"O texto simplifica meu eu complexo, ora é aliado, ora me faz refém".- Hellen Cortezolli

quarta-feira, outubro 14

Dia de pontos finais

Hoje foi um dia de pontos finais.
Nos trabalhos inacabados, nas frases cheias de reticências.
A partir de hoje, não mais.
Na noite que parecia interminável, houve todo o tipo de despedida. Com direito a olhares cabisbaixos de quem pretende recomeçar de algum outro lugar, de sorrisos entre os dentes para esconder o que realmente sente, e a dor que insiste em incomodar. E, outros que não irão olhar para trás. Mesmo que se diga que nunca, é tempo demais.
Hoje foi mais um dia em que senti o tempo passando, em seu gerúndio mais absoluto, o vi passando, muito a minha frente, não posso mais alcançá-lo, de costas agora é apelido, não me deixou nem suas pegadas para que eu pudesse segui-lo, mesmo que a longa distância.
Porém, tive um momento pela manhã, depois da diversão, de vários "corta", "façamos outra vez", "ainda não está bom", "só mais um exercício" (lab de TV, paciência imensurável de um CAVALEIRO, é Cavaleiro mesmo).
Fui acompanhada de um amigo de "Plástico" rumo ao museu. Já havia estado em outros, em outros Estados, mas nesse ao invés do cheiro de morte, vívido nas armas do arsenal guardado como relíquia de um passado glorioso;
Senti cheiro de "ar". Havia sim, vida no museu.
Pude respirar!
A noite tudo nos conformes, mais surpresas, mais pessoas com pontos finais. Recomeços, ou por refazer a própria história.
Sem lamentos, sem glórias.
Só pontos finais em histórias inacabadas, ou que nem tiveram um início, sem suplício.
Só pontos finais.
Sem autores anônimos, sem vestígios de dor. Apenas e tão somente, pontos finais.
E na mensagem do dia algo como:
Viver amanhã é muito tarde. Viva hoje. (Um recado para quem acredita que tudo sempre ficará onde está). Ledo engano!
Oportunidades passam, momentos inesquecíveis, tem esse nome só para quem consegue enxergá-los como únicos, não haverá outras chances iguais. É bem verdade que poderão ser melhores ou piores, nunca iguais.