"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quarta-feira, outubro 27

Conjecturas psicológicas de um dia qualquer

Uma sala grande, alguns notebooks, pessoas ao redor, praticamente enfiadas em suas telas de cristal líquido, perdidas em seus mais variados pensamentos.
Barulhos tão chatos, tornam-se totalmente inexistentes e ignorá-los é um exercício de concentração.
Os sons produzidos pelas teclas pressionadas com forças irregulares, transformam o tormento pelo qual todo o escritor transita, em uma quase sinfonia.
Fones de ouvidos têm propósitos que vão além da atrofia auditiva, é um pretexto para tudo que não se quer ouvir, dentre tantos, a necessidade de alguns existir, ou coexistir. Ninguém os chamou, ninguém partilhou dos mesmos assuntos e eles continuam ali, falando…

As expressões nos rostos franzidos variam de mero conformismo com uma rotina criada unicamente para pagar e fazer novas contas, com a ambição em ser alguém melhor, intermediados pela incógnita dos por quês individuais.
Os risos e gracinhas fazem parte, afinal o que seria dos dias todos iguais se não houvesse o deboche? Quem o criou deveria ter uma estátua para adoração.
“Egoísticamente” não há interesse algum em quem tem dificuldades de interpretar os sinais… de não se aproxime, ausência, repúdio e de hoje ser só mais um dia em que nada é alterado.
De repente, um piscar de olhos e todos trabalham.
Reflexões de que não há o que ser escrito senão as impressões psicológicas do que os olhos vêem todos os dias, para desconstruir o “tudo sempre igual”. Porque os móveis, os equipamentos que não apresentarem defeitos, continuarão, as pessoas evoluirão ou não… até não existirem mais substancialmente ou na lembrança de “alguéns”.

*E o que há de interessante nisso?