"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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sexta-feira, maio 25

Cemitério do Dragão

Duas conversas, duas pessoas diferentes. Emoção de formatos díspares, mas não menos intensos.


A primeira aconteceu dias antes. 
Meu pai havia chegado de viagem e contei-lhe sobre meu retorno aos escritos, enquanto abria as janelas do navegador para que ele pudesse lê-los nos blogs com os quais colaboro. Antes de terminar a frase, fui interrompida. 

Com tom crítico ele disse que não achava prudente assumir dois novos compromissos, quando não escrevo mais para o meu endereço na internet. Silenciei. O fitei e pensei duas vezes antes de responder. Minha garganta embargou, a voz quase não saiu. 

Respirei fundo e disse:
_Não podia voltar a escrever para reclamar da minha vida. Só falar mal não adianta... 

Ele discorreu suas críticas. Eu me defendi, justifiquei, até convence-lo (talvez) de que não poderia atulhar meu espaço com discursos repetidos, reclamações infundadas e disseminar meu mau humor. Não havia novidades. O cenário mudou, os personagens, mas não sentia mudança em mim.

A segunda conversa foi ontem, com meu grande amigo Eltão. Depois de me contar como foi seu dia, das recomendações que lhe fiz, das risadas, postei um texto, gerado em razão de outro texto, ainda pela metade. 

Ele leu, gostou e comentou:
_Égua, Hellen. Que texto bacana. Sofrido, mas muito bom!

Eu lhe disse do quanto sofro ao não conseguir escrever. 
Nos últimos tempos, anteriores à mudança, o sentimento de que havia emburrecido martelava muitas vezes, nos pensamentos na saída do trabalho, nos papos com os amigos, nas imagens que olhava sem ver, sem notar diferenças. 
Todas as vezes que lia meus textos antigos reconhecia neles a paixão que me faz falta hoje.  Me perdi.

Ele continuou:
_Todos têm momentos bons e ruins, mas você voltou com tudo, parece que foi recarregada no Cemitério dos Dragões.

Essa referência pra quem não lembra é do desenho Caverna do Dragão, e as armas dos heróis eram recarregadas no Cemitério dos Dragões, onde a mágica era mais poderosa.
Pode crer!

segunda-feira, agosto 22

Sabe aqueles pensamentos que surgem na sua mente como provocações?


Aqueles dos quais você não se liberta facilmente, e desperta no meio da noite como se alguém o tivesse acordado? Pior ainda, quando esses pensamentos surgem no táxi a caminho de casa, em um cruzamento das avenidas principais, você vasculha sua bolsa enorme, cheia dos equipamentos indispensáveis para o exercício da profissão... Tem certeza de ter deixado a caneta e o bloco de anotações num local de fácil acesso e fica desesperada quando não os encontra. Enquanto se questiona: 

"O que é preciso fazer para não se deixar emburrecer?" 
"Quanto tempo é possível resistir?"

Fazer mais do mesmo, o que todo mundo faz direitinho... Esse tipo de expressão conformista me lembra dos vídeos motivadores encomendados pelos donos de empresas, os que assisti várias vezes no início da vida profissional, que mais tarde pude comprovar que não fazem a menor diferença. Todo mundo é descartável. Ninguém é, mas está...

Essa espécie de lavagem cerebral que os empresários e afins acreditam que podem fazer a seus subordinados, como o clássico "quem tem a personalidade do cachorro, ou do gato"... Que o cachorro é leal, enquanto o gato é rancoroso. O cachorro corre para o dono independente dos maus tratos que pode vir a receber, enquanto o gato só o procura quando quer algo que não poderá conseguir sozinho. Aff! Ninguém ouviu falar de pitibul, e gatos manhosos, que tal? 

Desculpe mas sou gente, até que me provem o contrário.

A primeira coisa na qual um profissional precisa pensar é em si mesmo, no trabalho que irá desempenhar e acima de tudo em seu próprio nome, este sim, independente da empresa para a qual prestará serviços, o nome é algo que lhe pertence, diferente da mesa, do cargo que ocupa, do uniforme... 

Aquela assinatura no fim de cada documento, seja ele burocrático ou para levar os méritos, é comprovativa, por isso leva essa nomenclatura, afinal ninguém consegue trocar de nome a hora que dá vontade. 

Registro e dou fé.
Documento = Substantivo masculino que significa declaração escrita, prova, testemunho, confirmação. 

Então, escrever um texto por escrever tudo bem, mas a assinatura que vai lá, no fim de cada conjunto de frases e significados, pertence ao autor, caso contrário ninguém brigaria tanto por direitos autorais. Os sentimentos e percepções, a construção de cada pensamento e o que se quis dizer são únicos. Salvo o Control + C, Control + V que muito se encontra por aí, é assim que as coisas são.

Descobri a pouco tempo que não preciso mais cuidar da minha vida, tem muita gente que faz isso de graça por mim e melhor sem que eu tenha sequer solicitado. Cuido mesmo é da minha felicidade! E conquistá-la é um processo gradativo, ininterrupto e infinito, não está no fim do arco-íris num pote de ouro... Mas, em pequenos gestos, nas pequenas atitudes, nas coisas que faço com prazer e ninguém vai me tirar isso, porque quer que eu me nivele pela mediocridade. 

Desse jeito tem aos montes é só se servir ou desservir.

sexta-feira, julho 8

O que é dos outros


A primeira vez que peguei um plágio estava junto com outra colega muito querida a frente de um jornal experimental, a minha tristeza foi tão grande, que tive vontade de chorar. 

Pensei por alguns momentos como alguém que teoricamente recebia as mesmas informações que eu, por intermédio de profissionais capacitados e uma faculdade cara, os ensinamentos do que não fazer dentro do jornalismo. Aquilo pesou tanto, que me encolhi na condição de aluna (e leia-se sem luz) que encaminhei o problema a professora, ela que resolvesse chamar o cara de pau do plagiador, e alertá-lo que ninguém ali era bobo.

O tempo passou a faculdade foi concluída... E os plagiadores se multiplicaram... (talvez no meio, o todo sempre existiu e eu não tinha tanto acesso), tem para todos os sexos, religiões, classes sociais e estilos.

São verdadeiros vampiros, sugam tudo que há nas revistas, sites, jornais, blogs e nem os papéis de bala escapam. Como se fosse informação exclusiva. Ora, se somos jornalistas é obrigação ler de tudo e reconhecer maneiras de escrever.

Apesar da pouca experiência, me dou ao luxo de identificar vez ou outra com facilidade até, sei de onde possivelmente um texto foi todo plagiado, ou apenas fragmentos... Dá uma tristeza tão grande, como se um buraco no peito pudesse ser aberto com os dedos.


Percebo minha limitações milhares de vezes ao dia... Vejo coisas inteligentes outras tantas milhares e reconheço que seria inábel... Porém, quando algo assim cai no meu colo, é uma sensação de perda tão grande:

#De tempo, porque cada segundo é único, as horas passam e se não lhe dedicamos a atenção merecida, não voltará mais.

#De vida, é menos um dia de vida e respeito pelo ser humano, já que nem sempre sei de quem se trata. Consideração nunca é demais.

Essa deferência que menciono é mútua, ou pelo menos, deveria ser. Quem não me respeita acredita piamente que vai conseguir me enganar.  Será excesso de autoconfiança?

Será o meu tamanho, meu sexo, meu cabelo, meu rosto, as roupas que uso? Será que aparento tremenda inferioridade intelectual para ser vilipendiada dessa maneira, ou de outra?

Devo me afogar em puro vício, para esquecer de lembrar por mais tempo desse suplício. Independente de qual setor. Dois dias antes desse fiquei por horas e horas procurando meu futuro até que encontrei. 

Contudo, quanto mais forte o baque, mais forte me levanto, lógico que a queda dói, mas enquanto não me matar... Outra manhã... E, vou para casa respirando um ar tão leve quanto aquele que me levará para longe e finalmente quando eu voltar jogarei meu futuro na cara do presente que encontrar, para finalmente ser boa o suficiente.

quarta-feira, julho 6

Inquietação da escrita

 

Se fosse uma doença... O médico analisaria, levaria as mãos e de leve cutucaria os óculos, respiraria fundo e daria tudo como perdido, em estágio terminal. Tocaria no ombro como se isso fosse consolo, e não uma atitude meramente convencional na tentativa de demonstrar humanidade.

Mas, falta de paciência não é doença, é praticamente outra personalidade ou pior, traz em seu âmago o peso de ser fome, sede, necessidade básica ou trivial... De vivência ou resistência, em um período de tempo diferente dos demais. Essa inquietação não finda com poucas palavras, muito menos com milhares delas...

Não tenho tido paciência, para escrever, para perceber e analisar textos sem sentimentos, milimetricamente construídos, mas sem o básico da escrita... A ausência total de provocações que as pontas dos dedos traduzem de tudo que foi apreendido durante o dia, na íris, pelos lábios de outros lábios, nos abraços e apertos de mão educados.  

Não há nada lá.

Superficialidade é insuficiente. E a quantidade de dizeres que se adequam a essa conjectura são tão volumosos que destroem qualquer tentativa de estudo, crítica ou avaliação.

Como se não bastasse o emaranhado de palavras que nada constroem, ainda tem os gestos vazios, as atitudes medíocres, os discursos repetidos, as frases de outros autores, as piadas sem graça que alguém tão sem graça quanto, se deu ao trabalho de reproduzir e assim sucessivamente. 

Chega ao ponto de faltar oxigênio, e o cérebro envia comandos ao restante do corpo, traduzidos em espasmos que não permitem o corpo descansar.

As noites seguem como torturas constantes e infindáveis e durante o dia... Tudo isso outra vez.

quarta-feira, outubro 27

Conjecturas psicológicas de um dia qualquer

Uma sala grande, alguns notebooks, pessoas ao redor, praticamente enfiadas em suas telas de cristal líquido, perdidas em seus mais variados pensamentos.
Barulhos tão chatos, tornam-se totalmente inexistentes e ignorá-los é um exercício de concentração.
Os sons produzidos pelas teclas pressionadas com forças irregulares, transformam o tormento pelo qual todo o escritor transita, em uma quase sinfonia.
Fones de ouvidos têm propósitos que vão além da atrofia auditiva, é um pretexto para tudo que não se quer ouvir, dentre tantos, a necessidade de alguns existir, ou coexistir. Ninguém os chamou, ninguém partilhou dos mesmos assuntos e eles continuam ali, falando…

domingo, setembro 5

Nua, sem armadura

Hoje foi um dia especial. Como todos os outros, cheios de segundos que formaram momentos intensos e agradáveis. Viver assim faz com que as saudades que sinto, são de como eu fui e com quem fui capaz de conviver, raramente um desejo de retornar a qualquer princípio. Porém, (sempre deve haver um porém), senti algo muito parecido com tristeza, que se misturou com nostalgia, e sei lá, um futuro incerto. Uma vontade de não fazer planos e quando finalmente pude me flagrar procurando saber de onde tudo isso começou... Fiz planos de não fazer planos...

Lembrei do início da minha vida profissional e antes dela, minha relação com a escrita. Quando de fato percebi o que significava para minha vida, escrever. Sabe aqueles lances de filmes onde você é o “voz over” ou voz de Deus (quando o personagem conta a história, estando inserida nela ou não)?
Eu fazia diários, lógico... sem nenhuma novidade até aí, escrevia o que sentia, e na maioria das vezes era triste. Recordei de uma vontade enorme de escrever um livro, e o fiz acho que na sexta série, recebi até certificado.

Foi meu primeiro livro, nada que tenha sido publicado por uma editora qualquer, mas cujas percepções foram minhas, falava sobre meio ambiente, e meu pai o havia ilustrado. Eu lia muito, para alguém com treze anos, a transição se deu em função de vários objetivos, o primeiro é porque ouvia a conversa dos adultos, mas segundo minha formação, não poderia participar delas. Mas, queria entender... Depois por causa dos garotos, já que não era bonita. Desejava que me respeitassem por minha “inteligência”, falava difícil para que “eles” não me vissem como alguém sem conteúdo, até que descobri quem eram os “vazios”. Eles não entendiam nada do que eu dizia, muito menos o meu sarcasmo (não mudou muito). Não sei onde guardei essas lembranças, mas deve ter sido num lugar tão seguro, que nem eu as pude encontrar, até hoje.

Depois um breve salto até a adolescência e na minha dificuldade enorme de me comunicar e expressar meus sentimentos, a timidez praticamente me esmagava, reduzia a minha existência a algo menor que um centímetro. Escrevi uma carta para os meus pais... Os deixei preocupados, por não falar sobre a forma com que encarava o fato de me mudar tanto de um cidade, Estado, região. Choque cultural, foi apelido. Difícil mesmo foi ter que recomeçar sempre. Foi assim até os dezessete anos. Fase bem complicada, como a de qualquer adolescente. Mais leitura, mais diários. No segundo grau, me divertia com versos e poemas que eu escrevia a pedido das minhas amigas (naquele tempo eu era boa até, não tinha esse peso que trago nas linhas que escrevo hoje), elas entregavam aos namorados e eles se derretiam, mal sabiam que eram de minha autoria, rsrsrs. E, nunca souberam.

Passei por algumas experiências de trabalho que me fizeram amadurecer rapidamente, como profissional, a identificar muitas coisas também. No meu primeiro emprego com carteira assinada, após deixa-lo por uma oportunidade de melhor remuneração, escrevi um manifesto. Rsrsrs. Acho que deu certo, algumas pessoas foram substituídas, ouvidas, promovidas, excluídas, e o que todos pensavam foi dito por alguém, que já não importava mais. Ainda tenho o respeito de todos e uma vaga quem sabe se um dia precisar.

Cinco mil quilômetros de distância percorridos pelo ar, como se fosse possível abrir os olhos e viver outras vidas, me trouxeram para onde me encontro hoje. A escrita faz parte de mim. Então, internet e blogs, diários de novo. Com a diferença que alguém, em algum lugar lê o que escrevo aqui. Às vezes assusta.

Decidi que queria deixar algo meu para alguém, desde que isso ajudasse de alguma maneira. Contudo, diante dos obstáculos meu desejo mais recente, me cegou, bloqueou, confundiu e é possível que seja covardia mesmo...
Durante esses dias todos, não escrevi uma linha, em função do meu desejo de escrever meu livro, como trabalho de conclusão. As palavras simplesmente me abandonaram por escolhê-las demais. Nunca está bom o suficiente, e desejo sempre mais.

Senti saudades de casa hoje. Mas, não tenho essa casa da qual sinto tanta falta.
Então, pensei que talvez tenha algo a ver com a morte, exteriorização do meu subconsciente temeroso. É bem provável que seja, afinal, morrer sem ter feito nada de relevante, deixar de existir sem ter feito nada de importante para alguém e “egoisticamente” falando, como sempre falo e encaro meu mundo “de umbigo profundo”, seria um desperdício sem precedentes.
Ajo tão friamente, às vezes, pelo simples fato de ver poesia em tudo, que isso além de atrapalhar, chega a ser ruim porque a probabilidade de ser incessantemente decepcionada é exagerada. Mas, ninguém me prometeu nada.
...e a nudez que a armadura revela... *Foi um dia especial, voltei a escrever.

quinta-feira, agosto 19

Um sopro no castelo de cartas - A visão poética de um iniciante

“Na destruição do castelo de cartas, surgiu a gana de tornar os alicerces mais sólidos a ponto de não ruir novamente todo o sonho concebido... ou quase”.
Ter seus paradigmas desconstruídos para torna-los menos conservadores e ultrapassados. Trazer à tona novas formas de ver o mundo. Quem sabe por intermédio de lentes capazes de se transformar durante as mais diversas formas que o dia pode adotar? Aquele dia cinza que faz feliz alguns pouco incomuns, que enxergam o tempo não passar diante da ausência do sol.
Sem calor, só cinza.
Se o vento estiver presente então? Ah, o vento. Que chega como um amante cheio de saudades e não se preocupa em deixar seus cabelos arrumados. Beija seu rosto enlouquecidamente e não te deixa respirar, seus olhos mal se abrem...
Por hora, bem que a escuridão da noite seria bem vinda. Cheia de mistério, mesmo que este queira trazer em seu lençol de estrelas apenas um reconfortante abraço. Braços que sejam fortes para não deixar cair toda a consternação que trazem os dias iguais. Que se repetem, como num dejavù...
Construa seu castelo de cartas, pela primeira vez.
Sinta a satisfação que mal pode acreditar fronte ao êxito obtido com o equilíbrio de uma carta sobre a outra. Andar a andar. Até que reste apenas uma e, enfim lá esteja ele, pronto para ser surpreendido em pleno estado de contemplação, àquele iniciante...
Todavia, seus olhos orgulhosos não podem conter uma corrente de ar qualquer, sutil e indelével. Lá se vão seus andares, todos de uma só vez.
E o peso nos ombros, quase não se sente, nem arrepio algum. Há um sentimento um tanto “orgasmico”, um misto de dor e prazer.
Ter seus sonhos destruídos, o faz mais forte para sustentar os próximos em outra oportunidade.
Despeça-se do título de iniciante, porque a próxima tentativa o proporcionará pôr em prática o conhecimento adquirido com o experimento. Sopro bem vindo por faze-lo conhecedor de alguma coisa...
P1010299 *Tive um sonho onde tinha a missão de destruir um castelo, cujas portas e janelas eram de ouro, no interior do mesmo havia uma rainha, quando a vi, me dei conta de que ela era eu. Quando acordei soube que deveria desistir do “manual” como “ele” havia dito. Isso tudo me encheu de coragem, o que outros chamariam de ambição, eu chamo de força de vontade.

quarta-feira, agosto 18

Os outros

Esse é outro, de quem gosto de graça, tem um jeito difícil de decifrar, mas interessante… Achei-o por aí, nesse mundo quase perdido. E rimos juntos, nós três… A Renata é parte importante disto, ela também é outra dessas peças raras que se destacam na mesmice. Há tempos não nos vemos, mas nos comunicamos sempre que podemos. :)

@renataprimo Ontem recebi um telefonema meigo, era a Rê, contando que estava com saudades, havia pintado as unhas de verde sereia (adoro) e lembrou de mim.

@luHgentil

Hoje mais uma surpresa legal, o Luh me adicionou o twitter e então, finalmente, pude ler seu blog. Gostei para caramba. Achei tão delicado (espero que não se ofenda). Fica a dica para você visitar também, quem sabe num doce disparate ou sutil desvairo.

domingo, abril 25

Texto e a síndrome de Estocolmo

Nem sempre nossa relação é amigável, brigamos muito, o texto e eu. Transportar para o papel toda a capacidade imaginária, canalizada de forma a usufruir de conhecimentos apreendidos sobre como chamar a atenção, prender por maior tempo possível o leitor... Não é tarefa fácil. O usufruto de tal mecanismo permite excentricidades confessas, admitidas sem temores.

Não se trata unicamente de devaneios de uma simpatizante das possibilidades que regem a alma humana, em sua moralidade e intelectualidade num raciocínio bem superficial, que de certa forma é frustrada por ter visto na comunicação o atalho mais adequado para se aproximar da socialização. O que muitas vezes se comprova inversamente.
O jornalismo foi mera formalidade, moldes estabelecidos por uma hierarquia de interesses cognitivos. Sim, linguagem com a qual se anseia atingir minorias relevantes.
Com julgamentos adequados no que concerne o contexto proposto nessas malfadadas linhas, ora clichês e em parte pertinentes.
A triste constatação de que o envolvimento da prática às vezes perde a teoria pelo caminho da execução, faz da rotina de criações ora brilhantes, ora medíocres, um peso incômodo de carregar. Execrando de certo modo as etapas que deveriam ser seguidas. Assim é um editor, mesmo que em texto anterior tenha sido considerado um mal feitor... Eis um mal necessário. Textos sem críticas, sem concisão são meros emaranhados de significados puramente unilaterais, que não atingem seu real propósito que é comunicar. Tendo ciência disso, me atrevo a fazer do texto parte importante da minha personalidade, que assim como eu precisa evoluir, ser polido, para quem sabe um dia consiga fazer-se compreender.

A relação de intimidade com o texto se equipara a síndrome de Estocolmo, um algoz que te faz escravo, intimida, te mantém muitas vezes refém, e ainda assim uma paixão, simpatia e amor inexplicável é nutrido por ele. Resolvi falar de texto novamente para justificar meu estado de completa falta de criatividade nesse últimos dias. Não foi falta do que contar, comentar ou criticar, foi o meio que não pude utilizar.

quinta-feira, abril 15

Fábula de quinta

Mauinício era o irmão mais novo de Clichê e Rebuscado. Apesar da mãe, que se chamava Rotina e pai de nome Cansaço, serem os mesmos, Mauinício, Clichê e Rebuscado, não foram criados juntos.
Clichê, o primogênito, cresceu fazendo tudo direitinho, sem fugir às regras. Não tinha intenção de dar trabalho aos pais. Um tapinha nas costas o contentava fácil.
Rebuscado nasceu depois. Sempre preferiu dificultar a permitir que as coisas apenas fluíssem. Tinha tendências a enfeitar demais tudo o que podia, mas ninguém o discriminava por isso. Em casa os pais diziam que o importante era Rebuscado ter espaço para criar. Preferiam a personalidade do filho, do que a do filho do vizinho, Nivelandoporbaixo, um rapaz sem futuro, indigno até mesmo de um olhar de desdém.
Mauinício, veio bem depois. Na verdade a mãe disse se tratar de um milagre da natureza, pois depois de Clichê e Rebuscado, ela não pretendia ter mais filhos, tão pouco o pai Cansaço. Tamanha foi a surpresa quando dona Rotina disse ao seu Cansaço, que espera mais um moleque. Foi só ele dar os primeiros sinais, que lhe chamaram de Mauinício.
Clichê se virou desde pequeno, quando homem já sabia o que queria, sem muitas surpresas nem mesmo aos pais. Foi morar na capital, trabalhava num jornal semanal, com tiragens de grande circulação.
Rebuscado mais ambicioso, queria não só sair da cidade, mas ganhar o mundo.
Com a notícia que o novo irmão estava a caminho, voltaram correndo para a cidade de Lauda, no interior do Estado de Caderno, ao norte de Mochila.
Já na cidade, correram para o hospital e no berçário viram Mauinício. De cara ambos torceram o nariz. E, foi cada um para um canto.
Passaram-se alguns anos, os moleques agora barbados, resolveram se encontrar para se conhecerem melhor. Foi então que marcaram um encontro. O lugar precisava ser calmo, organizado, e que oportunizasse aos três perceberem suas diferenças. Porém, não poderia ser qualquer lugar... Depois de muito pensar, resolveram por uma pracinha jeitosa da cidade, que tinha um coreto muito bonito, onde reunia todas as exigências dos moleques, agora homens feitos.
E, foi lá no coreto, chamado Texto, que os irmãos puderam ficar pela primeira vez juntos,  Mauinício, Clichê e Rebuscado.
O encontro foi comemorado pela cidade inteira, com direito a banda marcial e tudo. A família agora estava reunida, Mauinício o mais novo, Clichê o mais velho e o irmão do meio, Rebuscado, fizeram de  dona Rotina e seu Cansaço os pais mais felizes do mundo… Até que a paz na cidade de Lauda foi ameaçada, por uma criatura terrível, de tão má, só de ouvir o nome do sujeito mal encarado o povo todo estremecia, idosos, homens, mulheres e crianças… Ficavam para molhar as calças. Era ele El Editor, um estrangeiro maldito que implicou com Rebuscado numa de suas andanças pelo mundo. Pois não é que o coisa ruim seguiu Rebuscado até sua cidade natal. El Editor queria dar um fim em Rebuscado, mas quando durante a festa em comemoração ao encontro dos irmãos, Mauinício, Clichê e Rebuscado, El Editor, decidiu que precisava dar um fim nos três para inquietude da cidade de Lauda e, principalmente de dona Rotina e seu Cansaço
O jeito foi apelar para um mafioso da cidade, chamado Sr. Arrogância, um velho encrenqueiro cheio da grana, mandou os rapazes para bem longe de Lauda. Para um lugar chamado Ciberespaço que recebia todo o tipo de gente, acolhia que nem coração de mãe. Lá os rapazes vivem seguros, sem nunca esquecer das ameaças de morte de El Editor.

P1040085 * E aí o que achou? O meu dia foi tão ruim, que se eu não fizesse alguma coisa para mudar, não iria dormir de novo… Espero que você ao menos tenha dado boas risadas. E, a propósito, essa historinha aí de cima, aconteceu com um texto meu. :(

terça-feira, março 2

Não quero ser a piada de amanhã

Tenho consciência que nem tudo se aprende aqui...Mas, o que deveria ser aprendido e apreendido, não pode ser esquecido em função da correria dos dias intensos de trabalho.  Não é fácil fazer um texto interessante, principalmente para matérias para televisão, falo isso com respeito ao curso de comunicação, descobri recentemente que para rádio é pior ainda…

Ontem, enquanto assistia ao Jornal Hoje às notícias sobre o terremoto do Chile, que segundo Evaristo Costa, foi novecentas vezes mais forte que o que abalou o Haiti, percebi (com meus ouvidos aguçados) que no texto narrado por Sandra Annenberg, durante as imagens dos escombros dos prédios atingidos, e do que antes fora uma cidade, ela mencionou algo do tipo:

“…foram xxx mortos… e muitos prédios ficaram danificados”.

Sério! Não quero ver quando um terremoto realmente arrasar um lugar inteiro como mostrava as imagens, o que será que ela vai dizer?

Dá para arrumar com cuspe?

Não sei se o texto era dela.

Deve acontecer muito com os textos locais também, aos quais não tenho tido paciência de prestar atenção, assistir tv ultimamente têm sido uma tortura, também pudera depois de dez meses de monitoramento!

Voltando ao raciocínio de que não quero ser a piada de amanhã; Vou me esforçar para não pagar tanto mico… É bem possível que não consiga, porque até aqui, nesse espaço, vez ou outra penso bobagens…

Acredito que de tanto alguém fazer algo, fica condicionado e, não tão atento quanto deveria.

É bom que eu morra tentando acertar.

Só quis falar sobre o assunto, porque faz tempo que não menciono nada relevante.

domingo, fevereiro 7

Infrutífera

Nunca começo um post, texto ou redação pelo título, contudo é exatamente assim que me sinto nesses últimos dias.

Estava tão ansiosa por festas, saídas ou sei lá o que, que criei expectativas muito fortes, que resultaram em desastres completos. Meu fim de semana foi chato, frustrante e deixei desencadear em mim o que há tempos não acontecia, uma explosão de raiva.

 4699emo-messbrasil (salvo os momentos únicos que pude usufruir, mas é que os ruins foram marcantes… tamanha a quantidade de controle físico e mental que tive que exercitar, e um a zero para raiva).

Se analisado pelo lado otimista da “coisa” isso é bom, estou de volta à todo vapor. Entretanto, minha preocupação e consequente decepção maior ainda, é que acreditei que essa minha raiva incontrolável já estava dominada e tratava-se de mais uma página virada em minha personalidade. Estava redondamente enganada. 

Pior ainda é ter ciência disso agora com o reinício das aulas.

Amanhã será o primeiro dia do curso de roteirista e retomada das aulas na faculdade também. O primeiro dia é sempre o pior de todos (sempre foi assim comigo), mesmo assim nunca evito de comparecer. Deixar de fazê-lo é como dar minha razão à alguém, gratuitamente. Isso me desarma e dificilmente ando desarmada .

Então lá estarei eu, pontualmente.

Mas, voltando a origem do título deste post, é exatamente o que me tirou o sono ou incitou meus pesadelos mais complexos nesse período turbulento de férias, crises de falta de criatividade. Não é à toa que alguns posts não contribuíram em nada para você ou pra mim. Não me arrependo de tê-los escrito, porém, sou consciente que realmente foram bem pobres. Mas, o que me motivou de certa forma é dizer que também tive muitas dessas ausências criativas.

E, culpo de fato ter me deixado escravizar pela tecnologia. Tudo bem, sei que não é desculpa. Também não é para minha letra manuscrita ter ficado tão feia por falta de uso. Entretanto, deixei de anotar muitas coisas que observei e que poderiam render ótimas discussões e posts criativos, no entanto, não o fiz por não estar com o notebook, como faço no período letivo. Faço minha mea culpa.

Não deixe de anotar nada, ou você pode perder as suas melhores idéias. Depois não adianta fazer cara feia.Todavia as anotações são imprescindíveis para apreender todas as idéias que surgem de apenas uma deixa, por exemplo, é lógico que se perdem porque nem todas são inseridas no contexto no momento da criação, mas é de uma importância quase imensurável mantê-las vivas, mesmo que seja num guardanapo de papel de uma mesa de bar, que ficou esquecido na gaveta do lado direito da cômoda...

Acho que podemos combater o bloqueio criativo nos antecipando ao seu surgimento, não é?

Apesar de infrutífera hoje, deu até para dar uma dica do que não se pode fazer daqui pra frente.

quarta-feira, dezembro 2

Texto legenda

Vasculhava a internet, só para que o tempo me tragasse...

Joguei meu nome no Google, na décima primeira página de resultados, achei um blog que utilizou uma das minhas frases (que publiquei no pensador).

Ele, um poeta, amante de artes marciais, estudante de Direito, escolheu minha frase como texto legenda para uma foto. Transmitia um pouco do que eu quis dizer.(http://confinandofotos.blogspot.com/2009/08/s-em-voce-o-dia-fica-cinza-terra.html). Ele deu o crédito. Fiquei muito surpresa e feliz.

 

Foto...

Texto legenda...

Quando isso vai passar?