"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quinta-feira, agosto 18

Porções de arte

Vista  do Rio Guaíba, em frente ao Museu/Galeria de arte da Fundação Iberê Camargo
Às vezes custa até que as sensações permitam ser traduzidas pelos toques suaves e apressados no teclado.
Por dias me contive, até quando a maior das necessidades se fez quase sufocante, no momento em que precisava compreender minhas novas percepções.  

3° andar das galerias
Não é sempre que se entende um mundo novo... E isso me deixou ainda mais confusa. Não era o que sentia que me perturbava, mas o porquê de sentir.

Assim como são raros os momentos em que se está perdido e caminhando sem parar por até duas horas, sem perguntar a ninguém o caminho certo, quem nunca passou por isso, não sabe o que é estar perdido.

Então, o frio não doía e aquela manhã tinha um charme estranho... O sol depois de dois dias cinzas dos quais confesso ter sentido saudades, apareceu esplendoroso. Que filho da mãe! Como pode ser tão exibido, num cenário que dividia a natureza com a selva de pedra, da qual sempre quis fazer parte.  

Eram blocos e mais blocos de concreto, dispostos de um jeito especial, ladeado pelos 496 km² de um lago conhecido como rio e aquele tapete de betume espesso por onde os carros desfilavam precipitados, e as pessoas ignoravam toda a conjectura da coisa, culpa da rotina. Onde de um lado e de outro transitavam veículos diferentes, e daquele ponto de vista, pareciam tão próximos. Um contexto envolvente onde não cabiam falas.

Mais surpresas no interior e a visão seletiva nem sabia por onde começar, ninguém poderia indicar quais caminhos seriam os mais apropriados por mais que a arte fosse composta por teorias. 

A cada curva de cada lance acima havia mais de alguém cujo nome de origem Tupi “Iberê”, (significa nome de personagem de ópera, e traz a energia das artes. Há quem diga que o nome não tem tradução ou simbologia específica) provocava reações diversas, as obras tinham períodos peculiares e era possível sentir a vibração de cada movimento, independente da técnica... Eu poderia passar o dia lá, sem cansar.


Em especial a tela que mais rendeu reações, era um misto de energias boas e ruins que pareciam saltar aos olhos, promovia angústia e alívio, dor e prazer, um 3D quando não se cogitava tal tecnologia. Dependendo de como foi seu dia apreciá-lo no fim de tarde, talvez conseguisse traduzir tudo que sentiu, quem sabe até mais. Eu teria na parede da minha sala... contrário a outra opinião tão bem argumentada. 


Foto: Éverton Fagundes
Rio Guaíba
O Guaíba é um grande lago ao qual a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre está ligada. Descoberto há pouco mais de 20 anos, depois de pesquisa da UFRGS e universidades norte-americanas. Rico em biodiversidade, o lago integra diversas espécies vegetais e animais, que requerem preservação.
Fonte: Wikepédia





Foto divulgação: Fundação Iberê Camargo
Iberê Camargo
Um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca, interior do Rio Grande do Sul, Brasil, em 1914. E empresta o nome ao Museu/ Galeria de Arte na Avenida Padre Cacique, 2000, Porto Alegre, RS.




Foto: Hellen Cortezolli - No final do passeio é possível comer bem.

quarta-feira, agosto 17

O silêncio verborrágico de um diário de bordo não escrito

Não faltou coragem, me deixei levar... apenas fui e vivi.

Ao desembarcar mal sentia meus pés, pareciam ter optado por permanecer sob as nuvens. Ainda descrente enchi meus olhos com toda a informação que fosse possível capturar e havia tanto. O olhar agia como lentes nervosas, cujo ISO e obturador, propositalmente configurados para que entrasse toda a luz, capaz de invadir minha alma velha, disparasse ininterruptamente. 

Sem exageros cada sorriso era um flash, o rosto por hora parecia ter congelado, os músculos todos contraídos em um só formato, deliciosamente motivado.

O brilho incandescente daqueles olhos ofuscaram todos os outros filetes, e a luz oriunda daquele sorriso me deixou muda e paralisada. Não sabia pelo quê esperar ou se deveria.

Tanto tempo... Era como se não havia existido. Uma grande pausa e todos os sonhos recolhidos, as decepções colecionadas por mais de uma década, se transformaram em apenas sonhos ruins. Nada além... Como pode?
Ver o igual por outro ângulo.
Foto: Éverton Fagundes
E tudo ficou perfeito. Até o chamar de minha atenção era suportável, mesmo que precisasse de um tempo para processar tais conhecimentos, tudo era novo e não sabia o que pensar.

Não estava no comando, apenas deveria me deixar guiar. E foi tão bom ser eu mesma, abusar da fragilidade escondida tão profundamente, nada de blindagem, sem armadura. E sem vergonha ou medo.
A tarde de sol e um calor gostoso ganharam estrelas em apenas um lugar, era possível observar dali até a estratosfera. Eu ria, via, sentia...


Depois podia comer um caminhão de cultura, arte, pintura, livros, cinema, tudo à disposição, ao alcance dos dedos e meu medo... era só em querer tocar e finalmente perceber que era tudo verdade.

Ouvir os sons de todos os tipos, as músicas desconhecidas e, um perfume de casa limpa, como a que imaginamos nas propagandas de amaciante de roupas... Depois contemplar o pôr do sol. 

Tudo isso no primeiro de sete dias.
Não queria mais acordar. Nunca mais.


quarta-feira, agosto 10

Divisor de Águas



O tempo deu uma trégua, já não me escraviza mais. Uma taça de vinho me faz companhia, enquanto ouço o som que não conheço... e tudo não precisa mais fazer sentido.

Liberdade é uma sensação estranha, devastadoramente incrível, como se fosse possível senti-la invadindo os poros, penetrando a carne e a percorrendo a corrente sanguínea, não há mais nada além dela e o gerúndio.
Sabe-se, no entanto que a porta está aberta, e ela invade o recinto e sinto mais, não muito além do que preciso e ignoro o limite.

É mais do que o corpo pode sentir, a mente não organiza nada, não é preciso. Sentir é palavra de ordem e instantaneamente o corpo corresponde e pronto, tudo isso sem obedecer a nenhuma regra.
Os olhos descansam e não precisam ver. Os ouvidos ensurdecem, não há testemunhas, a vibração do som faz tudo parecer normal e o quanto isso pode ser anormal pouco importa...

E o coro se forma, tudo que é dito é poesia.

Liberdade não se encontra em lugar nenhum, não há prateleiras onde pode caber tanto conteúdo, não se pode acha-la quando o desejo é a única coisa que resta, nem na quantidade exata.

Ser livre está além dos conceitos, dos manuais, fórmulas e cálculos matemáticos, mesmo naqueles onde é possível comprovar que Deus existe, que o amor é vivo e anda por aí, para quem quiser encontra-lo, esbarrando sem querer...

A liberdade chega se apresenta e te abraça, sem a menor cerimônia, tudo é um divisor de águas. 

terça-feira, agosto 9

Quando me permiti

Me permiti ver o mundo de cima.
Bateu um frio na barriga, um medo que de repente não sabia mensurar se era do conjunto da obra ou do frio...

E lá estava eu, a mais que 11000 metros do chão, mergulhada em meus pensamentos, tão verborrágicos. Eu queria estar ali e onde mais fosse possível.

O sol se pôs para mim.
Há tempos não ficava comigo mesma, dessa maneira tão independente e no conforto da invisibilidade (meu superpoder).

De certo modo consigo sempre o que quero, só não da maneira que imaginei... Mas, isso é outra história.

Quanto tempo leva até que um desejo se realize? Ah, essa noção deveria ser ensinada ainda na infância. O jeito é acordar para vida e correr para alcançar o sonho... Por que não disseram isso antes? ¬¬ Se disseram, não ouvi.

Quando tudo perde o sentido e principalmente você não tem mais os tais desejos para seguir em frente, é preciso reformular, mas o melhor mesmo é começar do zero. Então que assim seja!

Novas metas e me deixar levar por elas... Vamos ver os resultados, só sei que até agora, finalmente, estou muito feliz. *-* E mereci!

PS - Tudo que antes me engolia e fazia mal, não existe mais. E imagino como deixei chegar a isso, quanta bobabem.

Papo Calcinha

Se você é daquele tipo de mulher desconfiada e tudo que ouve, vê ou sente rende várias teorias da conspiração, a viagem de hoje é totalmente direcionada a você.

Então é melhor se convencer que ouvir mais de seis vezes a mesma opinião de pessoas diferentes, deve ser levado a sério. Se te chamam de gostosa, por exemplo, lamento informa-la que de fato você deve ser. Afinal os homens não mentem assim tão bem, né? É bom se conformar. Tá certo que tem mulher burra que acredita, mas convenhamos...

Ah, por falar em mulher que acredita, é praticamente uma unanimidade (por mais que essa frase não faça sentindo algum, porque se é unanime, não se discute, mas enfim...) que as mulheres trazem consigo algum tipo de botão autodestrutível, nunca estão contentes com absolutamente nada, (e olha quem fala é uma expert), têm uma tendência natural a isso, salvo casos das feias.

Essa afirmativa é verdadeira, porque se não é feia por fora, certamente é por dentro, do tipo que pode até aparentar alguma meiguice, mas abriu a boca: “Fecha a tampa da latrina”, e nas variações mais perversas que se possa ter desse conceito.  

Tá, tudo bem! Mas, agora você se pergunta e de preferência em voz alta: “O que isso tem a ver?”. Eu respondo: “E precisa fazer sentido?”.

Não que eu esteja revoltada com as mulheres e isso inclui a mim mesma já que sou várias em um modelo compacto, tudo depende da situação e da companhia, não é mesmo?!

O lance é que ser quem somos também cansa. Daí a ideia seguinte é parar de confabular consigo mesma, expurgar todo o tipo de viagem sem volta que a criatividade às vezes nos impõe. 

Ligar o botão do “foda-se” é sempre uma boa pedida. E, lógico se deixar deslumbrar, acredito que esta volta toda, foi para finalmente admitir: “Estou totalmente deslumbrada!”. Ufa, consegui assumir. ^^

sexta-feira, agosto 5

Papo de homem

Enquanto rascunhava um texto sobre meu momento atual, tive a atenção voltada para um papo “muito sutil” de alguns colegas de trabalho, todos homens.

Um deles havia recomendado a outro que assistisse à novela das onze. Antes do terceiro se manifestar com aquelas gracinhas de praxe, onde geralmente destacam suas possíveis desobvialidades, que segundo uma visão mais machista desencaminham os machos, ele se antecipa:

“A novela é sem frescura, tem palavrão, as mulheres estão toda hora na cama com os caras”... A macharada se animou e ele prosseguiu com as argumentações “muito bem fundamentadas”: “Só tem um problema que identifiquei, a novela de época com os modelos de carros todos 2011, e as roupas de festa das mulheres, cabelo e maquiagem, praticamente dos anos 70. Tá tudo errado”.

Além de me divertir com a ideia de que eles agora falam de novela, achei interessante o cuidado que tiveram em dividir suas percepções... E todos ficaram se ouvindo. É tão difícil isso acontecer, as pessoas fingem estar atentas o tempo todo, a menos é claro que isso lhes beneficie diretamente e em tempo hábil.

Para concluir, homem não fala só de sexo, futebol e mulher, essa mesma turma com quem sou feliz em conviver, fala também do que as mulheres falam, de como se tratam. E tem um monte de verdades, serve até para nos prevenir das ciladas anunciadas. Têm diagnósticos certeiros, homens conhecem homens e mulheres. Nós mulheres pressentimos mais, às vezes, do que de fato identificamos.

Tenho a honra de ter amigos que falam de política, arte e entretenimento com muito conhecimento. Mas, do jeito dos meninos citados acima, foi merecido um texto só para eles.

terça-feira, agosto 2

Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida

Não é preciso dizer o quanto Confúcio estava certo em sua afirmação, o cara sabia das coisas. 
E a dor na coluna que há dias não me deixava nem dormir em paz, deu uma trégua... e lá estava eu a contemplar com estes meus olhos arregalados o quanto foi linda a festa de rock em Macapá... A Hidrah arrebentou, fazia tempo que não assistia a uma apresentação dessa banda, palmas para performance da vocalista grávida, essa foi um dos raros momentos em que consegui registrar o barrigão!

Banda Hidrah

Estava a postos desde a hora marcada, como habitual... e confesso nem uma empolgação tomava conta desse meu ser insignificante. Apesar do entusiasmo do meu amigo e colega jornalista Ewerton França, tudo parecia anestesiadamente acontecer.
No início bateu aquela timidez, consequência até das atrações, depois da recepção por parte das banda Angra... mas eu chego lá...
E logo eu que pensava em permanecer confortavelmente invisível, não, não foi assim. Mas, foi legal.
Não estava mais a trabalho, era só divertimento, e me divertia levando tudo a sério, como sempre.
Banda Angra

E o Angra aconteceu... e lá estava eu... curtindo, cada segundo, no camarim (morta de vergonha de tietar, sempre fico, não gosto de demonstrações públicas de afeto e/ou admiração) no backstage, embaixo da torre improvisada me esquivando da chuva, no espaço reservado para imprensa e depois desviando da galera que invadiu a área em frente ao palco , foi a melhor onda rock que já fui. 
Lindo ver o público curtir, cantar as letras e tals, meus amigos todos emocionados.
O Ewerton não se descuidou e registrou tudo, como ele diria: "Cortezolli é a cara da prepotência". Rsrsrs
Foi o meu melhor banho de chuva! ^^
Que venham os próximos eventos, shows e o meu divertimento garantido. Esse é um marco na minha nova fase profissional. Ufa! Bora ver se aguento o tranco. Na chuva até que é fácil, difícil mesmo é o sol.