas eu, que perdi a mim, faz um bom tempo. E, não importa a imagem no espelho embaçado, aquela não sou eu.