"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

sábado, março 12

A isenção da culpabilidade dos versos

Nunca disse que era brilhante. As ideias despertam no meio da noite e durante o dia desaparecem. Então, viro a página e amasso os rascunhos, jogo numa lixeira qualquer.

Cortezolli
Porém, que culpa tem as palavras por terem dado as mãos, se alinhado, completado frases desconexas, atribuído definição para meus sentidos amplamente distintos?


Não responsabilizo os versos, são meros tradutores de uma linguagem obscura, cheia de instabilidade, numa velocidade ímpar. Mesmo que seja de alguém que não pluraliza. 

sexta-feira, março 11

O tempo... O meu e do Mário

CortezolliEu tinha um costume de personificar o tempo e me referir à ele, como a alguém a quem costumava perseguir, sem alcançar e ainda o vê-lo obviamente, sempre de costas. Do jeito que isso soa mesmo, insano. 

Sou dessas que personifica quase tudo, se tiver que explicar ou exemplificar.

Enfim, o que me leva a crer que, além de inatingível é um cara estranho, que viaja sem parar e manipula a vida das pessoas a seu bel prazer. 

Contudo, por um instante isentarei o tempo de sua vilania e seu caráter dúbio, e mencionarei a obra homônima de Mário Quintana com a qual mais me identifico.  

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.



*Já fiz quase tudo descrito no poema, exceto os 50 anos... Se bem que às vezes parece. :D

sábado, fevereiro 13

I came back!




Depois de um hiato que parecia interminável: "Olhaaaa elaaaaa!", o gosto pela escrita voltou.

Na verdade nada volta a ser como antes, e isso é ótimo, porque o antes já passou e o futuro é imprevisível, como tem que ser. 


As boas novas se dão em virtude dos passos cautelosos de quem não tem nada a perder, mas também não quer perder mais tempo. 



Este espaço promete retomar publicações que respeitem um certo período, não tão certo ainda, como exercício de desapego. Porque não dá para carregar tudo na bagagem sozinha.




Afinal, algumas histórias merecem ser contadas com detalhes, por mais sórdidos que possam parecer, pois não poderemos contar com a memória para sempre. Assim, 2016 merece vários ensaios vintage, com gosto de "ainda não sei".

segunda-feira, agosto 25

Discussão entre o corpo, a alma e a palavra dita

Dormi e acordei várias vezes, algumas delas sobressaltada com imagens perturbadoras, de um diálogo possível...

Durante o dia tive momentos de total concentração e outros em que mal sabia quem eu era realmente. Contudo, em todos os momentos havia um pouco de você, ora algo que havia dito, feito, ora alguma coisa que eu gostaria de ter lhe falado e não tive coragem, oportunidade ou aquele jeito certo de fazer as coisas.

Repeti internamente que não poderia arrancar minhas máscaras aos seus olhos, nada mudaria, o tempo não iria parar, o vazio que sinto não seria preenchido e, talvez para você não passasse de uma informação inútil, que seria esquecida no instante seguinte. 

Nem com todas as possibilidades analisadas, minha mente encontrou uma espécie de conforto. Aquela máxima de que chorar faz bem não tem surtido o mesmo efeito de antes. E meus olhos não param de arder... Resultado dos mergulhos nas profundezas do mar contido em mim mesma. 

Eu apenas sentia a necessidade de admitir que nunca deixei... acho que não consigo. Ainda não.

Mesmo ciente de que você já saiba, admitir tem sido uma necessidade. Não espero que expresse nada, não imagino além de palavras que possam me magoar. Talvez um alerta mencionado anteriormente, como se o fim fosse apenas unilateral. 

Me calo, apenas calo, quando noto incongruências no seu timbre. O corpo diz, a alma tenta assimilar e a boca rejeita. 

sexta-feira, julho 25

O homem estigmatizado

O homem perfeito é aquele de apenas uma noite, cujo amor fingiu receber e dar. Porque somente por uma vez não lhe será negado nada. Aquele a quem não se beija o rosto, o pescoço, os olhos depois do ápice...

O homem perfeito banha-se admirado pela mulher a quem provocou algumas sinapses momentos antes. Se preocupa ainda em manter a atenção dela, e em saciar sua cede...

O homem perfeito não fala de seu passado, traz no olhar uma profundidade única, cheia de seus mistérios, que não devem, nem precisam ser desvendados. Ele é o que ninguém vê. É mais do que veste, faz ou possui, é apenas sentimento. E o que reverbera, lhe pertence. 

O homem perfeito não telefona no dia seguinte, para não arruinar as lembranças de um bom momento, com as trivialidades de uma relação à dois. Pois, a maioria das pessoas são como a arte do célebre pintor francês impressionista, Claude Monet, de longe exprimem toda sua magnitude, contudo, bem de perto, são apenas borrões. 

sábado, julho 19

Subliminar

Fingimos falar de sexo abertamente, como uma coisa natural, contudo, qualquer xingamento tem conotação sexual, porque há sempre algo feio, ou sujo a ser salientado. Não sou eu quem afirma, me apoderei das palavras da sexóloga e escritora Regina Navarro.

Na verdade o que mantém a atenção seja numa conversa casual ou num debate seríssimo, é a malícia, a sagacidade nas provocações. Vence o jogo quem rir primeiro, quem entender a piada, quem se revoltar e tiver os argumentos mais bem fundamentados. Quem provocar no outro profundas reflexões.

A manipulação está em excitar o sentimento de querer provar algo, principalmente, que não há nada a ser provado. Plantar a semente da dúvida, porque quem não duvida, tem certeza e se está sempre certo, não enxerga o óbvio. 

Um tipo de sedução menos onerosa ao bolso, ao raciocínio, que chega ao fim após o último gole do que tiver no fundo do copo ou da xícara. Na última garfada de bolo...

Por que discorri sobre isso? 
Porque daqui há dois segundos não lembrarei mais.  

domingo, junho 8

Parônimas Considerações

Sinto falta de escrever, tenho vislumbrado tanto... O que me impedia não era a falta de assunto à discorrer, pelo contrário. 

Me apeguei ao egoísmo de sentir apenas para mim, como quem se agarra a um bote inflável em alto mar. 

Tenho transbordado inúmeras vezes e, meu olhar marejado faz com que a imagem refletida na minha íris, tenha um efeito inagualável, bem melhor que qualquer outro recurso tecnológico.

Não há lentes que traduzam mais o meu entendimento de mundo, quanto os meus olhos, os da minha alma então, que o digam. 

E, tem sido tão diferente, minha pequenez se converte em grandeza e vice-versa. Em cada verso deixo um pouco de mim, me perco em retalhos...

Descobri que não preciso fazer sentido. Os sentidos é que me tem feito uma pessoa diferente. 

Por ventura, se alguém tiver a nefasta intenção de me ofender, e disser à boca miúda que sou de rasa expressão, me atreverei a impor que ao menos me deem um nome que honre minha condição... 

Deixarei que me chamem de poço, pois, detenho em mim profundidade e ainda assim transbordarei.

Posso pro fundo, poço profundo.