"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

segunda-feira, dezembro 28

As duas partes do FIM


O FIM de sábado
  Na verdade soou mais como discurso que fez com que as mentes das pessoas presentes viajassem naquela “onda” toda, instigando-nos à mergulhar na paixão pelo cinema e fomentar a "atitudes" cujas proporções possam ser maiores, no que tange a participação sem cunho financeiro, pelo simples ato de falar sobre cinema, para enriquecimento intelectual e prazeroso (adorei esta última).

  Se ampliarmos nossa óptica quanto ao tema, isso é muito comum, basta apenas uma organização que estimule a divisão de idéias concomitantemente.
  Fui surpreendida algumas vezes completamente imersa na proposta, pensava com meus botões (apesar de na ocasião não usar nenhum, como seria fazer onda com filmes e tals). Confesso que até me senti um tanto incomodada, queria mais espaço para o fomento dos meus pensamentos, resultantes do discurso inflamado e instigante do Tuto Pessoa membro do FIM. No início o áudio deu trabalho para os organizadores, mas o ambiente da Fortaleza proporcionou um charme de autenticidade.

  Salvo a palestra do Felipe Garcia, historiador - USP, não foi o lance dos vídeos em espanhol, até aí tudo bem... Mas, meu espírito não estava muito receptivo às discussões subversivas… Não alcancei o que ele quis transmitir, me bloqueou principalmente as pausas da sua fala que usava como bengala para a organização de suas próprias idéias algo como: É…
  Várias vezes ele fez isso, tantas que comecei a contar e me perdi completamente do propósito que era discutir o potencial do audiovisual dentro da sociedade civil organizada, o que ele no primeiro momento afirmou (até onde pude prestar atenção) que não se tratava unicamente da sociedade civil organizada…

 Domingo dia 26 de dezembro na porta do FIM. Enfim, senti fome e saí fora.
   Voltei para a palestra sobre edição, que não me perdôo por ter esquecido o nome do palestrante… Muita bacana mesmo, mostrou trabalhos daqui, que por ignorar completamente, as pessoas deixam de reconhecer o que é da “terrinha”. Até troquei uma idéia com ele depois.

  E curtas muito interessantes como o Cine Zé Sozinho - CE, que conta a história de um ex-roçador de algodão… apaixonado por cinema. Quando Zé Sozinho falava de cinema o olho dele brilhava de um jeito que prendia o nosso olhar no dele. Me fez pensar que dane-se fazer o que não dá dinheiro… Além de alguns problemas comigo, com os quais não tenho sabido lidar direito, ainda ando bastante frustrada profissionalmente. Enfim… Lamúrias à parte, o curta é incrível.

  A Festa dos Caretas – TO (o nome na programação do FIM é Cartas de Lizarda), foi outro curta de uma sensibilidade sem igual, uma pesquisa minuciosa sobre uma cultura marginalizada resistente ao tempo, cuja existência é rejeitada pela igreja católica (achei o máximo isso). Logo após essa exibição  fomos embora (fiquei preocupada com meus amigos que pudessem estar entediados, arrastei-os comigo para o FIM, pena meus pais não terem ido também).

O FIM de domingo…
  Dia cinza, do jeito que eu gosto.
  Palestra com Regi Cavaleiro, sobre a cinematografia mundial, desde o cinema mudo até as produções mais atuais. Uma viagem rica em linguagem e estética, rolou uma participação maior por parte dos presentes, principalmente quando o “Cavaleiro” defendeu a genialidade de Orson Wells, Tuto Pessoa e Alexandre Brito que o digam. Dominique falou mais com o corpo do que seus argumentos limitados e repetitivos conseguiram dizer, foi porrada a discussão (valeu a pena estar lá). Concluída com um sonoro: “Cinema é arte para ser admirada e não discutida” do Reginho. (Não sei se a frase é dele, mas de qualquer maneira ele disse).
  A mostra independente segurou todo mundo nas cadeiras “confortáveis” daquela sala com teto de cantos arredondados, um pouco claustrofóbica, mas recheada de suspiros ansiosos, a cada cena corações na boca, (falo por experiência própria) e aplausos:
Photoradioatividade – AP;
R$ 0,05 – AP, com um final bastante criativo;
O peso da feira – AP;
O pássaro – RJ (merece destaque “carnal” rsrsrs);
Isto não é título – RJ (ganhei a noite com esse curta);
Pequeno – AP;
Anônimos – RS;
  Agora o que me fez chegar em casa mais cedo foi Faltam 5 minutos – RS dos hermanos gaúchos, achei horrível, e olha que não foi por se tratar do “Inter de Santa Maria”, apesar das imagens simultâneas dos narradores, espera: Vou explicar melhor: O curta narra a história do esporte clube Interacional de Santa Maria, que disputava o último jogo do campeonato gaúcho de segunda divisão com o Pelotas, são os 20 minutos mais longos para quem ficou sentadinho naquelas cadeiras “confortáveis” assistindo a alguns senhores babões berrando por um time de futebol. Na boa, depois desse murchei, para não dizer que não falei de flores…

  Em síntese o FIM deste ano foi muitíssimo interessante, não compareci aos anteriores nesses 3 anos e meio que moro em Macapá, por motivo de força maior, mas sei que houve a inovação com as palestras… Dá uma vontade enorme de produzir também, né?
xxx
  Saí bastante frustrada, fiquei assim pelo resto da noite em função da minha viagem para Algodoal ter mixado. Queria tanto fugir daqui… Fazer o quê. É óbvio que outros motivos me deixaram bastante abatida também, mas se não me matarem, me farão crescer…
Se virem uma gigante por aí, sou eu tá?
Ah, não posso deixar de registrar aqui, que vi um monte de gente que adoro, admiro para caramba e que estava morta de saudades!