"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
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quarta-feira, agosto 17

O silêncio verborrágico de um diário de bordo não escrito

Não faltou coragem, me deixei levar... apenas fui e vivi.

Ao desembarcar mal sentia meus pés, pareciam ter optado por permanecer sob as nuvens. Ainda descrente enchi meus olhos com toda a informação que fosse possível capturar e havia tanto. O olhar agia como lentes nervosas, cujo ISO e obturador, propositalmente configurados para que entrasse toda a luz, capaz de invadir minha alma velha, disparasse ininterruptamente. 

Sem exageros cada sorriso era um flash, o rosto por hora parecia ter congelado, os músculos todos contraídos em um só formato, deliciosamente motivado.

O brilho incandescente daqueles olhos ofuscaram todos os outros filetes, e a luz oriunda daquele sorriso me deixou muda e paralisada. Não sabia pelo quê esperar ou se deveria.

Tanto tempo... Era como se não havia existido. Uma grande pausa e todos os sonhos recolhidos, as decepções colecionadas por mais de uma década, se transformaram em apenas sonhos ruins. Nada além... Como pode?
Ver o igual por outro ângulo.
Foto: Éverton Fagundes
E tudo ficou perfeito. Até o chamar de minha atenção era suportável, mesmo que precisasse de um tempo para processar tais conhecimentos, tudo era novo e não sabia o que pensar.

Não estava no comando, apenas deveria me deixar guiar. E foi tão bom ser eu mesma, abusar da fragilidade escondida tão profundamente, nada de blindagem, sem armadura. E sem vergonha ou medo.
A tarde de sol e um calor gostoso ganharam estrelas em apenas um lugar, era possível observar dali até a estratosfera. Eu ria, via, sentia...


Depois podia comer um caminhão de cultura, arte, pintura, livros, cinema, tudo à disposição, ao alcance dos dedos e meu medo... era só em querer tocar e finalmente perceber que era tudo verdade.

Ouvir os sons de todos os tipos, as músicas desconhecidas e, um perfume de casa limpa, como a que imaginamos nas propagandas de amaciante de roupas... Depois contemplar o pôr do sol. 

Tudo isso no primeiro de sete dias.
Não queria mais acordar. Nunca mais.


terça-feira, junho 21

Não é amargo, nem doce...

Saudades das sensações

Beber um cálice inteiro e, quantos outros forem desejados.
Esperar que o corpo reaja, como quem padece pensando sentir.
A entrega plena de uma alma pequena, moralmente cansada, desgastada pelo tempo perdido...
Não é amargo, nem doce...

Queima e suavemente desobstrui tudo que impedia a fala...
E segue assim, comumente.
E como mente, quem diz o inverso!

Conto as horas, os segundos, as gotas douradas...
Das mágoas passadas, dos versos submergidos.
Porque de fadas não entendo nada.

quinta-feira, janeiro 13

Pancadas de chuva

Chuva forte que lava a alma e traz recordações

Meu corpo molhado, quente, sente frio

A pele arde febril e reage ao sentimento

Caio doente de saudades...

 

Porque a dor que trago no peito

Não é desespero, nem caridade

Nem amor ou desamor

É mais e melhor!

domingo, setembro 5

Nua, sem armadura

Hoje foi um dia especial. Como todos os outros, cheios de segundos que formaram momentos intensos e agradáveis. Viver assim faz com que as saudades que sinto, são de como eu fui e com quem fui capaz de conviver, raramente um desejo de retornar a qualquer princípio. Porém, (sempre deve haver um porém), senti algo muito parecido com tristeza, que se misturou com nostalgia, e sei lá, um futuro incerto. Uma vontade de não fazer planos e quando finalmente pude me flagrar procurando saber de onde tudo isso começou... Fiz planos de não fazer planos...

Lembrei do início da minha vida profissional e antes dela, minha relação com a escrita. Quando de fato percebi o que significava para minha vida, escrever. Sabe aqueles lances de filmes onde você é o “voz over” ou voz de Deus (quando o personagem conta a história, estando inserida nela ou não)?
Eu fazia diários, lógico... sem nenhuma novidade até aí, escrevia o que sentia, e na maioria das vezes era triste. Recordei de uma vontade enorme de escrever um livro, e o fiz acho que na sexta série, recebi até certificado.

Foi meu primeiro livro, nada que tenha sido publicado por uma editora qualquer, mas cujas percepções foram minhas, falava sobre meio ambiente, e meu pai o havia ilustrado. Eu lia muito, para alguém com treze anos, a transição se deu em função de vários objetivos, o primeiro é porque ouvia a conversa dos adultos, mas segundo minha formação, não poderia participar delas. Mas, queria entender... Depois por causa dos garotos, já que não era bonita. Desejava que me respeitassem por minha “inteligência”, falava difícil para que “eles” não me vissem como alguém sem conteúdo, até que descobri quem eram os “vazios”. Eles não entendiam nada do que eu dizia, muito menos o meu sarcasmo (não mudou muito). Não sei onde guardei essas lembranças, mas deve ter sido num lugar tão seguro, que nem eu as pude encontrar, até hoje.

Depois um breve salto até a adolescência e na minha dificuldade enorme de me comunicar e expressar meus sentimentos, a timidez praticamente me esmagava, reduzia a minha existência a algo menor que um centímetro. Escrevi uma carta para os meus pais... Os deixei preocupados, por não falar sobre a forma com que encarava o fato de me mudar tanto de um cidade, Estado, região. Choque cultural, foi apelido. Difícil mesmo foi ter que recomeçar sempre. Foi assim até os dezessete anos. Fase bem complicada, como a de qualquer adolescente. Mais leitura, mais diários. No segundo grau, me divertia com versos e poemas que eu escrevia a pedido das minhas amigas (naquele tempo eu era boa até, não tinha esse peso que trago nas linhas que escrevo hoje), elas entregavam aos namorados e eles se derretiam, mal sabiam que eram de minha autoria, rsrsrs. E, nunca souberam.

Passei por algumas experiências de trabalho que me fizeram amadurecer rapidamente, como profissional, a identificar muitas coisas também. No meu primeiro emprego com carteira assinada, após deixa-lo por uma oportunidade de melhor remuneração, escrevi um manifesto. Rsrsrs. Acho que deu certo, algumas pessoas foram substituídas, ouvidas, promovidas, excluídas, e o que todos pensavam foi dito por alguém, que já não importava mais. Ainda tenho o respeito de todos e uma vaga quem sabe se um dia precisar.

Cinco mil quilômetros de distância percorridos pelo ar, como se fosse possível abrir os olhos e viver outras vidas, me trouxeram para onde me encontro hoje. A escrita faz parte de mim. Então, internet e blogs, diários de novo. Com a diferença que alguém, em algum lugar lê o que escrevo aqui. Às vezes assusta.

Decidi que queria deixar algo meu para alguém, desde que isso ajudasse de alguma maneira. Contudo, diante dos obstáculos meu desejo mais recente, me cegou, bloqueou, confundiu e é possível que seja covardia mesmo...
Durante esses dias todos, não escrevi uma linha, em função do meu desejo de escrever meu livro, como trabalho de conclusão. As palavras simplesmente me abandonaram por escolhê-las demais. Nunca está bom o suficiente, e desejo sempre mais.

Senti saudades de casa hoje. Mas, não tenho essa casa da qual sinto tanta falta.
Então, pensei que talvez tenha algo a ver com a morte, exteriorização do meu subconsciente temeroso. É bem provável que seja, afinal, morrer sem ter feito nada de relevante, deixar de existir sem ter feito nada de importante para alguém e “egoisticamente” falando, como sempre falo e encaro meu mundo “de umbigo profundo”, seria um desperdício sem precedentes.
Ajo tão friamente, às vezes, pelo simples fato de ver poesia em tudo, que isso além de atrapalhar, chega a ser ruim porque a probabilidade de ser incessantemente decepcionada é exagerada. Mas, ninguém me prometeu nada.
...e a nudez que a armadura revela... *Foi um dia especial, voltei a escrever.

quinta-feira, maio 27

Desprezo às divergências e consumidos pelo amor

Já era tarde quando comecei a lamentar minha falta de histórias... Então lembrei da história de amor de um casal que conheço a não sei quanto tempo...
Práticaconstante e Contratempo. Acreditem meus caros, esse amor nasceu em meio à contramão dos desejos. Ela, moça prendada, organizada ao extremo, não se permitia mudanças. Qualquer modificação em seu dia lhe provocava dores quase físicas.
Ele, rapaz bonito, porém um tanto desajustado aos olhos da sociedade mais conservadora. Não encarava bem as imposições, regras com ele era motivo de desafios. Sob as críticas dos mais poderosos, fazia tudo para provocar a ira dos velhotes. O apelidaram de Provocador, mas Contratempo não se importava nenhum pouco. Queria mesmo saber de Adrenalina, rapariga que deixava todos os homens loucos e não ficava muito tempo com ninguém, nenhum relacionamento duradouro.
Um golpe dado pelo Sr. Destino, um sábio respeitado na região, fez com que Contratempo, após aprontar uma das suas, ficasse preso em casa por uma semana. Medida drástica decidida em função do envolvimento dele com uma outra moça, que resolveram manter o nome em sigilo.
Para Contratempo aqueles dias seriam infinitamente torturantes. Resolveu curtir um som. Imagine aquele rapaz altivo, sedutor, charmoso, galanteador, com um olhar que diz mais que mil palavras. Como todo pedaço de mau caminho precisa ser, preso sozinho dentro de casa, ai, ai, ai (até eu, ops... voltando a historinha).
Práticaconstante, precisou sair de casa às pressas, quase em desespero à procura do velhinho que trabalhava de síndico no prédio onde morava, Sr. Caminho, que por causa da idade avançada, não atendia mais o interfone. Ela estava enlouquecida de raiva, afinal de contas, Práticaconstante teve uma de suas regrinhas, obedecidas religiosamente, quebradas por um ruído ensurdecedor vindo do apartamento do vizinho recém chegado.
E acompanhado de sua neta mais nova, Paciência, que o Sr. Caminho foi até o apartamento “barulhento” a pedido de Práticaconstante, que mesmo enraivecida, era muito tímida para reclamar e se posicionou atrás do Sr. Caminho e de sua netinha Paciência.
Após várias tentativas de fazer o vizinho barulhento parar, já estavam desistindo quando os ruídos finalmente cessaram e a porta se abriu... Eis que surge um rapaz muito bonito, com olhos verborrágicos e um sorriso hipnotizador, fez um sinal com a cabeça para saber do que se tratava aquele alvoroço todo. Até que viu Práticaconstante e ela o fitou de volta. Ambos fixaram seus olhares por tanto tempo que o próprio tempo pareceu com vergonha e fingiu não existir mais.
O Sr. Caminho deveras conhecedor da natureza humana, pegou sua neta Paciência pela mão e disse baixinho: “Vamos querida, vovô já viu esse filme muitas vezes”.
Aqueles segundos onde os olhares repousaram em seus respectivos corpos, fez com que esquecessem do incidente que os levaram até aquela circunstância.
E foi assim, que se apaixonaram perdidamente, Contratempo e Práticaconstante. Um não vive sem o outro. Brigam como qualquer casal, mas quando a coisa fica feia, Práticaconstante chora de saudades de Contratempo, e ele por sua vez, não fica um só dia longe dela.

Saudades

Juro que estou com saudades de textos mais inspirados, dos contos, das fábulas, das histórias. Mas meu corpo não corresponde…

Quando me inspiro, preciso fechar os olhos…

Fito tão profundamente meu ser, que quando dou por mim… dormi.

Assim não é possível produzir. (Rsrsrs)

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*Como dizia…Zzzzz

zzzzzz  zzzzzzzzz   zzz

domingo, março 21

“...olha como tu és”...

Uma frase legítima de quem ficou magoado com alguma coisa, feita por alguém...  um sonoro: “Olha como tu és”, instiga uma reflexão mais sincera.

Quem sabe você seja honesto o suficiente para reconhecer que deixou de reconhecer algo, alguém, ou pior ainda, algo que alguém fez pra você.

Eu mesma já ouvi muito: “Como tu és injusta”. Uma boa hora para que me cale.

Pirata fica magoado? – Claro que não, ele puxa a espada e depois, só Deus sabe.

O ser humano sempre tem duas opções, chamam isso de livre arbítrio.

Só há duas formas de viver, evoluir ou involuir.

Então, se pensarmos como era um papagaio de pirata antes de evoluir... talvez não sejamos capazes de compreender o processo todo, o histórico mais a fundo. Nesse aspecto, sejamos todos rasos (rsrs).

Melhor não pensar, apenas subir a bordo, e esperar pelas aventuras em alto mar.

E foi assim, uma noite perfeita depois de um dia daqueles em que somos sugados e aparentemente, não nos restam mais forças.

E, na hora do diabo, a pirataria é plena. Isso mesmo, já passava das três da manhã.

As discussões fluem em ondas culturais. Tudo que é produzido de norte a sul, passa pela análise minuciosa de uma mesa posta e cercada por tudo que é importante: Amigos!

Já notou como a noite fica linda iluminada apenas com o céu?

Experimente ascender um incenso.

As ondas batem no casco do barco, suaves e, um vai e vem gostoso nos leva para destinos incertos.

As músicas não se restringem a preencher os poucos espaços de silêncio. Eis, o fomento do conhecimento.

No convés limpo, os pés tocam o chão, para ter a sensação de ter poder nos próprios passos, que deixaram de pertencer a uma única pessoa. Éramos oito até ainda a pouco, agora três já andaram na prancha... restam ainda os três bravos piratas, uma piratinha e um papagaio.

Os copos não esvaziam. A música já não é tocada pelo amigo da capa preta, nem o Mestre das Ilusões. Este último por sua vez, enche o ambiente com respostas de efeito.

Hoje acontece a preguiça do pensar... ser pirata é ter raciocínio”, declarou em alto e bom tom, o Mestre das Ilusões.

A galera arrota projetos... não gosto nem de falar em projetos”, repudia o Capitão Alma Negra.

A terceira geração somos nós... pensamos, mas não fazemos... Pensar globalizado é regionalizar a cultura de forma internacional”, justifica o Cavaleiro da Capadócia, agora com outro posto (rsrsrs).

Fluídos de uma energia positiva pairam no ar nesse momento, predizem o que está por vir.

Como piratinha que sou, me limito a perceber até onde é possível, que o significado de ser pirata, parte do princípio onde me permito ser engolida pelo mar de possibilidades. Apenas isso.

Não há no mundo almas tão livres, que não submerjam aos níveis de loucuras sãs, que conduzem os seres chamados pensantes aos limites inimagináveis do ato de sonhar. Sonhemos juntos, em encontrar em cada porto um perfume de descoberta, um rastro de mistério a ser desvendado e, seguir em frente com a lembrança dos que ficaram para trás. Talvez ainda, permitir-se só sentir, e ainda assim, nunca sentir-se só.

“Querer”, “Saber”, “Ousar” é um convite a montar no “Cavalo do cão” e seguir para onde Deus quiser, mas se ele não quiser, não desistir no meio do trajeto. Há quem abra os caminhos para os desbravadores, porém percorrer é salutar.

Os cinco são capazes de apreciar as três de uma quadrilogia... A última história ainda a ser contada.

“Melhor sentar”... para não começar perdendo, como o papagaio de pirata, que a esta altura repete erroneamente “Gabiru”, ao avistar por sobre o ombro direito do capitão Alma Negra, uma ilha (Gaibu é o nome do lugar) cercada de mistérios, que guarda histórias de Pink Floyd e um saco de dormir.

Isso é ser pirata. Ter privilégios grandiosos de recordar a densidade do ar que foi respirado e, qual o sentido disso tudo. Apague as luzes se for possível, mas senão , deixe acesa, e que a música que fala da mulher que não acredita que o homem amado admire sua beleza, seja injetada hiperbolicamente somente com a força do olhar.

Nesse meio tempo, dance todas as danças que a música se atreva a lhe conduzir, feche os olhos e agradeça internamente por estar vivo e ainda assim sentir saudades.

Declame poemas, versos, escreva sobre tudo que quiser.

Mas, esteja ciente que há em algum lugar, alguém que irá lhe superar. Aproveite seus momentos, eles passam.

Sirva-se de mais alguns goles, até ser capaz de ver nas nuvens macacos fazendo travessuras. Que o tempo passe, mas deixe marcas irremovíveis.

Los piratas de los bares - Nessa foto não faltou ninguém. Estão todos que tinham que estar, até o hino dos piratas. Saudades...

Dê-se por satisfeito em saber que tudo que está escrito por você, pode fazer sentido ou não, contudo, nunca irá expressar verdadeiramente aquilo que és capaz de sentir.

Demorei a registrar porque saudades só tem no nosso idioma. E já sinto a minha parcela.

domingo, outubro 18

Entre cifras e acordes, uma noite compassada

Lá estava ele todo prosa, em meio ao ambiente meio verde, meio rosa, com uma luz um tanto alaranjada.
Com passos de levantar poeira, todos os amigos sentados ao redor da mesa e, mais e mais cadeiras foram necessárias para acomodar todos ali, perto do palco improvisado.
Um artista incorporado e seu momento...
Abrem-se as cortinas do espetáculo, só um oráculo para decifrá-los, antes dos primeiros acordes o anúncio feito pelo homem de braço quebrado, “Silvio Neto”, disse ele, “Num Tributo a Raul Seixas”.
P1040222 E a noite começou…
…com meia dúzia de gatos pingados, que deram lugar as cadeiras ao redor das mesas e ao som embalado, por um cheiro de saudades daquelas frases repletas de subliminaridade, foi quando do nada não havia mais todo aquele espaço no local com paredes pintadas de cunani e maracá, talvez um macaco com violão, mas o que importa eram os ausentes do presente, que convidavam à uma viagem sem rumo, só a fim de navegar por lembranças que foram vividas ou não.
Ora num ritmo acelerado, ora o deixava pairando no ar, aquele jeito maluco beleza de empolgar, quem via e ouvia no ambiente sem distinção.
PalcoGentePúblico   Silvio Carneiro
Uma sensação agradável, não era preciso mais nada, amigos, alguns copos sobre a mesa, conversas que ninguém entende e um som ao fundo que fala mais alto que emoção, para muita gente. Goles de água com limão para não ressecar as cordas vocais e dá-lhe mais Raulzito…
Num jeito meio esquisito, me despeço sem rodeios porque amanhã dos detalhes, não lembrarei mais.
“Ao redor do palco vez ou outra, uma rã roqueira fazia menção de querer entrar, se encorajou com o Rock das Aranhas, talvez por imaginar que a bicharada estava por chegar.
Se acomodou aos pés do cantor, num gesto de adoração também se pôs a cantar.”

sábado, outubro 17

A poesia quando se perde…

Recebi isso agora a pouco por email de uma amiga querida (Maiara, obrigada adorei), e resolvi dividir:

  Camões...

A redação da prova do Vestibular da Universidade Federal da

Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho do poema de Camões :

'Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente,

é um contentamento descontente,

dor que desatina sem doer.'

Uma vestibulanda de 16 anos deu a seguinte interpretação:

'Ah Camões!

Se vivesses hoje em dia, tomavas uns antipiréticos, uns quantos analgésicos, e Prozac para a depressão.

Compravas um computador, consultavas a internet, e  descobririas que essas dores que sentias, esses calores que te abrasavam, essas mudanças de humor repentinas, esses desatinos sem nexo, não eram feridas de amor, mas somente falta de sexo.'

A candidata foi aprovada com nota 10. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...' kiss20

Depois quando eu falo que a praticidade levou embora toda a poesia, me chamam de cética. Concordo em parte com a garota de 16 anos, sorte a dela encarar o mundo desta forma, talvez se machuque menos, talvez perca a chance de olhar o mundo de ângulos alternativos… Mas, a verdade é que morre lentamente quem imagina encontrar o amor, falar sobre ele, e que outras pessoas o compreendam.

Admita, foi divertido não foi? E de um olhar puramente feminista, só por essa noite, responda se puder. Homem em dia com o sexo, faz poesia senão quiser pegar mulher?

Pior ainda é quando ele finalmente pensa ter conseguido, resolve esnobar só para massagear seu ego “dolorido”.

emoemo2

Essa eu não podia deixar passar.

Nós mulheres sempre saímos com fama de complicadas.

quinta-feira, outubro 8

Caber na mala

Um amiga vai viajar... de verdade, não as viagens que faço todos os dias, ela vai pra Santa Catarina. Nessa época do ano faz muito frio lá, mas para os nortistas qualquer ventinho já é frio.
Então, ela me pediu ajuda para achar algumas peças para vestir, lugares onde comprar e tal... quando chegasse lá.
Enquanto pesquisava e dava umas dicas bateu uma saudade enorme...Queria caber na mala, sei que sou compacta. Mas, seria para não voltar mais.
Sinto saudades do frio, da palidez da pele, dos copos de quentão, dos corpos cobertos de roupas, e das idéias oriundas disso. Como será no verão?
Aqui no norte não rola isso, não tem mistério, tudo está sempre tão amostra, tão intediante. Não são particularidades que não vemos quando estamos no sul, a curiosidade às vezes está só no fato de não vermos as mãos embaixo das luvas, o pescoço escondido pelo cachecol, a silhueta, porque milhões de moletons fazem volume...
Das conversas sem ter que dar bilhões de explicações pelo que se quis dizer, nem mudar a entonação para que ninguém fique magoadinho... Basta conversar, sem se esquivar dos toques nada bem vindos, dessa pegação desnecessária.
Ok! Já sei como se comportam... mas, não sou assim, não adianta. Ao contrário do meu pai, não pertenço ao lugar onde estou.
Na verdade não pertenço a lugar nenhum... nem a ninguém. Sou senhora do meu domínio, destino e das minhas vontades.
Tô com tanta saudades de casa, do vento frio, das folhas que caem no outono, das combinações de botas pesadas com vestidos levinhos, de calor humano só para se aquecer, num gesto unicamente egoísta... Dos rocks espalhados por vários locais na cidade, onde quase não encontramos os "arroz de festa", "figurinhas repetidas", "piriguetes", lá para as atiradas , nos referimos como "chinas", e não chamamos, elas vem aos montes, como em qualquer outro lugar. São maus necessários, imagina se só existissem "moças pra casar"?
Viva o híbrido!!!
Mas, realmente estou com tantas saudades de casa, que poderia caber numa mala... pra não voltar mais.
Preciso muito viajar.