"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quarta-feira, agosto 10

Divisor de Águas



O tempo deu uma trégua, já não me escraviza mais. Uma taça de vinho me faz companhia, enquanto ouço o som que não conheço... e tudo não precisa mais fazer sentido.

Liberdade é uma sensação estranha, devastadoramente incrível, como se fosse possível senti-la invadindo os poros, penetrando a carne e a percorrendo a corrente sanguínea, não há mais nada além dela e o gerúndio.
Sabe-se, no entanto que a porta está aberta, e ela invade o recinto e sinto mais, não muito além do que preciso e ignoro o limite.

É mais do que o corpo pode sentir, a mente não organiza nada, não é preciso. Sentir é palavra de ordem e instantaneamente o corpo corresponde e pronto, tudo isso sem obedecer a nenhuma regra.
Os olhos descansam e não precisam ver. Os ouvidos ensurdecem, não há testemunhas, a vibração do som faz tudo parecer normal e o quanto isso pode ser anormal pouco importa...

E o coro se forma, tudo que é dito é poesia.

Liberdade não se encontra em lugar nenhum, não há prateleiras onde pode caber tanto conteúdo, não se pode acha-la quando o desejo é a única coisa que resta, nem na quantidade exata.

Ser livre está além dos conceitos, dos manuais, fórmulas e cálculos matemáticos, mesmo naqueles onde é possível comprovar que Deus existe, que o amor é vivo e anda por aí, para quem quiser encontra-lo, esbarrando sem querer...

A liberdade chega se apresenta e te abraça, sem a menor cerimônia, tudo é um divisor de águas.