"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

sábado, setembro 3

Superpoderes, ceticismo e outras considerações

Só mais um dia da semana cheio de afazeres profissionais. No caminho até cumprir outra missão. Me perdia em mil pensamentos furiosos. Eles brigavam entre si, todos queriam falar ao mesmo tempo, acontecer na mesma hora.

Saí do carro, passei pela porta de vidro, me anunciei na recepção, a atendente sorriu e mandou que eu subisse, dois lances de escada, virei a esquerda, puro instinto... Mal sabia onde era, mas era simples seguir as placas de identificação.

Depois da porta uma sala estreita e comprida, quase claustrofóbica, senão fosse o ar condicionado na potência máxima. Um sofá três lugares, ao fundo a escrivaninha da outra secretária. Alguns barulhos além dos pensamentos verborrágicos... Cheios de indagações.

A atmosfera da sala tinha algo além do desconforto por eu ser a estranha, apesar de já me esperarem. Eis que surge não sei bem por que, histórias de todos os tipos, desde o início.

Sobre a escolha por estarem ali... Isso despertou meu interesse e não fitava mais o bloco de anotações, o dedo descansou e não estava mais tão pronto a pressionar o REC no gravador.

Olhava os olhos de todos os que ali permaneceram bem mais que eu e, por alguns instantes fiz da minha invisibilidade impossível, uma aliada importante. Os observar me atribuía poderes que não sabia que tinha superaudição, por exemplo. Para ouvir até as palavras ditas entre os dentes e superimaginação para construir em minha mente os cenários descritos com tantos detalhes. Achei meus personagens...

O mais falante deles me questionou tanto que por um momento me senti como o próprio raio laser e não era para ser assim, pensei o que havia me denunciado? Por que a figura interessante passava a ser eu? Aff meu sotaque me denunciou...

A teia toda se deu no instante em que me perguntou se eu acreditava em destino. Os pensamentos que até então eram mais falantes que eu, cessaram e pensei:

Droga! Justo agora ele me pergunta isso. Nessa fase em que o destino me deu uma volta?

Respirei fundo e respondi:

“Sempre fui muito cética para essas coisas, mas diante das últimas circunstâncias na minha vida, não posso mais repetir que o destino é a gente que faz, apesar de sermos responsáveis por nossas escolhas”.

Será o fim do meu ceticismo? No que acreditar?


Depois da entrevista, que foi tranquila. Senti que saí daquela sala cheia de riquezas. Tão subsidiada que o tempo finalmente poderia parar.

Mais tarde em casa, exausta. Sim, porque cada um tem um ritmo e o meu não é dos mais acelerados. Recebi a visita de uma amiga que há tempos não via, e tínhamos muito que conversar. O tempo foi proveitoso, o papo também, contudo percebi que essa cobrança por algo mais não era coisa só minha. Todo mundo quer bem mais. E sempre de algum modo, acaba por ficar frustrado, talvez seja culpa da ilusão. Talvez não.

Ceder, recomeçar, dedicação, ambição, delicadeza, fé, amor. Essas palavras ecoaram...