"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quinta-feira, maio 27

Desprezo às divergências e consumidos pelo amor

Já era tarde quando comecei a lamentar minha falta de histórias... Então lembrei da história de amor de um casal que conheço a não sei quanto tempo...
Práticaconstante e Contratempo. Acreditem meus caros, esse amor nasceu em meio à contramão dos desejos. Ela, moça prendada, organizada ao extremo, não se permitia mudanças. Qualquer modificação em seu dia lhe provocava dores quase físicas.
Ele, rapaz bonito, porém um tanto desajustado aos olhos da sociedade mais conservadora. Não encarava bem as imposições, regras com ele era motivo de desafios. Sob as críticas dos mais poderosos, fazia tudo para provocar a ira dos velhotes. O apelidaram de Provocador, mas Contratempo não se importava nenhum pouco. Queria mesmo saber de Adrenalina, rapariga que deixava todos os homens loucos e não ficava muito tempo com ninguém, nenhum relacionamento duradouro.
Um golpe dado pelo Sr. Destino, um sábio respeitado na região, fez com que Contratempo, após aprontar uma das suas, ficasse preso em casa por uma semana. Medida drástica decidida em função do envolvimento dele com uma outra moça, que resolveram manter o nome em sigilo.
Para Contratempo aqueles dias seriam infinitamente torturantes. Resolveu curtir um som. Imagine aquele rapaz altivo, sedutor, charmoso, galanteador, com um olhar que diz mais que mil palavras. Como todo pedaço de mau caminho precisa ser, preso sozinho dentro de casa, ai, ai, ai (até eu, ops... voltando a historinha).
Práticaconstante, precisou sair de casa às pressas, quase em desespero à procura do velhinho que trabalhava de síndico no prédio onde morava, Sr. Caminho, que por causa da idade avançada, não atendia mais o interfone. Ela estava enlouquecida de raiva, afinal de contas, Práticaconstante teve uma de suas regrinhas, obedecidas religiosamente, quebradas por um ruído ensurdecedor vindo do apartamento do vizinho recém chegado.
E acompanhado de sua neta mais nova, Paciência, que o Sr. Caminho foi até o apartamento “barulhento” a pedido de Práticaconstante, que mesmo enraivecida, era muito tímida para reclamar e se posicionou atrás do Sr. Caminho e de sua netinha Paciência.
Após várias tentativas de fazer o vizinho barulhento parar, já estavam desistindo quando os ruídos finalmente cessaram e a porta se abriu... Eis que surge um rapaz muito bonito, com olhos verborrágicos e um sorriso hipnotizador, fez um sinal com a cabeça para saber do que se tratava aquele alvoroço todo. Até que viu Práticaconstante e ela o fitou de volta. Ambos fixaram seus olhares por tanto tempo que o próprio tempo pareceu com vergonha e fingiu não existir mais.
O Sr. Caminho deveras conhecedor da natureza humana, pegou sua neta Paciência pela mão e disse baixinho: “Vamos querida, vovô já viu esse filme muitas vezes”.
Aqueles segundos onde os olhares repousaram em seus respectivos corpos, fez com que esquecessem do incidente que os levaram até aquela circunstância.
E foi assim, que se apaixonaram perdidamente, Contratempo e Práticaconstante. Um não vive sem o outro. Brigam como qualquer casal, mas quando a coisa fica feia, Práticaconstante chora de saudades de Contratempo, e ele por sua vez, não fica um só dia longe dela.