"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

domingo, janeiro 31

Dominicus

Trabalhar no domingo? Nãããããão.
Não lembro a que horas fui dormir, mas me antecipei ao relógio. Nove horas eu tinha ajustado… Mas deu uma preguiiiiiiiiça! Só mais alguns minutos e estava tão gostoso na cama.
Ainda pensando se valeria a pena ou não sair do ninho…
Mas, palavra é palavra e não preciso que ninguém me diga o que é compromisso… Algo como “sangue e honra”, a palavra é assim para mim, só não saio mesmo se não tiver saúde e, ainda tenho que aguentar uns tipos babacas que ficam zangados comigo quando adoeço, ah! quer saber vão se danar.
Voltando ao lance da palavra, fiz compromisso então fui…trabalhar como fiscal num concurso, em pleno domingo, numa escola (onde estive antes trabalhando também na Ação Global) não sei o bairro, mas tem uma pracinha bacana... E lá estava eu, uniformizada querendo que o chão me engolisse, como sempre, porque todo terreno inexplorado me provoca medo, mas medo também serve como combustível.
Fui indicada por um amigo que fez parecer fácil, a chefe de sala não chegou na hora e fiquei bastante apavorada, não teve orientações sobre como fazer… Engraçado falar isso, porque no sábado eu fui na reunião, naquela ocasião imaginei que fosse pra ver qual era, não sabia se seria mais uma furada dessas que aparecem no meu caminho. Ficou um clima estranho, mas não quero falar sobre isso. Pra encurtar a história, apareceu um monte de gente para me ajudar e descobri que tem muita gente bacana por aí, que sabem trabalhar em equipe.
Aliás “equipe” fazia um tempo que não via isso, é sempre “cada um por si”. Mas foi legal, me vi perdida no tempo que para mim passava rápido até, diferente dos candidatos concentrados e cientes que não sabiam muita coisa. Sei que é maldade minha, mas não posso evitar, eu leio os corpos o tempo todo. E tinha quem coçasse a cabeça e alisasse o papel como se pedisse “por favor! se resolva em meu lugar” ou quem sabe até “me dê uma luz”.
Não me divirto com a aflição alheia, só destaquei o que vi.
E naquela sala de aula, toda riscada com caneta bic, nas paredes, carteiras também, nomes de alunos e outras bobagens, vi na parede ao fundo em letras garrafais: “Helen 100% nerd”. Achei engraçado, coincidentemente tinha uma “Helen naquela sala… Bom, quanto ao adjetivo que deram a ela, deixa para lá.
E viajei no meu olhar pela porta de novo, enquanto cuidava o horário como fazia parte da minha função… O dia ficar cinza, e um vento agradável que tocava meu rosto, estava tão quente lá… De repente, uma chuva fina começou e logo em seguida apareceu o sol, Tudo em 3 horas e meia. Legal, né?! Um único dia, que foi vários.
Quanto aos candidatos, enquanto eu conferia seus dados, documentos e lugares marcados, os observava. Descobri que adultos são teimosos e chatos, não que eu não soubesse disso antes, mesmo em casa fui alertada para ser paciente, (não sei porque mas tenho fama de brigona).
Voltando aos chatos: Por que complicar?
Então uma coroa, com roupinha de “mocinha” chegou com uma bolsa pequena bege, com alça atravessada no peito, na outra mão uma garrafa com “uma água meio marrom” rsrsrs. E alguns doces e barras de cereais. Ela disse que queria comer… Aff! Até que foi engraçado.E comeu o tempo todo da prova e nos raros momentos em que comentei algo com a minha colega de trabalho, falei que ela seria a última a sair da sala, que talvez desse problema. Estava certa quanto a ser a última.
Como procedimento padrão, o candidato deveria depositar numa sacola plástica com lacre todos os seus objetos metálicos, celular e documentos que não fosse usar, já que para a prova era obrigatório somente o RG e a caneta esferográfica de tinta preta.
Tinha um cara, (dos 15 candidatos da sala, somente 3 eram homens, achei necessário comentar isso). Como eu havia dito,o cara tinha duas canetas e as instruções eram claras, somente caneta preta para o preenchimento do cartão resposta. No fim, quando o cara entregou a prova, tinha feito tudo de caneta azul. Alguém pode me explicar por que cargas d’água aquele estrupício fez isso?
Ah! Tá, vai dizer que foi falta de comunicação e ninguém o alertou?!
Nada disso, a Chefe de sala avisou antes da prova iniciar. E no caderno do candidato também tinha um aviso.
Tem um nome para isso: “PORTA!!!”.
Ah! Esqueci de dizer que a porta da sala não tinha maçaneta, e quando um dos meninos foi nos ajudar, ficamos trancados.
Pho da SE.
Não perdi o bom humor, só não achei engraçado. ¬¬
Tiveram que pular a janela e tals… Mas o pior não é isso. Quando fiquei sozinha na sala, antes dos candidatos entrarem, tive que esconder a faca que serviu de maçaneta, rsrsrs afinal de contas o que eles pensariam de uma fiscal com uma faca sobre a mesa?
Ahahahaha, Desculpe não resisti.
Mas, a experiência foi legal, apesar das decepções. Sempre espero demais das pessoas, a culpa é minha, sou eu quem não aprende que nem todo mundo tem discernimento para algumas coisas. Agora tanto faz.
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Já em casa, fiz um monte de coisas legal, agradáveis. ..
Uma delas foi lavar minha alma velha…na chuva.


(PS- Um dos responsáveis pela escala do pessoal, foi meu colega em 1998 e me reconheceu, fiquei com vergonha porque não o tinha feito também, apesar de achar sua fisionomia familiar. Ele lembrou até da cor dos meus cabelos na época. Engraçado, sempre achei que eu fosso invisível).