"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

domingo, março 14

Pirata que é pirata não chora na despedida

 P1080653 Todos reunidos. Como há tempos não acontecia.

O motivo não é só recordar, fazer planos de nos reencontrarmos em águas nunca antes navegadas…

O Mestre das Ilusões, “quer” novos desafios. Pretende encontrar tesouros em terras mais distantes. A tripulação não quer que ele parta, mas não podemos impedir que um pirata siga seus instintos e leve consigo seu inseparável amigo da capa preta.

Assim, na última sexta-feira, éramos oitos, Capitão Alma Negra, Pirata Mestre das Ilusões, Pirata Bilíngüe, Piratinha,  a Bandeira Pirata (tremulante como não poderia deixar de ser), a aspirante hesitante, o cavaleiro da Capadócia e sua donzela.

Todos fomos ao encontro do “Francês” “nessa barca furada”, como diria o Mestre das Ilusões.

Mas, enfim como rege o velho ritual, onde almas femininas tomam conta do recinto, loiras suadas e pequenas branquinhas interrompem as conversas, foi possível observar que o cavaleiro da Capadócia já recuperado do último encontro com o Dragão, agora vitorioso, apresenta sua donzela à tripulação.

Essa é a única história que reúne heróis medievais e histórias dos sete mares.

Como boa Piratinha, apesar do Capitão Alma Negra ter proibido textos de conversas minhas comigo mesma. Não pude deixar de desobedecê-lo em tais circunstâncias, e estou certa que suportarei meu castigo futuro. Contudo, em meio aos risos e goles desejosos, confesso que omiti meus reais sentimentos, afinal:

“Pirata que é pirata não chora em despedida…cospe na mão antes do solene aperto e, diz um até breve conforme a onda do mar atrevida, mudar de curso e assim permitir…”

Senti um buraco no chão. Não, ele não me engoliu. Era apenas como se meus passos fossem dados em ruas de vidro, eu avistava o fundo. Soava apenas ameaçador. Já era a saudade das noites de pirataria, onde líquidos maliciosos fazem adultos virarem crianças outra vez.

E, dançar com quem quer que seja ao som envolvente de qualquer música, invadir festas alheias e arrumar confusões passageiras, mas principalmente do hino pirata.

Deixar tudo de lado e abraçar as infinitas possibilidades. Mesmo que as palavras insistam em não se calar… Que promessas não sejam cumpridas. .. Que verdades não sejam ditas…

Melhor deixar que os abraços fortes, daqueles que se ouve de longe o som do partir de ossos, falem por todos nós…  E aquele desejo enorme da noite não acabar seja visto nos olhos de todas as cores.

Assim foi esta noite, deixou saudade e aquele gosto inesquecível de quero mais, sempre.

Ao Mestre das Ilusões, com carinho.