"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

terça-feira, agosto 30

Rótulo

Por que é tão necessária a identificação?
Ando vazia e tão cheia de mim.
Minhas dúvidas ganham espaço somente porque quero sempre mais. E, essa covardia repentina, inóspita e indelével, será que não sou digna?

Mas, os caminhos que percorri tão cheios de espinhos, não valeram?
Trago na face cicatrizes das guerras que travei contra mim. Meus desejos eram somente doces caprichos. O meu querer era apenas teimar com o tempo. Agora o que sinto faz de minha fragilidade a força que nunca havia alcançado antes.

Será mais uma fase e quão velha devo ficar, até que meu ventre seque?
Me sinto só, só quando não reconheço meu rótulo. O impresso que supostamente identificaria meu conteúdo, o caráter atribuído a quem sou, o que sou e como penso. Porque ser é diferente de estar.


Foto: Aécio Cortezolli

segunda-feira, agosto 29

O que eu queria ter dito!


Never Gonna Leave This Bed

Maroon 5



You push me
I don't have the strength to
Resist or control you
Take me down
Take me down

You hurt me
But do I deserve this?
You make me so nervous
Calm me down
Calm me down

[Chorus]
Wake you up
In the middle of the night to say
I will never walk away again
I'm never gonna leave this bed

So come here
And never leave this place
Perfection of your face
Slows me down
Slows me down

So fall down
I need you to trust me
Go easy, don't rush me
Help me out
Why don't you help me out ?

[Chorus]
Wake you up
In the middle of the night to say
I will never walk away again
I'm never gonna leave this bed

You say "Go, it isn't workin' "
And i say "No, it is perfect"
So I stay and stand
I'm never gonna leave this bed

Take it
Take it all
Take all that i have
I'll give it all away just to get you back

Fake it
Fake it all
Take what i can get
Knockin' so loud
Can't you hear me yell ?
I try to stay away, but you can't forget

Wake you up
In the middle of the night to say
I will never walk away again
I'm never gonna leave this bed

You say "Go, it isn't workin' "
And i say "No, it is perfect"
So I stay and stand
I'm never gonna leave this bed

Take it
Take it all
Take all that i have
Take it
Take it all
Take all that i have



domingo, agosto 28

Imagem congelada e a sensação


Caiam todas as defesas, não há ataque capaz de me alcançar.

Hoje enquanto via algumas fotos, deixei me levar pela sensibilidade que tomou conta de mim nos últimos dias.

Agora quando sinto muito, sinto tanto que choro. E me sinto ainda mais feminina. Tudo que não me permiti, porque precisava me defender. Não preciso mais de minha armadura. Minhas armas estão por aí.
Não sei por quê... Talvez eu saiba sim, só ainda não admita.

Então, enquanto as lágrimas embaçavam meus olhos que fitavam aquelas fotos, entendi como a saudade pode se dividir em tipos... Não sinto saudades daquelas pessoas, porque algumas nem eram assim tão próximas, fotos do tempo de faculdade, de uma noite que ventava muito em frente à orla, de amigos que nem eram amigos no final, de amigas que nunca me pediram nada e com quem sempre pude contar... As saudades são da conjectura, dos segundos, que não voltam mais. De quem eu era naquele instante, quem fui.

Percebi que temos alguns discursos repetidos. Mas, até sentirmos tem uma distância longa a ser percorrida, você sabe que fotografias são registros de momentos únicos, a câmera empresta a capacidade de congelar o que seus olhos veem. Porém, que o tempo às vezes se encarrega de apagar.

No meu caso, nem sempre o tempo deleta tudo, mas inverte, confunde e não tenho certeza se realmente aconteceu ou se apenas fantasiei. Mas, as fotos que me emocionaram havia uma felicidade tão grande naquelas ocasiões que mesmo congeladas, pude sentí-las novamente, revivê-las.

Éramos a imagem, o descompactador, meus olhos, minha memória e minha emoção.
Sempre gostei de fotografia, não sou muito boa com elas, mas tenho essa atração. Quero muito conseguir fazer algumas que prestem, para que outras pessoas consigam essa fórmula matemática que descrevi a pouco, e é preciso que o resultado seja sempre a emoção.

sábado, agosto 27

Não sou obrigado a gostar de ninguém


Achei esse texto não lembro bem como e obviamente que quando li me identifiquei bastante, então solicitei ao autor autorização para dividir com meus leitores. E, fiquei feliz com o retorno positivo, então eis o texto:




"A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades." (Millôr Fernandes).

Todos os dias convivemos com pessoas de gostos e personalidades parecidos ou não com os nossos. Existem aquelas pessoas que para evitarem um confronto de ideias ficam "em cima do muro" sempre concordando com o que cada lado diz, fingindo que gostam de todos para não perderem nenhum amigo, e nós sabemos que não é bem por aí.

Não somos obrigados a gostar de ninguém e ninguém é obrigado a gostar de nós. Temos que aprender a conviver com a diversidade de opiniões ao nosso redor, respeitá-las, e darmos a nossa sem ter medo de ficar mal com os outros (Nunca iremos ser amigos de todo mundo). É claro que antes de tudo isso deve haver o respeito. Podemos não gostar de uma pessoa, como ela é, como ela pensa, mas temos que respeitar a sua forma de viver. Não podemos sair por aí falando mal, julgando, como se estivesse tudo bem. O respeito deve existir sempre, você gostando ou não dela.

Fingir gostar de alguém é ser falso. Cada pessoa tem seus defeitos e qualidades. Ninguém é 100% bom ou ruim e um dia, um desses lados é mostrado. Se não soubermos conviver com as pessoas sem respeitar o jeito que elas são, o mundo acaba. É muito egoísmo querer que as coisas sejam somente como nós pensamos. O que pode ser bom para mim, pode não ser para você (e nem por isso você tem que fingir aceitar o que eu falo para não ficar mal comigo).

Não se torne prisioneiro de suas próprias verdades. Seja humilde e tente enxergar o ponto de vista daqueles que estão junto com você. Por mais que você não concorde com o modo de agir de alguém, tente entender o pensamento dele e respeitá-lo. Não precisamos fingir. Respeitar basta. Se existem pessoas falsas com a gente, a unica coisa que podemos fazer é sermos inteligentes para saber qual a sua intenção para estar agindo dessa forma conosco.



Música da semana passada... e dos próximos dias


Citizen Of The Planet


Alanis Morissette


I start up in the north
I grow from a special seed
I sprinkle it with sensibility
From French and Hungarian snow
I linger in the sprouting
Until my engine's full

Then I move across the sea
To European bliss
To language of poets
As I cut the cord of home
I kiss my mother's mother
Look to the horizon

Wide eyed, new ground
Humbled by my new surroundings

I am a citizen of the planet
My president is Kuan Yin
My frontier is on an airplane
My prisons, homes for rehabilitating

Then I fly back to my rest
I fly back with my nuclear
But everything is different
So I wait
My yearn for home is broadened
Patriotism expanded
By callings from beyond

So I pack my things
Nothing precious
All things sacred

I am a citizen of the planet
My laws are all of attraction
My punishments are consequences
Separating from source the original sin

I am a citizen of the planet
Democracy's kids are sovereign
Where the teachers are the sages
And pedestals filled with every parent

And so the next few years are blurry
The next decade's a flurry
Of smells and tastes unknown
Threads sewn straight through this fabric
Through fields of every color
One culture to another

And I come alive
And I get giddy
And I am taken and globally naturalized

I am a citizen of the planet
From simple roots through high vision
I am guarded by the angels
And my body guides the direction I go in

I am a citizen of the planet
My favorite pastime edge stretching
Besotten with human condition
These ideals are born from my deepest within


quarta-feira, agosto 24

Próxima parada - Anarkilópolis



 É um tremor que faz com que o corpo fique paralisado e conforme os primeiros toques nervosos na caixa, bumbo, surdo, pratos, chimbau produzidos pelo Magrão em sua bateria inconfundível... 

As batidas do coração aceleram e os olhos ansiosos se esbugalham  e alertam os ouvidos para o que está por vir, os rifes da guitarra do AJ e do contrabaixo do Tássio Callins, entram em cena nessa sincronia eletrizante, ali por entre as mesas dispersas no salão do Sesc Centro, ele, Sílvio Neto, que sem cerimônia toma seu lugar no palco do Projeto Botequim e solta sua voz.

E quem esperou que o Tributo a Raul Seixas fosse mais um daqueles encontros saudosistas cheio de imitações, sentiu a essência do que é “Uma viagem a Anarkilópolis”... Um caminho sem volta na criatividade musical, no talento da Banda Tio Zé com o charme, irreverência e autenticidade que Sílvio Neto consegue exibir a cada nova apresentação, porém, senhoras e senhores, nada comparado a esta noite.

Banda Tio Zé
Aquele processo químico descrito inicialmente nessas linhas tão desconexas, cujas frases e pensamentos tortos relembram a todo o momento aquela entrada por entre a gente que se fez presente no mesmo lugarzinho do ano passado, com um jeito de barzinho e restaurante comportado, que mal tem espaço para dançar... Cuja luz pouquinha é para sugerir um magnetismo meio descomplicado ao público que frequenta o lugar.

Ferveu como água quente, ou sangue bombeado em veias assim meio insurgente. E toda aquela coisa que acontece a um vulcão, talvez até o sétimo círculo do Vale de Flegetonte...

E que Dante Alighieri me permita roubar-lhe parte avessa  ao que sugere sua Divina Comédia.  O inferno nesta noite não é do mal, somente insinua a violência com que a sensação de presenciar a energia da música, do timbre das cordas vocais do Mestre das Ilusões e do desempenho no palco, quiseram nos mostrar e provocar. Ali pelo palco também esteve presente como o Mestre mencionou, o próprio Raul Seixas.

Violento, foi o estremecer das bases em que nós meros espectadores nos pusemos a admirar o talento daqueles caras e o melhor, que visivelmente se divertiam.


A viagem a Anarkilópolis conduzida pelas mãos, vozes e ouvidos da banda Tio Zé e Silvio Neto vão ficar por algum tempo retida em nosso subconsciente, a exemplo do que deve ser uma “Sociedade, realmente, Alternativa”, o público emocionado quiz mais.

*Em nome da família Cortezolli, agradeço pelas músicas e principalmente pelo show!

terça-feira, agosto 23

Entre o vulcão e o iceberg


Ele é assim intenso,
Presente, quente, forte, constante, falante, inquieto e envolvente...
Tudo ao mesmo tempo agora e perco o fôlego.
O olhar às vezes fica cinza, não dá vontade de questionar nada.
E quando o silêncio fica mais alto ele pergunta : “Você vai voltar?”
A explosão é no meu peito, falta o ar e há fumaça.

Depois, quando a distância abraça, 
Ele não dá adeus...
Não deixa fitar os olhos vermelhos e finjo não notar.
Tão lacônico, breve, irônico,
Quase não se faz acompanhar.
É distante, ausente, conciso, sucinto, resistente.
E bate a dúvida se foi tudo verdade.
Loucura tem dois significados e desaparecer traz a necessidade de presença.
O gelo também queima e faz arder.

"Dove siete?"