"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

sexta-feira, abril 30

O segredo do meu silêncio

Eu olho, observo, absorvo, descarto.
Enfatizo o “olhar observador” em virtude do hábito de “olhar sem ver”, que confesso ser uma defesa altamente eficaz. Não vejo nada logo, o nada não me atinge, nem me incomoda. Mas, estou ali, se for preciso, sentindo...
Retorno a premissa do olhar observador... E dentro desse contexto assimilo o quanto posso. Anteontem, por exemplo, durante uma palestra sobre comunicação, um renomado pós-doutor exemplificou sobre o silêncio que também comunica. Citou o comportamento de alguém que não fala muito em uma mesa de bar(me identifiquei na hora), segundo ele há apenas quatro possíveis motivos de seu silêncio:
· Está zangado com alguém da mesa;
· Insegurança;
· Tristeza;
· Ou não gostou do assunto...
Naquele momento em diante me ausentei... Divaguei, mal sabe ele que sou do tipo, que fala pouco, porque me contenho bastante, acredito que o falar muito nem sempre é bem-vindo, ouço muito e sei o quanto cansa.
Obviamente, que o pós-doutor está certo, porém, isso não pode ser encarado como uma regra. Ele se esqueceu de dizer que algumas pessoas não falam porque são mais lentas, como é o meu caso (rsrs). Então, penso, assimilo, absorvo ou descarto, compreendo e quem sabe, aceito e guardo.
Me penitencio, registro em algum lugar da minha mente, para mais tarde acessar os dados mais importantes e possivelmente me divertir...
Olho sem ver, me defendo, vejo, julgo, condeno, absolvo. Deixo passar... Esqueço. Entendo, nem sempre aceito. Deito e penso no que vi, como vi e o que me fez sentir. Respiro, lamento, agradeço, durmo.
Eis os motivos do meu silêncio. Depois de tudo isso, escrevo aqui, rsrs.