"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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quarta-feira, julho 6

Imbróglio

O silêncio do meu silêncio
Situação confusa, complicada, que mais parece peça de teatro...
Uma coisa assim... e mais nada.
Sem definição, nem formato,

Ausência de ordenação,
Embaraço, nada metódico.

E se alguém vir meu espírito perdido...
Não o incomode...
Deixe-o por aí!

segunda-feira, junho 27

Sentidos

Os olhos às vezes tem o poder de nos confundir...
De nos cegar...
Impedem de ver além das imagens...

Os ouvidos às vezes tendem a nos ensurdecer...
Ouvimos o que queremos, ou potencializamos o que nos machuca,
Numa tentativa de nos proteger de sentir...

Quem disse que sentimento precisa fazer sentido?
Ele só sente.

sábado, abril 23

Retrospectiva egoísta


Chega de nós  Os dias não têm sido iguais. Cada um com seu valor e potência energética me consomem num gozo voraz e na hora seguinte, não lembro mais.

  Assim será até que meus sentidos tenham perdido a intenção de me controlar. Me encontro como uma quase perfeita metralhadora giratória travada num só alvo: Eu (myself)! O importante sou eu, o que fiz, o que farei... E danem-se os nós.

  Que transformação é esta que me reduz a um ser maléfico sem vontade de compartilhar, se até agora tudo que fiz foi doar partes de mim? Meus cacos estão partidos e partindo para lugar algum, com isso me sinto mais forte. Quem entende? Ninguém é bom o bastante para juntá-los, quero que permaneçam assim, soltos, livres, dispersos.

  As quedas vieram para que pudesse me levantar. E tenho caído muito. Há marcas e se espalham pelo meu corpo, nem lembro como as fiz. Amanhã não doerão mais... nem menos.

  Efêmeras, transitórias, volúveis, sensações ou impressões de ter tido alguma ou muitas. Não perco tempo em procurar achar respostas, espalho-as pelos cantos e espero que sejam varridas por mentes desavisadas.

  Não analiso mais sentimentos, não sei se me permito sentir... ou não sentir. Desfaço os laços, todos...

quinta-feira, março 24

Atrasos e outras versões

33
Não sabia o que escrever... Tenho sido engolida pelos dias corridos e atarefados. Pelo menos durante o dia, a noite é tudo tão chato.
As mudanças não param de acontecer. Que bom que acontecem. Os cenários se modificam, os personagens também.
A vida toma novos rumos. Contudo, alguns filmes se repetem. Assim como as histórias com finais piegas e plagiadas de outros lugares.
Falta criatividade até para as alucinações, as seduções são sempre as mesmas, todavia funcionam para os mais desavisados e a chatice permanece.
Raiva, felicidade, frustração, amor, tristeza... Tudo passa por cérebros limitados, miseráveis e todos começam a acreditar que pode haver mais “entre” as entrelinhas, como num universo paralelo. Talvez não... Porque as figuras dramáticas são rasas demais, seguem devagar demais e o tempo não cessa para quem imagina o ter de sobra.
Amanhã quando de fato acordarem, será tarde, saberão que estão todos mortos. Restará apenas o lamento por não ter feito diferente.
E eu de mim, não sei… se quero saber.

quarta-feira, outubro 27

Conjecturas psicológicas de um dia qualquer

Uma sala grande, alguns notebooks, pessoas ao redor, praticamente enfiadas em suas telas de cristal líquido, perdidas em seus mais variados pensamentos.
Barulhos tão chatos, tornam-se totalmente inexistentes e ignorá-los é um exercício de concentração.
Os sons produzidos pelas teclas pressionadas com forças irregulares, transformam o tormento pelo qual todo o escritor transita, em uma quase sinfonia.
Fones de ouvidos têm propósitos que vão além da atrofia auditiva, é um pretexto para tudo que não se quer ouvir, dentre tantos, a necessidade de alguns existir, ou coexistir. Ninguém os chamou, ninguém partilhou dos mesmos assuntos e eles continuam ali, falando…

sexta-feira, abril 30

O segredo do meu silêncio

Eu olho, observo, absorvo, descarto.
Enfatizo o “olhar observador” em virtude do hábito de “olhar sem ver”, que confesso ser uma defesa altamente eficaz. Não vejo nada logo, o nada não me atinge, nem me incomoda. Mas, estou ali, se for preciso, sentindo...
Retorno a premissa do olhar observador... E dentro desse contexto assimilo o quanto posso. Anteontem, por exemplo, durante uma palestra sobre comunicação, um renomado pós-doutor exemplificou sobre o silêncio que também comunica. Citou o comportamento de alguém que não fala muito em uma mesa de bar(me identifiquei na hora), segundo ele há apenas quatro possíveis motivos de seu silêncio:
· Está zangado com alguém da mesa;
· Insegurança;
· Tristeza;
· Ou não gostou do assunto...
Naquele momento em diante me ausentei... Divaguei, mal sabe ele que sou do tipo, que fala pouco, porque me contenho bastante, acredito que o falar muito nem sempre é bem-vindo, ouço muito e sei o quanto cansa.
Obviamente, que o pós-doutor está certo, porém, isso não pode ser encarado como uma regra. Ele se esqueceu de dizer que algumas pessoas não falam porque são mais lentas, como é o meu caso (rsrs). Então, penso, assimilo, absorvo ou descarto, compreendo e quem sabe, aceito e guardo.
Me penitencio, registro em algum lugar da minha mente, para mais tarde acessar os dados mais importantes e possivelmente me divertir...
Olho sem ver, me defendo, vejo, julgo, condeno, absolvo. Deixo passar... Esqueço. Entendo, nem sempre aceito. Deito e penso no que vi, como vi e o que me fez sentir. Respiro, lamento, agradeço, durmo.
Eis os motivos do meu silêncio. Depois de tudo isso, escrevo aqui, rsrs.