"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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sábado, fevereiro 13

I came back!




Depois de um hiato que parecia interminável: "Olhaaaa elaaaaa!", o gosto pela escrita voltou.

Na verdade nada volta a ser como antes, e isso é ótimo, porque o antes já passou e o futuro é imprevisível, como tem que ser. 


As boas novas se dão em virtude dos passos cautelosos de quem não tem nada a perder, mas também não quer perder mais tempo. 



Este espaço promete retomar publicações que respeitem um certo período, não tão certo ainda, como exercício de desapego. Porque não dá para carregar tudo na bagagem sozinha.




Afinal, algumas histórias merecem ser contadas com detalhes, por mais sórdidos que possam parecer, pois não poderemos contar com a memória para sempre. Assim, 2016 merece vários ensaios vintage, com gosto de "ainda não sei".

sábado, outubro 27

No pretérito imperfeito do indicativo


Eu gostava de quando você completava minhas frases, não era adivinhação, era apenas seus pensamentos em sintonia comigo.

Gostava quando chovia e você dizia que era o melhor momento de ficarmos juntos, como as gotas que tocam o solo.

Eu gostava de quando me telefonava minutos depois de nos despedirmos, para dizer que meu gosto ainda estava em teus lábios.

Gostava de quando você cobrava o que eu não havia prometido.
Eu gostava da sua sensibilidade e do jeito como assistia ao mundo.

Gostava de adormecer em teus braços e despertar ao som de "Bandolins".
Eu gostava de te ver trabalhando, da tua entrega e ver o brilho em teus olhos, que um dia desapareceu.

Gostava de te ver no banho e da tua insistência para quase tudo.
Eu gostava do sexo à noite e de fazer amor pela manhã.

Gostava das nossas discussões acaloradas e de como consertávamos as coisas.
Eu gostava do respeito e admiração de antes e não da aversão de agora.

Gostava muito mais de como era.
Eu gostava de amar você.

segunda-feira, maio 21

De vítima a algoz


Se tornar alguém que você mais odeia não é algo que você idealiza, simplesmente acontece.
Alguns sentimentos que não são propriamente assimilados fazem com que seu comportamento seja exatamente como aquele que o ofendeu, magoou e fez um rombo enorme na sua compreensão de certo e errado. “O homem é produto do meio” - Parece mais uma explicação plausível num contexto muito abrangente. Fácil de admitir se tentar simplificar tudo.

Divago muitas vezes em meus textos, mas o alicerce é sempre de coisas que percebi e analisei, raramente falo de sentimentos totalmente meus. Este é quase uma confissão.
Quase, porque creio que a partir do momento que tenha que ocultar tantos fatores importantes se torne uma história onde possa observar outros pontos de vistas que divirjam do meu...

Enfim, atualmente acredito que as histórias dos relacionamentos têm o tal começo, meio e fim. As finalizações não necessariamente precisam ser rompimentos desastrosos, cheios de mágoas, com todos os sinônimos ofensivos que conseguir lembrar e o que não for possível recordar que existam, sejam criados na hora. Mas, não pensei sempre assim...

Houve um tempo em que pensei ter acumulado fracassos ou passatempos para algo maior, que julgava não haver soluções. O tempo passou e me provou o contrário, sempre existe a tal solução, apenas não é como gostaríamos.

Tive uma história, escrita a quatro mãos, não a desenvolvi sozinha, era noite e chovia. E, foi assim muitas noites depois. Ponte e vírgula nos separavam e depois houve um abandono, ninguém mais quis escrever daquele jeito e as páginas ficaram amareladas pelo abandono...

Não sei ao certo quando foram retomadas, mas isso aconteceu e novamente páginas jogadas ao vento, para não lembrar que um dia a história teve começo e este seria o fim, sem fim.  Apenas lágrimas de ódio, por ter faltado mais respeito e sobrado muito amor... Quem sabe?

Um dia pensei ter amado alguém, era um homem cheio de qualidades e desajustes, o que as pessoas chamam de defeitos, eu não era cega por ele, via os tais desajustes e eles me eram bem incômodos, o suficiente para abrir mão do que julgava ser amor.

Entretanto, não poderia muda-lo como fiz com os outros com os quais tive alguma história, se não deixaria de ama-lo. Melhor que permanecesse platônico, mas a coisa saiu do controle. E deter o controle era zona de conforto da qual já havia experimentado e não me era mais atraente. Me joguei do tal precipício... Na época imaginei que havia sido em vão. Mais um erro para minha coleção.
Tudo então mudou, principalmente a maneira com que via o mundo, os meus mundos e as personalidades esquizofrênicas que poderia assumir, agora haviam se resumido.

Decidi que não haveria de assumir relacionamentos e principalmente,  meus sentimentos por mais ninguém, jamais diria novamente:

_ Eu quero você para mim! – Ou coisa semelhante.
A onda agora seria curtição. E, foi o que me propus a fazer. Na primeira saída, a má vontade, umas biritas e do nada um anseio enorme de beijar na boca... Louca, louca, louca. Olha quem pareceu estar viva novamente?!

No dia seguinte...
- Que saco esse lance de dia seguinte! Não precisa ligar, ou pior ir até mim, não serei a mesma da noite anterior, não quero lembrar, foi coisa de momento e já passou.
Mas, não as pessoas tendem a se envolver e já me vacinaram sem que eu pedisse.  O resultado foi magoar quem não me devia nada.

Se disserem meu nome para ele hoje, talvez faça uma expressão facial muito parecida com a que fiz até uns meses atrás quando ouvia outro nome, o nome dele, daquele que supunha ter amado.

Hoje não me importo mais. Curei minhas feridas. Me perdoei e acho que ainda não amei, porque amor não dói. O que dói é estar vivo e a gente se acostuma.

Agora sim, minha história teve fim. Um final feliz porque sei o que fiz, o que me foi feito e de tudo que tirei proveito.
Me venci!

domingo, maio 6

A trama complexa da traição


Ninguém deseja ser traído em razão do sentimento universal de posse.  Imaginar o ser supostamente amado com outro alguém é como sentir que deixou de ser importante. E, no fundo todos querem ter a tão sonhada importância para alguém, como para si mesmo.

A hipótese de amor se adequa porque não se sabe ao certo a definição para tal sentimento. Amor se tornou sinônimo de anulação, submissão e renúncia ou coisas sofríveis e de uso prolongado.

Hipoteticamente o amor poderia se parecer com o DNA, apesar das teorias que se espalham e ganham rios de dinheiro para os que acreditam poder defini-lo e/ou identifica-lo, cada um imagina para si como melhor lhe convém, assim como a dor não pode ser medida, pois cada um tem seus próprios limites para suportá-la.

Esse raciocínio não é uma apologia à promiscuidade.
Por hora são estabelecidas regras de conduta, dentro da moralidade e do que a sociedade delineou por ser o certo.  Uma prática obviamente falida, assim como o casamento o é.
Ninguém pode se sentir sujo se não souber que foi enganado. Deste modo, a tal sujeira é psicológica.  Contudo, pensar em outra pessoa enquanto tem ao seu lado alguém com que divide sua rotina, não deixa de ser traição. Este talvez seja o mais doloroso sintoma e facilmente identificável, comumente ignorado. Como fechar os olhos e fingir desaparecer.

Os pensamentos não podem ser controlados, menos ainda, monitorados, estes às vezes perduram. A traição pela traição é solúvel, as complicações são inflamadas quando da ação se questiona com quem.  É quem promove a instabilidade utópica na relação que de fato incomoda não a ação propriamente dita.

Surgem os porquês e a necessidade de obter respostas. Inutilmente, já que não se sabe ao certo formular as verdadeiras perguntas.

Mas, a baboseira toda de traição e o conceito de sujeira física e psicológica são completamente desconstruídos a partir da visão por parte da única chance de experiência, afinal ninguém poderia saber como seria a materialização da pessoa perfeita no universo paralelo, em apenas 1h30min se não a experimentasse.

Esse seria o prazo máximo de duração. Depois as pessoas complicam tudo, porque a adrenalina e sentimento de liberdade são viciantes, naturalmente querer mais seria o próximo passo, o que não acontece. Havia uma hora, um lugar, uma pessoa, uma atmosfera propícia. Nada se repete. Nunca é igual, melhor, pior, nunca igual.

Apesar de todas as regras, o controle, as imposições, não evitam a tão temida traição.
Mas, evitar ou se privar de conhecer tais sentimentos desorganizadores também não seria uma forma de trair a si mesmo? Se condenar a morte ainda em vida?
Deveríamos viver de momentos, intensidades ao invés de nos deixarmos escravizar pelo tempo nessa trama complexa.

sábado, fevereiro 5

O que não dura para sempre

Numa bela confissão de amor
me enganei...

Foi um amor sofrido, desses incomuns
que não é encontrado em qualquer lugar
e que não se mantém facilmente...

Desses que nada deve ser feito
Nem por merecimento, tão pouco por direito,

Intocado... deveria ser assim…
Caso contrário haveria veneno,
Seria raivoso, ciumento

Nem suculento, nem auspicioso,
coisa quase impura
Quebrado por ambos.