"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

domingo, março 27

Os quatro pontos definidos como os limites da capacidade escassa

Nesses dias tão estranhos... Procuro sempre por respostas para as perguntas que não tenho formulado muito bem. Outros acontecimentos me remetem a reflexões inevitáveis e deste modo a abdicação. Desistir de tudo que faz mal, ou pior ainda não acrescenta em nada a não ser desconforto, seja na alma ou no corpo. Mesmo que por alguns instantes ele tente me convencer de que minha alma velha não precisa dizer nada...

Recebi este presente, como outros que trouxeram o que escondo de mim mesma à tona. Sim, de fato chorei, mas não foi só pela emoção, também não foi somente pela sensibilidade muito a flor da pele que fez com que Márcio e eu nos aproximássemos, foi por ter de abrir mão dessa camuflagem que acreditei ingenuamente que poderia funcionar, quando na verdade obrigava mesmo que superficialmente que “alguéns” me vissem... como sou, sem ter isso muito consciente.

O Márcio além de meu amigo é alguém com quem deixei de ter contato próximo depois de um tempo, as nossas rotinas nos separaram, mas continuamos próximos. Estranha relação, já que chamo outras pessoas e as considero assim, que não contribuem em nada para o meu espírito, pelo contrário... E ele fala do que vê em mim dessa forma:

Márcio Jucksch  “Um círculo, quatro lápides. Representando os limites de uma capacidade escassa, frente a tudo que se tenta. Incluindo a parcimônia – eu tento. Fogo, chamas, o que seja. Os quatro pontos, fincados no chão, mortos; morte branca, negra, borrada. Isso, em todo caso, só significa uma coisa: o começo de uma constante trivial, a relação Cortezolli.

  Não. Calma! Nada de subversivo, nada de histerismo, nada de sombrio nem de pensamentos negativos ou compulsivos. A relação há de se fazer duradoura, ela é duradoura. Ainda que você pense o contrário. Acontece que aqui os laços não são o ponto principal e sim a personagem que agiu de maneira indireta e inconveniente. É sobre ela. É o egoísmo e o egocentrismo puro; tudo é somente dela e ela pode ser somente o tudo. Você, como o repúdio a verdade que exalta, tem a atitude já esperada. Ela não te culpa. Você diz gostar e entender, é o natural. Mas a consequência é essa, uma interpretação covarde que teve inicio no seu ponto mais doente e seco até a hora de expeli-lo como desespero por ser apenas o rascunho do que ela consegue ser, assim, com essa facilidade traiçoeira.

  Os quatro pontos definidos como os limites da capacidade escassa, na verdade, são as fases do bruto ao ser lapidado. O primeiro momento é o antes, o segundo momento é o de ter conhecimento de sua existência, o terceiro momento é o contato direto seguinte a empatia, o quarto momento é o de nos deixar para trás e dizer adeus a essas fases. Por isso morte. Morte dos momentos outrora cruciais para se fazer brotar, entender e evoluir. Assim, morre e dá espaço ao que já ofega com dificuldade para se fazer presente; os “corpos” de antes morreram e os espíritos permaneceram como o cartão de embarque para a próxima viagem.

  Ela tem plena consciência dessas lápides, do que elas significam, de espiritualização, da empatia. Talvez o que ela mais desconheça é sobre a constante ela mesma. Desconheça a razão das lágrimas enfatizarem cada decorrer, tropeço ou sofrimento em demasia na sua vida; tanto quanto embargar a voz ao lembrar-se dos perdularices altivos - hora amigos, hora inconsequentes - que permeavam suas indecisões a muito deixadas para trás, mas que em um tempo próximo estamparão sorrisos cordiais na chegada do novo confronto social. Os mesmos amigos que foram e são de suma importância e que hoje adquirem o papel secundário e não menos trabalhoso de singelos espíritos – natalinos, talvez, como só o clima dessa época nos conforta e entristece.

  Mais do que miligrama de imprudência aliada à objetividade e competência, procura do saber à dias específicos reservados ao descanso do corpo (só do corpo), ela leva consigo a vontade de sempre querer mais ainda que a canse, ainda que seja como levar um livro interessante e pesado para viagem. Ainda que a vontade de ler sucumba a de apenas olhar para o distante e apoiar as mãos no livro. A vontade pueril de deixar uma marca indelével em algum lugar, de que o vento toque seu rosto e suas ambições com mãos de mãe e de atravessar de olhos fechados uma insólita barreira do tempo. É você a personagem de sua própria autoria, sua própria tinta riscada no papel.”

P.s: acho que fui meio lúdico, insensato, debochado e sórdido. Ao menos minutos antes da meia noite, ao menos nesses primeiros minutos desse dia. Ou nos minutos que eu literalmente estava ao seu lado, Hellen. Mas eu sei que você vai entender. Espero que goste.

IMG0027A*Sou eu quem cala, quando ele fala.

Obrigado por ser meu amigo…

E pelo presente!