"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quarta-feira, março 2

Temores e delícias da criação

  Faz tempo que não falo de trabalho aqui... No entanto tenho novidades, agora trabalho com criação! Rsrs      Parece brincadeira porque cada linha escrita em qualquer que seja o veículo, é criação...(ressalvas para o  mau hábito do Ctrol + C, Ctrl + V). Agora me pego analisando os comerciais de tv, as artes na cidade, ou a falta delas. Os slogans, folders, banners, logomarcas. Nossa! São tantos talentos e ausência deles, que até bate uma saudade do que não conheci.

  Na faculdade tinha uma ciumeira entre os cursos de comunicação, mas nunca liguei para isso, danem-se os mal amados e necessitados de autoafirmação. Meus melhores amigos são publicitários, assim como jornalistas e só tive a ganhar entre eles. Parei para identificar minhas mudanças, mudei muito...

  Voltando a lógica do contexto, criar dá medo. Criar formas diferentes de ver o mundo, então me deparo com constantes crises de covardia, às vezes até falta o ar. Quem sabe essa dor no peito, que mais parece um buraco negro não seja somente uma crise criativa, ao invés dessa tristeza desmedida que aparenta?

  Engraçada essa expressão “crise criativa”, quem deveria passar por isso teria como resultado mil realização, mas não sei quem foi o esperto que atribuiu à “crise criativa” a falta de criatividade, quando deveria ser o oposto.
  Eis que surge um sentimento muito parecido com posse, minhas obras, meus feitos, meus filhos. Acho que talvez seja assim que pensem alguns pais. Paternidade, maternidade... lembrei que abdiquei dessas coisas nessa vida. Acho que talvez em algum universo paralelo fui mãe de muitos filhos, talvez um de cada marido que provavelmente eu tenha tido (por que me contentar com pouco?), tamanha é minha aversão a tais laços nessa realidade.

  Mas, quero deixar livros, porque não levo o menor jeito com plantas. Uma vez ganhei um bonsai, ele morreu pouco tempo depois. Acho que de tristeza porque não conversava com ele, senão isso foi o excesso que o matou, de água, de luz, de sombra, de zelo, de falta de jeito. Já pensou se fosse uma criança?
  Meu ambiente de trabalho novo tem uma paz diferente, geralmente levo mais tempo para analisar, mas tem um silêncio que não se cala e cautela que há meses não via.

  Mergulho então nessas “realidades fabricadas”, reinventadas, que tiveram peças aproveitadas, quem sabe seja essa a tal da “destruição construtiva”, aquela que destrói para construir algo melhor no lugar. É possível fazer isso com pessoas? Tenho algumas peças que gostaria muito de trocar... tem outras pessoas que gostaria de reconstruir.

  Nesses mergulhos dentro da criatividade alheia, me entreguei à propaganda do Fiat Brava, o que é aquela energia? O som do violoncelo tocado em concordância com cada nota gigante representada pelos carros de cores diferentes, praticamente a reprodução do Guitar Hero a céu aberto.

  Putz, queria apertar a mão dos responsáveis por isso, desde a primeira vez que vi, senti um arrepio. Tá certo que no início pensei que fosse pelo violoncelista, depois percebi que foi a atmosfera criada, e tudo isso para um carro! 

  Quantas noites sem dormir até criar aquilo tudo, ou terá sido alguns segundos?
  Me vejo em um novo desafio, preciso disso como oxigênio. Dez a fios... tudo conectado, emaranhado...
  Venha do jeito que vier e seja como for. Tô na área, se derrubar... pô se me derrubar é muita sacanagem, mas que me derrubem para eu ficar desacordada porque se eu levantar vai ter. (risos)