"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quarta-feira, julho 6

Inquietação da escrita

 

Se fosse uma doença... O médico analisaria, levaria as mãos e de leve cutucaria os óculos, respiraria fundo e daria tudo como perdido, em estágio terminal. Tocaria no ombro como se isso fosse consolo, e não uma atitude meramente convencional na tentativa de demonstrar humanidade.

Mas, falta de paciência não é doença, é praticamente outra personalidade ou pior, traz em seu âmago o peso de ser fome, sede, necessidade básica ou trivial... De vivência ou resistência, em um período de tempo diferente dos demais. Essa inquietação não finda com poucas palavras, muito menos com milhares delas...

Não tenho tido paciência, para escrever, para perceber e analisar textos sem sentimentos, milimetricamente construídos, mas sem o básico da escrita... A ausência total de provocações que as pontas dos dedos traduzem de tudo que foi apreendido durante o dia, na íris, pelos lábios de outros lábios, nos abraços e apertos de mão educados.  

Não há nada lá.

Superficialidade é insuficiente. E a quantidade de dizeres que se adequam a essa conjectura são tão volumosos que destroem qualquer tentativa de estudo, crítica ou avaliação.

Como se não bastasse o emaranhado de palavras que nada constroem, ainda tem os gestos vazios, as atitudes medíocres, os discursos repetidos, as frases de outros autores, as piadas sem graça que alguém tão sem graça quanto, se deu ao trabalho de reproduzir e assim sucessivamente. 

Chega ao ponto de faltar oxigênio, e o cérebro envia comandos ao restante do corpo, traduzidos em espasmos que não permitem o corpo descansar.

As noites seguem como torturas constantes e infindáveis e durante o dia... Tudo isso outra vez.