"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

terça-feira, novembro 10

II Congresso de Comunicação e muito mais



Ricardo Noblat pela primeira vez no Amapá, veio à capital para palestrar sobre Jornalismo Político no II Congresso de Comunicação, promovido pela Faculdade Seama, deu dicas e destacou os pontos frágeis de um blog com várias atualizações ao dia, falou sobre o exercício das Assessorias de Imprensa e dividiu sua opinião com os presentes, alunos, egressos e interessados em comunicação, baseado nos 42 anos de experiência no jornalismo.

Cabelos grisalhos, camisa jeans por cima de uma   camiseta preta, fala calma, cheia de conteúdo e firmeza. Calça cáqui, sapatos mocassins marrons (aqueles com bolinhas na sola). Assim se apresentou Noblat.
Falou sobre jornalismo e a larga experiência acumulada nas redações, na convivência com uma assessora de imprensa a pelo menos 32 anos (sua mulher), das redações que exploram gente nova sem experiência nenhuma e que se contenta com qualquer trocado. O ideal segundo sua análise seria dividir em parte iguais, profissionais com experiência de vida e jovens afoitos por aprender.

"As assessorias se multiplicam, as pessoas se formam para trabalhar em assessorias de imprensa, quando na verdade isso não é jornalismo, utilizam as técnicas mas não trabalham com a verdade".Obviedade foi a palavra mais dita por Noblat.
Visto que os jornalistas cobrem as mesmas pautas, principalmente quanto se trata de assuntos locais, onde estão próximos, "...nivelam pela mediocridade, reconhecem que não fizeram o melhor, mas que o concorrente também não e comemoram isso". Destaque também para textos bem escritos, fotografias bem feitas e informações corretas que devem ser rigorosamente exigidas, o que comumente não acontece.
 "O Jornalismo é a única profissão onde se admite pessoas que não sabem fazer direito seu ofício, diferente de um engenheiro, por exemplo, é fácil encontrar nas redações textos mal escritos, presos ao lead,como era no tempo do telégrafo". (Acho que tenho um professor que iria adorar esse trecho da conversa).

Criticou a arrogância dos profissionais de comunicação, que não admitem os próprios erros e se apropriam da verdade, cujos poderes não foram delegados à eles por ninguém. Enganam as pessoas, sejam elas leitores, expectadores ou ouvintes. Comportam-se não muito diferente de "bandidos" com seus gravadores escondidos para registrar conversas, se fazem passar por alguém, ganham a confiança e mentem, tudo pelo tão concorrido "furo de reportagem". "As pessoas têm o direito de saber que estão sendo gravadas, filmadas que se trata de uma entrevista. Não existem pergunta ruim, existem respostas ruins".
E por falar em ruim, reservei um espacinho aqui para as pérolas da noite:
Pérolas
Diretor da Faculdade Seama Carlos Scapin empolgado com a indicação da instituição com a melhor da região norte: "Vocês poderão olhar com ar de superioridade, digamos assim, para as faculdades das outras regiões do país, porque a Seama é a melhor da região norte". (???)

Aberrações
1-Com o comentário de Noblat sobre assessoria de imprensa não ser jornalismo, uma assessora se ofendeu pessoalmente e foi incapaz de discernir o que o palestrante disse, foi grossa e demonstrou desequilíbrio emocional, não deixou que o convidado concluísse o raciocínio para justificar sua posição, faltou postura para uma profissional da área, que sobretudo precisa ser política.

2-Pergunta de aluna de 8º semestre de jornalismo:
 A internet veio para substituir o impresso?
É bem verdade que a pergunta pode ser interpretada como pertinente no que tange a opinião do convidado. Contudo, se de fato trata-se de uma dúvida verdadeiramente perturbadora da colega do último semestre, eis uma preocupação se os quase quatro anos dentro de uma instituição, tida como a melhor da região norte, não lhe esclareceu nada. O que será que foi feito nesse período?

3- Agora a melhor de todas, pergunta feita por aluna do 2ª semestre:
O senhor acha que o jornalista se desvaloriza quando se sobrepõe a determinada situação política?
Noblat não compreendeu o que a aluna quis dizer, eis uma tradução:
sobrepõe - em lugar de submete
Ela insistiu na pergunta:
O senhor acha que o jornalista se desvaloriza quando se "assujeita" a determinada situação política?
assujeita - no lugar de sujeita (submete aí de novo).
A aluna continuou...
O que quero perguntar é quando o senhor se relaciona o jornalismo à política...
Deus sabe o que ela quis dizer.

Isso foi só no primeiro dia!
Aguardem os próximos capítulos.