"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, outubro 22

Disciplina ignorada


Há tudo aquilo que não precisa ser dito. Outras coisas precisam ser esquecidas, enterradas.
Nesse caso, omitir não é pecado ou ato falho.
Pensávamos que o amor fosse química ou biologia; É apenas matemática.

quinta-feira, setembro 9

Inóspita dissidência

Queria ser mais presente,

Mais futuro,

Mas, tudo docemente inseguro...

Insiste em me desviar;

Saio do eixo, transcrevo e mal aconselho meu desejo de continuar...

Desse jeito meio sem rumo,

Divago,

Propago e padeço, o que tenho para idealizar,

Queria ser mais presente, inconsequente

Para não atiçar meus instintos,

Distintos,

Burlescos, se nada tenho a falar,

Minha inóspita incoerência que me permita calar e parar.

domingo, setembro 5

Nua, sem armadura

Hoje foi um dia especial. Como todos os outros, cheios de segundos que formaram momentos intensos e agradáveis. Viver assim faz com que as saudades que sinto, são de como eu fui e com quem fui capaz de conviver, raramente um desejo de retornar a qualquer princípio. Porém, (sempre deve haver um porém), senti algo muito parecido com tristeza, que se misturou com nostalgia, e sei lá, um futuro incerto. Uma vontade de não fazer planos e quando finalmente pude me flagrar procurando saber de onde tudo isso começou... Fiz planos de não fazer planos...

Lembrei do início da minha vida profissional e antes dela, minha relação com a escrita. Quando de fato percebi o que significava para minha vida, escrever. Sabe aqueles lances de filmes onde você é o “voz over” ou voz de Deus (quando o personagem conta a história, estando inserida nela ou não)?
Eu fazia diários, lógico... sem nenhuma novidade até aí, escrevia o que sentia, e na maioria das vezes era triste. Recordei de uma vontade enorme de escrever um livro, e o fiz acho que na sexta série, recebi até certificado.

Foi meu primeiro livro, nada que tenha sido publicado por uma editora qualquer, mas cujas percepções foram minhas, falava sobre meio ambiente, e meu pai o havia ilustrado. Eu lia muito, para alguém com treze anos, a transição se deu em função de vários objetivos, o primeiro é porque ouvia a conversa dos adultos, mas segundo minha formação, não poderia participar delas. Mas, queria entender... Depois por causa dos garotos, já que não era bonita. Desejava que me respeitassem por minha “inteligência”, falava difícil para que “eles” não me vissem como alguém sem conteúdo, até que descobri quem eram os “vazios”. Eles não entendiam nada do que eu dizia, muito menos o meu sarcasmo (não mudou muito). Não sei onde guardei essas lembranças, mas deve ter sido num lugar tão seguro, que nem eu as pude encontrar, até hoje.

Depois um breve salto até a adolescência e na minha dificuldade enorme de me comunicar e expressar meus sentimentos, a timidez praticamente me esmagava, reduzia a minha existência a algo menor que um centímetro. Escrevi uma carta para os meus pais... Os deixei preocupados, por não falar sobre a forma com que encarava o fato de me mudar tanto de um cidade, Estado, região. Choque cultural, foi apelido. Difícil mesmo foi ter que recomeçar sempre. Foi assim até os dezessete anos. Fase bem complicada, como a de qualquer adolescente. Mais leitura, mais diários. No segundo grau, me divertia com versos e poemas que eu escrevia a pedido das minhas amigas (naquele tempo eu era boa até, não tinha esse peso que trago nas linhas que escrevo hoje), elas entregavam aos namorados e eles se derretiam, mal sabiam que eram de minha autoria, rsrsrs. E, nunca souberam.

Passei por algumas experiências de trabalho que me fizeram amadurecer rapidamente, como profissional, a identificar muitas coisas também. No meu primeiro emprego com carteira assinada, após deixa-lo por uma oportunidade de melhor remuneração, escrevi um manifesto. Rsrsrs. Acho que deu certo, algumas pessoas foram substituídas, ouvidas, promovidas, excluídas, e o que todos pensavam foi dito por alguém, que já não importava mais. Ainda tenho o respeito de todos e uma vaga quem sabe se um dia precisar.

Cinco mil quilômetros de distância percorridos pelo ar, como se fosse possível abrir os olhos e viver outras vidas, me trouxeram para onde me encontro hoje. A escrita faz parte de mim. Então, internet e blogs, diários de novo. Com a diferença que alguém, em algum lugar lê o que escrevo aqui. Às vezes assusta.

Decidi que queria deixar algo meu para alguém, desde que isso ajudasse de alguma maneira. Contudo, diante dos obstáculos meu desejo mais recente, me cegou, bloqueou, confundiu e é possível que seja covardia mesmo...
Durante esses dias todos, não escrevi uma linha, em função do meu desejo de escrever meu livro, como trabalho de conclusão. As palavras simplesmente me abandonaram por escolhê-las demais. Nunca está bom o suficiente, e desejo sempre mais.

Senti saudades de casa hoje. Mas, não tenho essa casa da qual sinto tanta falta.
Então, pensei que talvez tenha algo a ver com a morte, exteriorização do meu subconsciente temeroso. É bem provável que seja, afinal, morrer sem ter feito nada de relevante, deixar de existir sem ter feito nada de importante para alguém e “egoisticamente” falando, como sempre falo e encaro meu mundo “de umbigo profundo”, seria um desperdício sem precedentes.
Ajo tão friamente, às vezes, pelo simples fato de ver poesia em tudo, que isso além de atrapalhar, chega a ser ruim porque a probabilidade de ser incessantemente decepcionada é exagerada. Mas, ninguém me prometeu nada.
...e a nudez que a armadura revela... *Foi um dia especial, voltei a escrever.

terça-feira, fevereiro 2

Canalize suas energias para produzir

(De volta  à funcionalidade para compensar a falta de conteúdo de ontem, ok?)

Revista Continuum do Itaú Cultural deadline.jpg Sei que você tem uma vontade enorme de falar aos quatro ventos. Que tal canalizar esta energia toda, para algo mais produtivo e começar o ano com a mente ocupada com algo realmente interessante, com maior visibilidade e que te renda bons frutos?

Seja repórter “Deadline” da Revista Continuum de circulação nacional.

Tudo que você precisa fazer é desenvolver um projeto de reportagem de até  1.400 caracteres ou seja, uma lauda e encaminhar para a seção Deadline (de reportagens) ou ficar bem à vontade para mostrar seus talentos  na seção Área Livre, para trabalhos artísticos como fotos, poemas, ilustrações, música, pequenos contos e outras formas de arte, textos mais reflexivos também têm espaço, como os pequenos artigos.

Os projetos selecionados serão publicados na edição impressa nº 25, meses março-abril de 2010 e/ou na versão On-line.

Todos os trabalhos deverão abordar o tema: A ARTE E A VIDA, assim ficou fácil, né?!

Ah! Já ia esquecendo de dizer, o projeto selecionado também receberá a quantia de R$300,00.

Clique aqui para acessar a página do Itaú Cultural

Público alvo da seção Deadline:

Somente para estudantes universitários de todo o território nacional. Não importa o curso que esteja matriculado, desde que seja na graduação.

Prazo para envio do projeto de reportagem:

Encerram dia 08 de fevereiro de 2010, na próxima segunda-feira então, não perca tempo!

Forma de envio do projeto: Pelo e-mail participecintinuum@itaucultural.org.br.

Inscrição é gratuita.

Mais informações sobre prazos, regulamento, convocatória e ficha de inscrição, clique aqui.

segunda-feira, dezembro 14

Quando os passos não tocam o chão II

E era um dia, e não era um qualquer…

Mas com certeza haviam pássaros,

E não era preciso que fosse a cotovia…

E o peito não dói mais,

Mas, guarda algo que não cabe mais lá…

Seria mais e foram alguns…

Momentos…

É possível sim, tocar as nuvens!

sexta-feira, dezembro 11

Um soneto para Vanda

   Vanda vivia sozinha num apartamento no sexto andar. Tinha vinte e poucos anos. Havia se mudado não fazia nem um mês.
   Gostava de todas as cores, desde que todas elas fossem “pretas”.
   Era pálida, com um semblante de morta.
   Os vizinhos desconheciam Vanda, mas gostavam de admirá-la. Ela chegava do trabalho, ascendia as luzes, limpava todos os cantos, uma sala pequena com dois ambientes, bem em frente à janela.
   Na primeira porta a direita o quarto, com cama de casal e um guarda-roupa, uma TV e um aparelho de som. Na porta a esquerda a cozinha que dava acesso a uma varanda pequena.
   Daquela altura dava para ver parte da cidade, e a noite só eram as luzes...
   Lá embaixo tinha uma casa grande, com piscina. E a observavam de lá. Vanda se debruçava no parapeito, já que não tinha sacada. Olhava por horas para o nada, sonhava, sonhava. Quando se dava conta, olhava para baixo e quando avistava olhares curiosos, sumia.
   Não estava tão quente, mas à noite ventava um pouco, as cortinas voavam, parecia sombrio...
  Ouvia som muito alto, uma música triste, que ninguém sabia, ora mudava, pra outra mais conhecida, um cd com voz feminina, que de tanto ouvir, o casal gay do sétimo andar, comprou igual. Quando a música não vinha da casa de Vanda, era da deles.
  Vanda falava pouco, era muito séria. Delineava os olhos, como estratégia para manter os olhos dos outros nos seus. Ninguém percebia assim suas mãos trêmulas.
  Não tinha namorado, havia cicatrizes em sua alma bem recentes, de dois anos antes. Que a deixaram mais amarga. E ela se armou. De subterfúgios, para não sentir mais dor.
  Mas, mesmo assim, Vanda tinha chama para os homens, não precisava fazer nada, às vezes acontecia... Eles desejavam Vanda, sem ela saber. Um dia lhe diziam... Até aquele senhor sem graça, que trabalhava com ela, lhe dava bom dia e mais nada, tinha uma esposa muito brava, a quem ela tratava bem, só com Vanda ela falava.
  Depois de um ano, ele se aproximou do balcão e do nada disse:
- Ontem sonhei com você.
Sem levantar a cabeça, concentrada em suas anotações, Vanda perguntou:
- Ah, é? E o que o senhor sonhou?
- Que você estava de lingerie vermelha.
Vanda levou um susto, o fitou rapidamente e ele completou:
- Foi quando acordei com minha mulher me esmurrando para eu levantar.
  Vanda não falou nada, só ficou olhando aquele senhor se afastar.
  Sentiu vergonha e buscou na memória o que havia feito de errado pra despertar um sentimento assim, naquele senhor tão calado.
E foi para casa, não pensou mais nisso. Deixou para lá...
  Ela sentia uma solidão só dela, às vezes chorava, os vizinhos pensavam que Vanda não iria durar muito... Achavam que dores da alma fazem padecer rapidamente. Vanda não se abria com ninguém, não tinha amigas, não sentia falta.
  Vanda não era calminha, não entrava numa briga, mas não fugia de nenhuma delas. Encarava quem quer que fosse e não perdia sua razão. Vanda não tinha mais medo, exceto de emoção.
  Na cozinha toda branca, pequena e arrumadinha, Vanda fazia comida de microondas, deixava tudo pronto para o dia seguinte, chegava na hora do almoço, requentava, dormia seminua para não ter trabalho de tirar nada, eram só quinze minutos. Acordava com o despertador do celular, se banhava em água quente, se vestia e voltava para o trabalho, há uns dez minutos dali.
  Depois tudo de novo... no outro dia e, no outro...
  Vanda se apaixonava, mas não era por ninguém que a amasse, era pelo impossível, por alguém que a enxergasse, ela só não sabia das outras pessoas, não interessava. Narcisista, incoerente, dentre tantas outras coisas, essa era Vanda.
  Ouvia música estranha, não escrevia há anos. Conversava com os pais ao telefone todos os dias, pelo menos uma vez, e se queixava da vida... E, de saudades.
  Vanda emagrecia, já era magra, agora cadavérica.
  Mais um havia se declarado a ela, e lhe roubado um beijo, então Vanda fugiu, entregou o apartamento e mudou de cidade.
Mudou de estilo, ficou mais agressiva, estudou a arte de afastar pessoas, falava sem parar, falava o que pensava. Passou a usar colorido, e usar um cabelo diferente, deixou bem comprido...
Dispensou mais rapazes, até que um persistiu, persistiu. Vanda cedeu... Ficou com ele, o que não impediu de despertar outros mais... Não fazia por mal.
Lembrou que um dia amou Shakespeare, e desejou quimera.
E ela pensou em recitar Vinícius de Moraes...
Pensou em outro rapaz;
Pensou tão profundamente que descobriu,
O quanto doía,
E doía demais...
Vanda hoje quer fugir novamente, só não sabe para onde.


Um soneto para Vanda
E se calava só, e só calava.
Olhava para o mundo e fugia.
O medo a fez perversa, a encurralava;
Tinha sentimento profundo, mas omitia.



A voz embargava, nó que a deixava sem ar
Se alimentava de dor, sem mastigar, engolia;
Com a verdade, a maldade reclamava seu lugar,
De olhos marejados e alma pobre pedia...



É suspeita por amar demais,
Tem n’alma uma chama pesada
Ataca antes e defende mais


Antes de dormir sofre calada.
Ignora tudo, mesmo culpada
Mantém um desejo de voltar atrás...


Num tempo que sonhava ser amada.

E se calava só, e só, calava.
Sentia culpa, lhe faltava paz...


Vanda! Detrás dos teus olhos tens uma alma levada.

(Um conto e outros pontos por H. Cortezolli)

quarta-feira, dezembro 2

Texto legenda

Vasculhava a internet, só para que o tempo me tragasse...

Joguei meu nome no Google, na décima primeira página de resultados, achei um blog que utilizou uma das minhas frases (que publiquei no pensador).

Ele, um poeta, amante de artes marciais, estudante de Direito, escolheu minha frase como texto legenda para uma foto. Transmitia um pouco do que eu quis dizer.(http://confinandofotos.blogspot.com/2009/08/s-em-voce-o-dia-fica-cinza-terra.html). Ele deu o crédito. Fiquei muito surpresa e feliz.

 

Foto...

Texto legenda...

Quando isso vai passar?

segunda-feira, novembro 23

Ausência

Olhar Ecológico I

É como não estar em si mesma,

não pertencer a lugar algum.

 

Não sentir que força a move…

Não ter qualquer sentimento comum.

 

Ensurdecer-se para o resto do mundo,

Emudecer frente ao profundo…

E só assim, perceber a ausência do âmago

Que impaciente se desfaz …

 

Ser,

Permanecer

Desistir…

Então ele parte,

E leva consigo o que nunca possuiu.

domingo, outubro 25

Autores mortos e devaneios tortos

Tentei dar início a uma leitura recomendada por uma amigo distante… Não saí do primeiro parágrafo.

Depois de um dia onde fui muitas em uma só, porém todas que não queriam ser… Não mais!

Todas Nós

Me perdi entre os ruídos da casa, lá fora, alguns estalos… se fundiam ao som dos toques apressados no teclado em busca de concluir o pensamento, confuso, obsoleto.

Ainda navegando, encontrei mais coisas que não procurava como de costume, enquanto postava fotos no site de relacionamento, que mais parece um grande álbum de fotografias, (espalho-as por todos os cantos, receosa em perdê-las… Já me ocorreu antes); Lia trechos de contos de Quiroga, minha alma velha e vazia se encheu de algo que não sei dizer… só sentir. Ao mesmo tempo que pesquisava sobre nomes para os personagens da peça dividida pela moldura do espelho…duas realidades numa só, onde o ponto e vírgula os separam e não desatam nós.

Buscava por um conto antigo, que havia lido ainda no início da academia, me marcou um bocado, mas não lembro o nome, tão pouco o autor, triste vida essa minha, de raras lembranças…

Lembro que estabelecia a análise fria entre loucura e sanidade… um dia reencontro…

Achei Beco do Crime e me surpreendi. Há muitos além do fim do Rio. Estou rodeada de hipocrisia, ladrões de idéias e concorrência eternamente desleal, todos vitimados pelo vampirismo habitual, sigo em frente. Anêmica!

Foi então que meus olhos se umidificaram… Tão bom encontrar o que se procura. Ando tão descontente e fugazmente irrequieta, encontrei o que minhas memórias haviam perdido, eis O Alienista, de quem a pouco citava, obra machadiana de quem vez ou outra me faço refém e, de bom grado, num refluxo como os que sofrem da síndrome de Estocolmo

Permaneci a míngua, após o partir das estrelas e da lua que quando se muda, me deixa mais maluca, e quem me diz bom dia?

terça-feira, outubro 20

Pergunta sem resposta, só para refletir

Fui atraída por uma capa da revista Época, esquecida na estante de casa. Falava sobre as mulheres e o desejo (fevereiro/2009 nº559 pág. 70).

Ouvi em uma mesa de bar uma pergunta boba (como era de se esperar). “Onde fica o maldito ponto G?” e desta vez não citarei o santo, nem que ele exija só o milagre mesmo. Ok?

Comentei com Cléia, bem baixinho:

-Enquanto eles se preocupam em procurar, nós mulheres nos divertimos! (Rimos discretamente).

Voltando a história do achado. Na matéria um trecho me hipnotizou. Citava Freud, o pai da psicanálise.

“A grande questão que nunca foi respondida, e que eu ainda não fui capaz de responder, apesar de 30 anos de pesquisa sobre a alma feminina, é: o que querem as mulheres?”.

No alto de sua sapiência e curiosidade, Freud errou, quando teve a intenção de apreender a alma das mulheres e reduzi-la a conceitos fechados.

Ora se ele se enganou, como podem seres incapazes de assumir seus desejos, medos e comportamentos receberem tal dádiva?

Negam a própria negação e, se calam obviamente.

Na real, não são dignos de saberem onde está o ponto, quanto mais sua localização “alfabética”. Talvez no trajeto existam mais...

Quanto à matéria, diz um monte de bobagens com embasamento científico. Enquanto eles testam e pesquisam,  nós mulheres apenas sentimos... Ou não mais!

castanhosoucordemel

T partiu…

Saí de manhã, depois de uma noite mal dormida. Fomos ver móveis novos para o quarto.
Voltei um pouco pior. Uma hora depois do horário que havia saído de casa. Os caixas eletrônicos daquele  “banco” nojento, resolveram parar de funcionar todos no mesmo dia.

Achei algumas coisas que não procurava.
Pensei em pessoas inteligentes que hoje soam tão burras. O quão patético pode se tornar?
Lembrei de uma frase dita por uma amiga… Algo que fez referência a quinta série. Não dividi o quanto nos últimos meses o universo tem regredido, eu inclusive, faço parte dele afinal.
Li coisas antigas, produzidas em épocas de fartura mental. Acho que não sobrou mais nada da criatividade… Tá tudo oco.
Penso em palavras, que soam quase como elogios:
  • Patéticos;
  • Odiosos;
  • Repulsivos;
  • Degradantes;
Na verdade podem vir a ser adjetivos, quase direcionados.
Sinto nojo. Mas minha mãe tem razão. Não quero mais nada. Preciso ir…
Perdi aquele “T” em tudo!
O que esperar desse dia? O que ele pode esperar de mim?

domingo, outubro 18

Entre cifras e acordes, uma noite compassada

Lá estava ele todo prosa, em meio ao ambiente meio verde, meio rosa, com uma luz um tanto alaranjada.
Com passos de levantar poeira, todos os amigos sentados ao redor da mesa e, mais e mais cadeiras foram necessárias para acomodar todos ali, perto do palco improvisado.
Um artista incorporado e seu momento...
Abrem-se as cortinas do espetáculo, só um oráculo para decifrá-los, antes dos primeiros acordes o anúncio feito pelo homem de braço quebrado, “Silvio Neto”, disse ele, “Num Tributo a Raul Seixas”.
P1040222 E a noite começou…
…com meia dúzia de gatos pingados, que deram lugar as cadeiras ao redor das mesas e ao som embalado, por um cheiro de saudades daquelas frases repletas de subliminaridade, foi quando do nada não havia mais todo aquele espaço no local com paredes pintadas de cunani e maracá, talvez um macaco com violão, mas o que importa eram os ausentes do presente, que convidavam à uma viagem sem rumo, só a fim de navegar por lembranças que foram vividas ou não.
Ora num ritmo acelerado, ora o deixava pairando no ar, aquele jeito maluco beleza de empolgar, quem via e ouvia no ambiente sem distinção.
PalcoGentePúblico   Silvio Carneiro
Uma sensação agradável, não era preciso mais nada, amigos, alguns copos sobre a mesa, conversas que ninguém entende e um som ao fundo que fala mais alto que emoção, para muita gente. Goles de água com limão para não ressecar as cordas vocais e dá-lhe mais Raulzito…
Num jeito meio esquisito, me despeço sem rodeios porque amanhã dos detalhes, não lembrarei mais.
“Ao redor do palco vez ou outra, uma rã roqueira fazia menção de querer entrar, se encorajou com o Rock das Aranhas, talvez por imaginar que a bicharada estava por chegar.
Se acomodou aos pés do cantor, num gesto de adoração também se pôs a cantar.”

sábado, outubro 17

A poesia quando se perde…

Recebi isso agora a pouco por email de uma amiga querida (Maiara, obrigada adorei), e resolvi dividir:

  Camões...

A redação da prova do Vestibular da Universidade Federal da

Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho do poema de Camões :

'Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente,

é um contentamento descontente,

dor que desatina sem doer.'

Uma vestibulanda de 16 anos deu a seguinte interpretação:

'Ah Camões!

Se vivesses hoje em dia, tomavas uns antipiréticos, uns quantos analgésicos, e Prozac para a depressão.

Compravas um computador, consultavas a internet, e  descobririas que essas dores que sentias, esses calores que te abrasavam, essas mudanças de humor repentinas, esses desatinos sem nexo, não eram feridas de amor, mas somente falta de sexo.'

A candidata foi aprovada com nota 10. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...' kiss20

Depois quando eu falo que a praticidade levou embora toda a poesia, me chamam de cética. Concordo em parte com a garota de 16 anos, sorte a dela encarar o mundo desta forma, talvez se machuque menos, talvez perca a chance de olhar o mundo de ângulos alternativos… Mas, a verdade é que morre lentamente quem imagina encontrar o amor, falar sobre ele, e que outras pessoas o compreendam.

Admita, foi divertido não foi? E de um olhar puramente feminista, só por essa noite, responda se puder. Homem em dia com o sexo, faz poesia senão quiser pegar mulher?

Pior ainda é quando ele finalmente pensa ter conseguido, resolve esnobar só para massagear seu ego “dolorido”.

emoemo2

Essa eu não podia deixar passar.

Nós mulheres sempre saímos com fama de complicadas.