"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

segunda-feira, abril 4

Relações perecíveis e coleção de pessoas

Os hábitos de um lugar nos levam a crer que se não pertencemos ao ambiente em questão, jamais nos adaptaremos a quaisquer que sejam os costumes.

Ouço muito falar: “Mas, aqui é assim mesmo”. E, para pior... Então, o tempo passa, sempre pontual, leva consigo muita coisa, deixa muita coisa marcada também.
Contudo, as voltas ao redor do nada, rumo a lugar algum, são justamente para falar do quanto são perecíveis as relações. Todas elas.

SONY DSCNuma noite comum, há quatro anos, mais ou menos, um professor de filosofia discorria esse assunto em sala de aula, não sei se por gostar da aula do cara nunca esqueci, ou porque de fato compreendi como são essas coisas...

Ele mencionou que de acordo com o crescimento/envelhecimento, as pessoas deixam de procurar por outras pessoas com as quais costumavam passar bons momentos. O que não significaria deixar de gostar, mas no fundo é porque os assuntos, interesses, visões de mundo, se modificaram e passou a ser desinteressante desfrutar da companhia de certas pessoas, ou pessoas erradas também, porque não?

Quanto ao meu posicionamento frente a isso é tentar encarar como algo natural, tenho isso consciente, todavia, me pego numa crise de rejeição... Eis, que cobro o porquê das pessoas não falarem a verdade?

Ninguém é obrigado a fazer nada que não queira. É chato sentar ao lado de alguém muito feliz porque acredite, felicidade incomoda, mesmo sendo das pessoas que amamos, quando algo não vai bem conosco. Algumas frases piegas como “Não é você, sou eu”, são perfeitamente adequadas às circunstâncias.

Quando mencionei acima os costumes e a velha justificativa de dizer que é assim mesmo, não cheguei a amarrar meu raciocínio. Mas, não sou daqui, nem de lugar nenhum, sou do mundo, faço meu mundo onde quer que eu vá. Levo comigo minhas escolhas, prefiro que alguém de quem gosto muito me diga: “Não quero ir, não estou para festa.” “Não me sinto bem”. “Não dá mesmo valeu” ou o bom e velho “Não” é suficiente... Isso jamais me deixará magoada, o que não aceito é ouvir: “Daqui à uma hora chego aí”. “Nem que eu chegue ao final... mas vou”.

Nããããããooooooooooo, se alguém se presta a mentir tão descaradamente por tão pouco, quer dizer que é capaz das maiores barbaridades do mundo. E fazer com que as esperem, por favor!

Quem não respeita os outros não pode esperar ser respeitado, não sei de onde as pessoas que fazem esse tipo de coisa, imaginam que todos estarão sempre à disposição.

Todas as relações são perecíveis, o problema é que algumas pessoas são covardes demais e usam de subterfúgios como a decepção, para não ter de dizer não, que não quer mais.

Essas mesmas pessoas costumam não ter sentimentos por ninguém. Suas relações são de interesse apenas. Tudo que fazem é milimetricamente calculado, frio, desejam somente autopromoção. Tem necessidade de saber o que o mundo pensa sobre elas. Para quê?

  Fim
Tudo finda, como essas relações  que nada tem a acrescentar, e se um dia fizeram a diferença não fazem mais, o que não justifica esperar condescendência por cada ato babaca que façam a seguir.

Particularmente não preciso de ninguém assim perto de mim, não coleciono pessoas, nem sentimentos. 

Sabe aquelas pessoas que se relacionam muito bem obrigado com o ser mais inescrupuloso do planeta, e ainda o chama de amigo, aliás amigo é qualquer um, conheceu há dois segundos já são íntimos. Gente assim quer alguma coisa… Nada é gratuito.

Acredito que amor e ódio são intensos demais, e até para odiar os seus inimigos é preciso respeitá-los. Não dá para desperdiçar energias com ninguém indigno de respeito. Também me acovardei durante muito tempo, três anos talvez. Porque não consegui encarar o fato de valorizar demais quem não me valoriza. 

Me disseram uma das vezes em que fui muito decepcionada, algo muito parecido com “não faço só isso da vida”…

Sei que essas pessoas um dia sofrerão muito, como já vi acontecer, e naquele momento de ver o poço debaixo, vão pedir clemência e se perguntar o por quê? Posso adiantar que fazer o mal para os outros é assinar a própria sentença, porque sempre haverá alguém no mundo muito pior que você. Que vai fazer testes, com os “ratinhos de laboratório” e quem sabe dominar o mundo.