"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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sexta-feira, setembro 23

As oscilações dos sete dias consecutivos

Ainda é cedo para fazer o balanço da semana. Mas, os pensamentos gritam por espaço na correria das horas, que só querem passar em seu próprio ritmo.

Pautas, cobertura de eventos, reportagens, perfis e o olhar, sempre o olhar que serve como termômetro para saber quando os ouvidos precisam ser explorados um pouco mais.
A criatividade tem dado voltas solitárias por Deus sabe onde. E sinto que a alma já não divaga tanto. Talvez esta última me faça ainda mais falta.


Tenho saudades galopantes de fotografar, mas vou providenciar o sacio dessa necessidade em breve.
Ah, as viagens! Dessas preciso todos os dias, caso contrário teria murchado como flor que não é regada.
Toda vez que passo em frente à faculdade, não sinto nenhuma saudade. Pelo contrário é uma sensação ruim. Mas, fico com vergonha de pedir para o pai não passar por aquela rua... Contudo, anseio por mais conhecimento.

sexta-feira, julho 8

O que é dos outros


A primeira vez que peguei um plágio estava junto com outra colega muito querida a frente de um jornal experimental, a minha tristeza foi tão grande, que tive vontade de chorar. 

Pensei por alguns momentos como alguém que teoricamente recebia as mesmas informações que eu, por intermédio de profissionais capacitados e uma faculdade cara, os ensinamentos do que não fazer dentro do jornalismo. Aquilo pesou tanto, que me encolhi na condição de aluna (e leia-se sem luz) que encaminhei o problema a professora, ela que resolvesse chamar o cara de pau do plagiador, e alertá-lo que ninguém ali era bobo.

O tempo passou a faculdade foi concluída... E os plagiadores se multiplicaram... (talvez no meio, o todo sempre existiu e eu não tinha tanto acesso), tem para todos os sexos, religiões, classes sociais e estilos.

São verdadeiros vampiros, sugam tudo que há nas revistas, sites, jornais, blogs e nem os papéis de bala escapam. Como se fosse informação exclusiva. Ora, se somos jornalistas é obrigação ler de tudo e reconhecer maneiras de escrever.

Apesar da pouca experiência, me dou ao luxo de identificar vez ou outra com facilidade até, sei de onde possivelmente um texto foi todo plagiado, ou apenas fragmentos... Dá uma tristeza tão grande, como se um buraco no peito pudesse ser aberto com os dedos.


Percebo minha limitações milhares de vezes ao dia... Vejo coisas inteligentes outras tantas milhares e reconheço que seria inábel... Porém, quando algo assim cai no meu colo, é uma sensação de perda tão grande:

#De tempo, porque cada segundo é único, as horas passam e se não lhe dedicamos a atenção merecida, não voltará mais.

#De vida, é menos um dia de vida e respeito pelo ser humano, já que nem sempre sei de quem se trata. Consideração nunca é demais.

Essa deferência que menciono é mútua, ou pelo menos, deveria ser. Quem não me respeita acredita piamente que vai conseguir me enganar.  Será excesso de autoconfiança?

Será o meu tamanho, meu sexo, meu cabelo, meu rosto, as roupas que uso? Será que aparento tremenda inferioridade intelectual para ser vilipendiada dessa maneira, ou de outra?

Devo me afogar em puro vício, para esquecer de lembrar por mais tempo desse suplício. Independente de qual setor. Dois dias antes desse fiquei por horas e horas procurando meu futuro até que encontrei. 

Contudo, quanto mais forte o baque, mais forte me levanto, lógico que a queda dói, mas enquanto não me matar... Outra manhã... E, vou para casa respirando um ar tão leve quanto aquele que me levará para longe e finalmente quando eu voltar jogarei meu futuro na cara do presente que encontrar, para finalmente ser boa o suficiente.

domingo, abril 10

Perigo na Língua

by @aeciocortezolli

P1120709  Pela segunda vez nesta cidade e, agora com um tempo maior (lá se vão cinco anos). Aos 50 anos de idade, desses mais de 28 anos dedicados integralmente à nação por meio do Exército.

  Com uma vivência nacional desde 1979, quando ingressei em suas fileiras, o máximo que permaneci no mesmo local foram 7 anos (passados no RS, PR, PA e AP), sempre procurei a prática da boa vizinhança. Ver; ouvir; apreciar ou mesmo refutar, porém com o extremo cuidado de não ferir sentimentos, muito menos o brio do lugar, afinal meu lema é: “ - Eu sou de onde estou.”

  Acompanhei os “modismos”, tais como: acessível (aquecessível); desapercebido (querendo dizer sem ser notado); a nível de; por conta de; questão; projeto (esse então! Pasmem! Há projetos que já perduram por mais de 5 até 10 anos e, eu fico me perguntando, quando irão se transformar em obras, trabalhos, produtos ou serviços, será que sairão do papel?). A verdade é que temos uma indisposição para voltar ao dicionário e quanto mais temos a certeza de que já sabemos tudo é aí que cometemos os maiores pecados com a nossa língua, por ação ou por omissão.

  Ah! Tem um grande porém, não posso esquecer o dialeto. - Muito bem. É aceitável, mas, desde que esse não deturpe a língua mater e não maternal. Como exemplo correto e aceitável de uso do dialeto são os nomes de bichos/aves para designar órgãos genitais; nomes de plantas/árvores/peixes, costumes advindos de quilombos e/ou aldeias indígenas.

  Agora, expressões como: dor na “costa” (porção de terra ao longo do mar; litoral); “indentidade”; inzame” (seria exame), “cussti; divessti; invesstido; Avesstino” (seria curtir; divertir; invertido; Avertino Ramos, nome próprio); “dôs; más; macsi; micsi; sês; xerocsi, (dois; mais; max; mix; seis; xérox) tudo com o som de “xis” muito carregado. Assisti a apresentadora de um telejornal anunciar que “más notícias” às 19:30h, logo me veio a pergunta, que horário seriam as “boas”?

  E é exatamente nesse ponto que o perigo se torna latente, como um pai; um professor ou mesmo um amigo poderá orientar uma criança que inicia sua alfabetização a se expressar ou a escrever corretamente, se a todo instante nos mais longínquos e humildes recantos e/ou locais de trabalho são invadidos por canais de TV e o que se vê e ouve são essas expressões. Lembre-se daquela jovem que foi eliminada do soletrando por ter trocado o “l” pelo “u”?

  Quantas pronunciam “papeu” (papel) e nós nem sequer podemos corrigi-las. Outrora recebi uns escritos por correio eletrônico ou por meio de “chats” (bate-papo) com erros clássicos, tudo bem, atribuímos ao tempo, ao espaço físico ou ainda, à quantidade máxima de caracteres permitidos, a saber: “agente, afim, mau” (seria “mal”) e muitos impropérios à língua. Mas, o que me levou a escrever estas mal traçadas linhas foi indubitavelmente (que me perdoem meus amigos de “on-line”) uma obra escrita que acabei de ler. Consegui por empréstimo.

  Normalmente quando lemos uma obra, citamos seu título, autor, ano, editora, enfim para que sirva de referência. Recomendamos como por exemplo Em nome da Rosa; Código da Vinci (best-sellers) entre tantos que acabaram em filmes mesmo que muito resumidos à obra, entretanto, a supra referida, deixou-me profundamente desapontado. Constitui-se de uma coletânea de crônicas escritas basicamente de jornalistas e/ou acadêmicos de jornalismo e que futuramente estarão no mercado de trabalho, fatalmente cometendo os mesmos erros. Sem contar que algumas sequer condizem com o título.

  Tive a nítida impressão que as pessoas responsáveis pela revisão e da apresentação confiaram demasiadamente nos autores e o nivelamento ficara por baixo. Lamento que essas, deram seu aval, emprestaram suas respectivas chancelas, por algo, no mínimo displicente.

  Erros crassos e descabidos para o nível e responsabilidade social ao público-alvo. Pois saibam todos que alguém, em algum lugar e em alguma hora qualquer irá sim, ler; ver; ouvir; assistir e analisar cada palavra sua pronunciada ou escrita e, principalmente essa última que perpetuar-se-á nos anais da história, daqui 10, 20, 30 anos o que você escreveu estará lá do mesmo jeito e, você perdeu a rara oportunidade de brilhar.

  Desde “concerto” (seria consertar) à incerteza de emprego do pronome demonstrativo: esse, essa, este, esta. A conjugação de verbos e por aí vai. Mas, se até os jornalistas mais experientes ainda dizem: “- o jornal..está de volta amanhã...” (futuro do presente do Indicativo – 3ª pessoa), por que não dizer estará? Ou estaremos, voltaremos, retornaremos, nooosssaa o português é tão rico de sinônimos e de verbos.

*Grifo meu – Vale ressaltar que críticas são críticas, não existe a construtiva ou destrutiva, essas subcategorias são interpretações de pessoas com capacidade e amadurecimento intelectual para fazê-las o que não é comum de perceber, já que os interesses em autopromoção são sempre tão evidentes, quanto os erros grotescos. Ainda não li o livro, mas respeito as opiniões e admiro as pessoas que conseguem manter seus critérios de avaliação sem medo de melindrar A ou B.

E, acredito que a acidez vem para abrir os olhos das pessoas que tem interesse em crescer. Que não se contentam com um tapinha nas costas para tudo que fazem, sem avaliações contundentes. Aécio Cortezolli é crítico e meu pai, hoje sou quem sou graças à muitas das verdades que ouvi dele e de minha mãe, e garanto que continuam puxando minhas orelhas para que busque melhorar sempre.