"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

domingo, agosto 28

Imagem congelada e a sensação


Caiam todas as defesas, não há ataque capaz de me alcançar.

Hoje enquanto via algumas fotos, deixei me levar pela sensibilidade que tomou conta de mim nos últimos dias.

Agora quando sinto muito, sinto tanto que choro. E me sinto ainda mais feminina. Tudo que não me permiti, porque precisava me defender. Não preciso mais de minha armadura. Minhas armas estão por aí.
Não sei por quê... Talvez eu saiba sim, só ainda não admita.

Então, enquanto as lágrimas embaçavam meus olhos que fitavam aquelas fotos, entendi como a saudade pode se dividir em tipos... Não sinto saudades daquelas pessoas, porque algumas nem eram assim tão próximas, fotos do tempo de faculdade, de uma noite que ventava muito em frente à orla, de amigos que nem eram amigos no final, de amigas que nunca me pediram nada e com quem sempre pude contar... As saudades são da conjectura, dos segundos, que não voltam mais. De quem eu era naquele instante, quem fui.

Percebi que temos alguns discursos repetidos. Mas, até sentirmos tem uma distância longa a ser percorrida, você sabe que fotografias são registros de momentos únicos, a câmera empresta a capacidade de congelar o que seus olhos veem. Porém, que o tempo às vezes se encarrega de apagar.

No meu caso, nem sempre o tempo deleta tudo, mas inverte, confunde e não tenho certeza se realmente aconteceu ou se apenas fantasiei. Mas, as fotos que me emocionaram havia uma felicidade tão grande naquelas ocasiões que mesmo congeladas, pude sentí-las novamente, revivê-las.

Éramos a imagem, o descompactador, meus olhos, minha memória e minha emoção.
Sempre gostei de fotografia, não sou muito boa com elas, mas tenho essa atração. Quero muito conseguir fazer algumas que prestem, para que outras pessoas consigam essa fórmula matemática que descrevi a pouco, e é preciso que o resultado seja sempre a emoção.