"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

segunda-feira, novembro 16

Só pensei...sobre o assunto



 Sábado foi um dia atípico, quase não saí do meu quarto, com exceção para tomar banho, por quatro vezes, e quando minha mãe me obrigou a comer... Deus sabe lá o motivo de tanto mau humor, só não queria ver ninguém, falar com ninguém...
A internet me fez companhia, alguns telefonemas e só.
Acho que eu queria fazer parte de um filme velho.



















O domingo foi um dia interessante, não só pelos filmes que assisti, tão pouco pela companhia, mas pelo ponto de vista que exercitei, com todas as limitações de um “robô” (apelido carinhoso dado pelas pessoas que realmente me amam, pai, mãe, irmão, namorado).


Não sei dizer se foi um up grade ou o teste de novos sistemas. Contudo, mergulhei no consumismo medíocre, aquelas porcarias de redes fast food, coisinhas gordurosas do shopping. Enquanto esperava, percebi uma cena corriqueira em pelo século XXI, uma menina de sei lá, aparente quatro anos em companhia de seu pai. Um homem de cabelos grisalhos a quem não lhe dava muita atenção, compensava com compras...


Ela olhou pra ele e entre uma mordiscada naquele hambúrguer maior que sua mão, disse:
- Eu quero que você fale com o dono do shopping para fazer meu aniversário aqui.
Aquilo acabou comigo, lembrei da minha infância e de como via meus pais como meus heróis, jamais falaria assim com eles. Mas, não a condeno. Ela é fruto de uma geração que não tem atenção e é compensada com presentes, dos mais estapafúrdios possíveis.
Quatro anos... Fútil assim?


Tenho um sobrinho que é muito parecido comigo, invocado, talvez com humor seco, sarcástico e sagaz para alguém de cinco anos.
Ele também é fruto de relações deste século. Casamentos que não dão certo (como um robô das antigas, não quero casar, porque sei que meu programa também tem falhas e não fracasso nunca, por isso não quero).


Nessa viagem meio sem rumo, me peguei refletindo sobre as novas relações. Hoje não dá para chamar de família somente pai, mãe e filhos. Agora são duas mães que levam os frutos do relacionamento anterior ao cinema.
O velho vestido de boyzinho com as duas namoradas, o namorado novo da mãe de filhos gêmeos. E daí?


Famílias de todos os tipos. Tá certo que aqui não tem muito opção de lazer...
Acho um saco ver aqueles pais antipáticos, descontar nas crianças na praça, com uma cara que mais parece bicho papão... Sua eterna insatisfação na vida. E eu também não tenho filhos e logo, não sei nada como é e tals...

Tudo isso me veio à mente depois de ver uma guriazinha passar, ela não usava salto, nem essas roupas horrorosas que as crianças usam hoje, era roupa de criança mesmo. Como as que eu usava...


E, lembrei das minhas conversas com os meninos, onde eles perguntavam por que meu cabelo era tão grande, e nossa curiosidade de quando crescêssemos se os cabelos iriam arrastar no chão, e cresceria também os cílios e não poderíamos enxergar. Menino pensa cada coisa!


O filme “Tá chovendo hambúrguer” outra animação cheia de surrealidades com mensagens subliminares de relacionamento difíceis entre pais e filhos. A necessidade de ouvir incentivos, a dificuldade de transmiti-los. Porém, um “eu te amo” salva o dia.


E nessa coisa toda, quase me engasguei por duas vezes, era tanta comida que imaginei que ao longo da noite eu ficaria enjoada, mas não. Esqueci do filme em seguida. Não foi muito relevante para mim. Me concentrei mais nas futilidades das pessoas, nas minhas. Na lei da compensação.  Nas coisas que quero da vida ou não.


Lembro quando eu brincava de imaginar coisas.
Quando criança escrevi meu primeiro livro, era boa de imaginação.
Sabia ser malvada também e meu irmão que o diga. Aplicava mentiras memoráveis quando ele tinha dúvidas e eu tirava sarros gigantescos com a cara dele.
Lembro também do meu papel de irmã mais velha, tinha que alertá-lo dos perigos da vida e aos amigos patetas dele também.Aconteciam coisas do tipo, recomendá-los para não andar de bicicleta na rua, pior ainda sem capacete.


Sutilezas como:
-Se você andar por aquela rua ali, tá vendo, sem capacete, vem um carro e te atropela e se você não ficar todo espatifado com a batida na cabeça você pode morrer bem depois.
Era aquela choradeira, mas ninguém fazia.
O mesmo acontecia no segundo grau...


O pior é que ainda faço isso, o discurso não mudou muito, a psicologia menos ainda.
Tem muito garoto sem rumo querendo um puxão de orelha.
 Às vezes levar um bom susto ajuda, às vezes só piora. Tem gente que machuca os outros, porque não sabe amar... Tem uma música que diz uma coisa parecida, né?!


Cheguei à conclusão que gosto das histórias das pessoas, daquelas que elas contam até com o simples andar, jogada de cabelos, gestos, ou as que não são contadas... Ouço as histórias que dos corpos que não dizem nada, mas nunca param de falar.
É isso que me fascina nelas. E também me afasta.


Nem sempre o que dizem é a verdade, talvez não por maldade, talvez acreditem realmente, e se repetir com bastante força pode ser que transforme em verdade, então...

Me questiono quanto às pessoas ao meu redor, por que as escolho, tolero, me importo...
Acho que sei também a resposta, ou talvez as leia, ouça e continue observando... Quem sabe um dia eu compreenda?