"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

sábado, setembro 17

As vidas de uma vida

Um verso de vários.
Por alguns instantes, os pensamentos se conectam e constroem teorias difíceis de acreditar, porém, se de alguma forma fazem sentido, acreditar é uma questão de tempo.
Num período não muito distante, eu costumava dizer que sou muitas mulheres em um modelo compacto, é assim que me descrevia... Ter várias vidas em uma única. Ter acreditado que minhas decisões e opções me conduziram a ser a pessoa que me encaro no espelho hoje.

Mesmo que no momento seguinte tenha sido capaz de aprender algo novo e portanto, me sentir diferente. Eis uma nova Hellen, sob a pele e com o mesmo DNA da anterior, todavia, díspar e por essa razão, única.

Nesse contexto aparentemente motivado por alguma influência superficial da teoria quântica mais rasa que já foi possível assimilar, pensar que a existência de um universo paralelo não parece ser algo tão inadmissível assim. E, se houvesse mais de dois? Se não fosse resumido a apenas duas versões, a boa e a ruim?

Não sou uma pessoa totalmente boa, ou ruim na totalidade, ninguém o é. Logo, como seriam as outras variantes de mim?

Numa propaganda de prevenção a AIDS antiga, mas que ainda lembro. Havia uma cena em que um coração era talhado em uma árvore com o nome dos amantes, em seguida surgiam outros nomes... A conclusão era de que um dos dois havia “amado” muitas outras pessoas.

Não há nada de incomum no exemplo, cuja moral era de que todos deviam antes de amar alguém, amar a si mesmo e, usar preservativo e evitar a AIDS. Enfim, o foco do tema não é bem este, mas apenas as vidas que somos capazes de vivenciar nessa mesma vida.

As relações perecíveis, as pessoas que fomos diante de algumas situações, inusitadas ou não. Escola, trabalhos, lazer, amigos, inimigos, lugares... Fizemos escolhas que geraram consequências, positivas ou negativas. Ainda assim, não nos damos por satisfeitos e desejamos uma vida após esta. Depois de todas as que vivemos.

Há vida pós-morte?
Quantas mortes? O que é a morte? A morte física, a intelectual, a romântica?
O sol morre, dorme, descansa? A lua vai embora, volta, renasce, retorna?

Vida, morte. Morte, vida. O sol nasce e morre, a lua nasce e morre. Ao dormirmos morremos para esse dia e renascemos para o seguinte. E, seguimos sempre insatisfeitos. Querendo sempre mais. Às vezes esquecemos que talvez não haja o próximo dia, noite, chance...

De repente, este universo, com interferência de outro, ou não, conspira para que voltemos ao início de um ciclo. Se fizermos uso da lógica e formos capazes de percebermos este giro, podemos interpretar como algo que não foi concluído, e por isso precisa ser terminado.

Por outro lado, nos sugere que as vidas que vivemos nessa vida, foi para que aprendêssemos a dar valor, ou a nos comportarmos de maneira a usufruirmos de fato da felicidade, ao invés de sermos cegados pelo ceticismo e buscarmos incessantemente pela felicidade que esta ali, diante de nós, mas somos incapazes ou indignos de ver.

Então, o que visivelmente pudesse nos insinuar apenas mais um ciclo, ou experiência a ser vivenciada plenamente ou não, na verdade é a única história que vivemos.

Louco isso não?! E, quem definiu o que é loucura ou sanidade?