"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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segunda-feira, agosto 25

Discussão entre o corpo, a alma e a palavra dita

Dormi e acordei várias vezes, algumas delas sobressaltada com imagens perturbadoras, de um diálogo possível...

Durante o dia tive momentos de total concentração e outros em que mal sabia quem eu era realmente. Contudo, em todos os momentos havia um pouco de você, ora algo que havia dito, feito, ora alguma coisa que eu gostaria de ter lhe falado e não tive coragem, oportunidade ou aquele jeito certo de fazer as coisas.

Repeti internamente que não poderia arrancar minhas máscaras aos seus olhos, nada mudaria, o tempo não iria parar, o vazio que sinto não seria preenchido e, talvez para você não passasse de uma informação inútil, que seria esquecida no instante seguinte. 

Nem com todas as possibilidades analisadas, minha mente encontrou uma espécie de conforto. Aquela máxima de que chorar faz bem não tem surtido o mesmo efeito de antes. E meus olhos não param de arder... Resultado dos mergulhos nas profundezas do mar contido em mim mesma. 

Eu apenas sentia a necessidade de admitir que nunca deixei... acho que não consigo. Ainda não.

Mesmo ciente de que você já saiba, admitir tem sido uma necessidade. Não espero que expresse nada, não imagino além de palavras que possam me magoar. Talvez um alerta mencionado anteriormente, como se o fim fosse apenas unilateral. 

Me calo, apenas calo, quando noto incongruências no seu timbre. O corpo diz, a alma tenta assimilar e a boca rejeita. 

sexta-feira, agosto 14

Ponto e vírgula nos separam

O ponto e vírgula é uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto, esse ponto final, pior que isso é uma história sem fim, autores que abandonam obras. Inacabadas, jogadas pelos cantos, deixam vestígios de sentimentos…dúvidas, indecisões e uma solidão camuflada, daquelas que se sente mesmo acompanhada.
A coisa toda era mais ou menos assim:
Nua, sem armadura
Olhos sem brilho, garganta sem nó
Língua que fala, que cala, que lambe
…só por um instante, não estava mais só…
Ele disse:
Era um e não estava só
Eram dois que faziam nós
A nudez que a armadura revela
Permanece enlouquecida diante da língua
A míngua
Querendo sede e água
Querendo brasa e calma
Querendo provar a si mesma
Como quem estremece pensando em sentir
A entrega plena e sutil
Violenta e viril
Que ali acontecia
Permanecia
Entristecia
Na embriaguês do sono
Ela disse
Vamos brincar
Vem vamos brincar
Vou mandar
Mandou
Brincou
A noite passa
O tempo agora dorme
Na esperança de acordar
Se o tempo dorme
O que acontece com ela?
Como ficam seus desejos?
Seus medos?
Seus olhos?
Seus sonhos?
Seu colo?
Ponto e vírgula nos separam;
Ninguém prometeu nada, não há culpa nas projeções, só estão vazias, sozinhas…como têm que ser.
Autoria: H.Cortezolli e A. Brito